de Celeste Vidal, publicada em 1994 no livro Metade Sol, Metade Sombra
Às mulheres que se organizam
Sim, eu sou uma mulher liberada,
e daí?
se me perguntas, no entanto, és livre?
Eu te respondo, nem tanto.
Ouço esse grito perto e distante
esse soluçar constante
a ecoar no mundo.
Vejo tanto olhar perdido,
corpos sofridos
a estenderem as mãos.
A liberdade não é no singular
é soma de tudo, de todos,
é plural, a começar assim:
é plural, a começar assim:
por mim, por ti, por nós.
Liberada eu sou, mas não foi fácil,
não é fácil, nem vai ser facilmente.
conquistada a libertação da mulher.
Eu consegui, mas não sou nada especial
nem coisa rara, nem iluminada,
só muito diferenciada
de você mulher passiva, acomodada,
conscientemente, ou não, explorada,
esperando, ou não, acontecer.
Eu, ao invés de me limitar a ver
quis olhar,
em vez de só poder ouvir
resolvi falar,
em vez de só poder tocar
resolvi sentir profundamente,
em vez de ter meu corpo indisposto
mas pronto para uso,
me fiz dona de mim,
e este abuso
não vai mais acontecer.
(continue a leitura, vale muito a pena)











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