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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Importante exposição: a pobreza é criada pela política


Tereza Campelo, obrigada por esta entrevista. Mercadante, obrigada por trazer a Tereza Campelo e sua lucidez para explicar de forma tão didática o significado da atenção social e as consequências de sua negação.
"... tres meses que a criança fique comendo mal já é suficiente para deixá-la subnutrida... Você passa anos depois para recuperar"
"o Golpe devolve o Brasil ao mapa da Fome, confirma o IBGE de 2017" 
"A Pobreza é uma decorrência da Política." 
"Em dois anos de golpe a pobreza voltou" "A desnutrição voltou a crescer, assim como, infelizmente, o desemprego, os índices de mortalidade infantil..."
"Colocamos 1 milhão e duzentas mil cisternas no Nordeste!"
"Luz para todos para 4 milhões de famílias..." 
"O Bolsa Família melhorou todos os níveis de escolaridade... Haverá piora em todos os indicadores... "
"A agenda do combate à Fome, a ideia de colocar o pobre na agenda... não existe como um País dar certo com metade da população excluída" 
"Tem estudos mostrando numa das maiores revistas de medicina do mundo, mostrando que o Bolsa Família teve impacto na redução do suicídio das mulheres!... Também diminuiu a incidência de hanseníase, de tuberculose... no crescimento das crianças..." 
"Desmonte dos Direitos dos trabalhadores: os fundos do Ministério do Trabalho vão para o Ministério da Economia, a parte Sindical (absurdo!) vai para o Ministério da Justiça"


Tereza Campelo foi Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

domingo, 24 de junho de 2012

O Assassino e a Donzela


Muito bom o artigo que reproduzo abaixo. Mauro Malin faz uma exposição didática sobre dois episódios recentes, que ajuda a compreender o que se passou no Brasil de 50 anos para cá. Uma reflexão sobre as verdades que aos poucos vão emergindo.
Curiosamente, os protagonistas são um assassino e uma torturada. Remete ao excelente filme de Roman Polanski, "A Morte e a Donzela", quando confronta (lá fisicamente) o torturador, que violentou a personagem interpretada por Sigourney Weaver, que carrega o trauma por toda a vida. O torturador era o médico que dava assistência aos torturadores executores e, no uso das funções, a estuprou (ela tinha os olhos vendados). O filme de Polanski se passa em um país da América do Sul, sob as ditaduras sangrentas que se mantiveram mediante torturas e assassinatos.

COMISSÃO DA VERDADE

Relatos de torturada e de matador

Por Mauro Malin em 23/06/2012 na edição 699
A Folha de S. Paulo publicou na sexta-feira (22/6) depoimento da hoje presidente da República Dilma Rousseff ao Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais, em 2001, parcialmente divulgado no domingo (17/6) pelos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas. Dilma relatou com muita lucidez, em linguagem objetiva, o que sofrera trinta anos antes.
O material ganhou na Folha edição à altura de sua importância [ver abaixo]. Tem consistência para ser ponto de partida de novas pesquisas e reportagens sobre a repressão e as organizações que travaram o que Jacob Gorender definiu como Combate nas Trevas.
Lucia foi covardemente assassinada   
No Globo, o repórter Leonêncio Nossa, do Estado de S. Paulo, é entrevistado a respeito de seu recém-lançado livro Mata! O major Curió e as guerrilhas do Araguaia. Leonêncio pesquisou durante dez anos (ver “Um mergulho no último suspiro da guerrilha“). Teve acesso ao arquivo de Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió, um dos oficiais do Exército que participaram da repressão ao movimento guerrilheiro do PC do B e do massacre de seus integrantes. Leonêncio fez questão de só publicar aquilo que pôde confrontar com depoimentos de outros personagens (fez 150 entrevistas).

Uma falsa “guerra”
O material que se vai revelando após a sanção da Lei de Acesso à Informação e a constituição da Comissão da Verdade reforça duas constatações.
Primeira, que não houve “guerra” anticomunista, ou antirrevolucionária, como pretendem militares da reserva (e da ativa) para desculpar crimes contra os direitos humanos, e sim terrorismo de Estado contra pessoas presas, dominadas, indefesas. Voltaire começa o Tratado sobre a tolerância com a seguinte reflexão (em tradução livre do francês):
“Esquecemos rapidamente a multidão de mortos em inumeráveis batalhas, não só porque isso é uma fatalidade inevitável da guerra, mas porque os mortos pelas armas poderiam matar também seus inimigos, e não morreram sem se defender. Sempre que o perigo e as condições são iguais, o espanto cessa, e própria piedade se enfraquece. Mas se um pai de família é posto nas mãos do erro, ou da paixão, ou do fanatismo; se os que decidem sobre sua vida não se arriscam, ao decapitá-lo, nada além de ter cometido um erro; se podem matar impunemente por uma decisão administrativa, então o clamor público se eleva. Cada um teme por si mesmo. Vê-se que ninguém sente sua vida em segurança diante de um tribunal erigido para velar pela vida dos cidadãos, e todas as vozes se unem para pedir vingança.”
Diferentemente do que constatava Voltaire na Toulouse do século 18, não houve e não há no Brasil pedidos de vingança. Mas isso não retira um pingo da importância de se apurar, de acordo como diferentes relatos e documentos, o que aconteceu. E de extrair dessas narrativas um sentido que ajude os atores sociais a enfrentar seus desafios políticos. Hoje – para, por exemplo, erradicar a tortura em delegacias policiais e as execuções – e no futuro.
Segunda constatação, que a mídia, conjunto heterogêneo de olhares e vozes da sociedade, hoje parceira da Comissão da Verdade e sua antecessora na tarefa de buscar os fatos e torna-los públicos, a sucederá nessa tarefa durante longo tempo.

***
“Encarei a morte e a solidão”, diz Dilma
Paulo Peixoto # reproduzido da Folha de S.Paulo, 22/6/2012

Num depoimento de 2001, mas só agora divulgado, a presidente Dilma Rousseff relata detalhes sobre sua prisão aos 22 anos, ameaças e a tortura a que foi submetida na ditadura militar (1964-1985). Ela fala em medo, dor, choques, palmatórias e as marcas que ficaram disso tudo.
Entre as ameaças, cita uma encenação de fuzilamento e frases como “você vai ficar deformada”, “ninguém vai te querer”, “vai virar presunto”.
O relato foi feito ao Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais, num processo para que ela pudesse ser indenizada em R$ 30 mil pelo Estado. Parte do teor foi divulgado no domingo pelos jornais “Correio Braziliense” e “Estado de Minas”.
“O estresse é feroz, inimaginável. Descobri pela primeira vez que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando a minha pele tremeu”, diz ela.
Leia a íntegra:

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A primeira mulher a abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas

“Tenho muito orgulho de ser a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral da ONU”

Café com a presidenta
No programa de rádio Café com a Presidenta desta segunda-feira (19/9), Dilma Rousseff comentou o fato de ser a primeira mulher a abrir a Assembleia Geral das Nações Unidas. Ela está em Nova York, nos Estados Unidos, e na próxima quarta-feira (21/9) fará a abertura do debate geral da 66ª sessão da Assembleia Geral da ONU, tarefa que cabe tradicionalmente ao Brasil.
Segundo antecipou a presidenta durante a entrevista, a viagem a Nova York será um momento para discutir temas importantes, como o papel da mulher no mundo, a transparência nas ações dos governos e o combate a doenças crônicas. Outra temática que merecerá destaque – afirmou a presidenta – é a crise econômica mundial.
“Vou falar em nome do Brasil para chefes de Estado dos 193 países que vão participar dessa Assembleia Geral (…). O Brasil tem muito a mostrar em cada um desses temas”, frisou.


http://blog.planalto.gov.br/%e2%80%9ctenho-muito-orgulho-de-ser-a-primeira-mulher-a-abrir-a-assembleia-geral-da-onu%e2%80%9d/trackback/

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

PRESIDENTA, PONTO

HOUAISS
presidenta


Acepções
■ substantivo feminino
1 mulher que se elege para a presidência de um país
Ex.: a p. da Nicarágua
2 mulher que exerce o cargo de presidente de uma instituição
Ex.: a p. da Academia de Letras
3 mulher que preside (algo)
Ex.: a p. da sessão do congresso
4 Estatística: pouco usado.
esposa do presidente
Etimologia
fem. de presidente; ver sed(i)-

MICHAELLIS
presidenta
pre.si.den.ta
sf (fem de presidente) 1 Mulher que preside.
AULETE
presidenta
s. f. || (fam.) mulher que preside; esposa de um presidente. F. Presidente.
presidenta | s. f.
fem. sing. de presidente
DICIONÁRIO UNIVERSAL DA LÍNGUA PORTUGUESA
presidenta
(alteração de presidente)
s. f.
1. Infrm. Mulher que preside. = presidente
2. Infrm. Esposa de um presidente.
Masculino: presidente.
presidente
(latim praesidens, -entis, particípio presente de praesideo, -ere, comandar, governar)
adj. 2 gén. s. 2 gén.
1. Que ou aquele que preside.
s. 2 gén.
2. Chefe de uma assembleia, congresso, tribunal, junta, etc.
3. Título oficial do chefe de um Estado republicano.
Nota: admite também um feminino menos usado: presidenta.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sempre bom revisar fatos recentes

A onda de boatos e mentiras foi assombrosa nas eleições 2010. Os artifícios covardes e desonestos utilizados pelo esquema demotucano auxiliado pela mídia velha foi o maior e mais repugnante de todos os tempos.
Confira na reportagem da revista Isto É, que foi averiguar os fatos "denunciados".

A fazenda que Lulinha (não) comprou
Posted by Seja Dita Verdade On October - 27 - 2010

Na internet, circula o boato de que o filho do presidente Lula comprou uma megafazenda.
Verdade? Confira a seguir e saiba tudo
IBIAPABA NETTO – Isto É

E-MAIL APÓCRIFO:   mensagens como a acima transcrita, viraram moda em todo o País.
LUCIANA PREZIA/AE

Não é de hoje que se conhece o ditado de que “cada um que conta um conto, aumenta um ponto”. E, como o brasileiro gosta de uma boa história, algumas mentiras se tornam verdades, às vezes até mais divertidas do que a própria realidade. Nem mesmo o mundo rural está livre das boatarias que hoje percorrem o mundo em mensagens eletrônicas via internet. Todas, é claro, sem a identificação da autoria.

Quem sentiu na carne os efeitos de um boato bem contado foi o criador de nelore puro de origem José Carlos Prata Cunha, dono de terras em Valparaíso, interior de São Paulo. Circula na internet um e-mail que conta a história de uma fantástica operação em que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o “Lulinha”, teria comprado a sua principal área, a Fazenda Fortaleza, por R$ 47 milhões. “Isso é tudo bobagem, nunca vendi minha fazenda e, na verdade, nem oferta cheguei a receber”, esclarece Prata Cunha à DINHEIRO RURAL. “Tratamos isso como piada”, reforça Leonardo Badra, sócio de Fábio Luís na empresa de jogos eletrônicos Gamecorp.

Mas de onde, então, nasceu essa curiosa história?


DIVULGAÇÃO
 O VERDADEIRO DONO: José Carlos Prata Cunha, proprietário da Fazenda Fortaleza, diz que nunca recebeu uma oferta de compra pelas suas terras.

Para Fernanda Prata Cunha, filha de José Carlos, que acompanha de perto os problemas derivados do “boato rural”, a confusão nasceu de uma sondagem imobiliária. “Realmente fomos procurados por um grupo que se disse representante do filho do presidente”, explica. Mas, comenta a fazendeira, a notícia rapidamente caiu “na boca do povo”, os e-mails começaram a circular e nunca houve, na prática, algo que se aproximasse de uma oferta de compra.

A fazenda não foi vendida, porém, a dor de cabeça dura até hoje. “Tivemos de modificar a entrada da fazenda e proibir a entrada das pessoas”, lamenta Fernanda. Segundo ela, a propriedade virou uma espécie de “ponto turístico” em Valparaíso. “As pessoas param para tirar foto e as brincadeiras por causa da suposta venda que não aconteceu são constantes”, diz. De certa forma, ela se diverte. “Algumas pessoas na cidade nos olham meio estranho”, brinca.

domingo, 21 de novembro de 2010

A FOLHA DEU UM TIRO NO PÉ



José Flávio Abelha*

A grande novidade que O Globo exibiu hoje não pode ser considerada um 'furo jornalístico', no jargão midiático. Quando muito, o carro-chefe dos Marinhos fez um buraco, e que estrago, na débil credibilidade de uns tantos periódicos e hebdomadários e, indo mais longe, na banda podre da mídia brasileira.

Quando a Folha insistiu em abrir o que ela pensava ser a caixa-preta da candidata Dilma e o STM negou, um pensamento me perseguiu até hoje, dia 19 de novembro de 2010: a insistência da Folha é um TIRO NO PÉ.
Elementar, meu caro Watson, preste a atenção na linguagem silenciosa dos detalhes!

Inês Etiene Romeu, irmã da minha saudosa amiga Beth, foi declarada desaparecida mas estava enterrada viva em um sítio nas cercanias de Petrópolis, onde ficou mais de 1 ano, tirante o antes, nas mãos carinhosas do famigerado delegado Fleury. Washington Alves, sua filha Jessy Jane e demais familiares foram presos, torturados, trocados por embaixadores e asilados na Suécia. Walkyria Afonso Costa, desapareceu nas margens do Rio Araguaia, até hoje insepulta. Em um edifício do Conjunto Santos Dumont, em Belo Horizonte, morava um senhor paraplégico, preso a uma cadeira de rodas e sem fala, tal qual foi entregue à família depois de meses de tortura. Era bancário, jovem, atuante no seu sindicato e participante dos movimentos de protestos contra a ditadura implantada no dia 1º de abril de 1964. E muitas outras vítimas do torturador Daniel Antonio Mitrioni e americanizado Dan Anthony Mitrioni ou Dan Mitrioni, que a CIA mandou para o o Brasil e Uruguai como "assessor agrícola" cuja função era ensinar a interrogar presos políticos, tão importante para os militares que mereceu nome de rua em Belo Horizonte, quando os Tupamaros o fuzilaram no dia 10 de agosto de 1970 no Uruguai, grupo esse chefiado pelo guerrilheiro José "Pepe" Mujica, hoje Presidente da República.

Por essa gota de informação, pode-se ver que uma assassina, assaltante e mais adjetivos que recebeu a candidata Dilma durante a recente campanha eleitoral, depois de torturada, não ficaria menos de três anos na prisão. Com o negro quadro biográfico que a oposição apresentou, a candidata seria hoje, tão somente, uma lembrança amarga para a família Rousseff, um nome numa lápide, se cadáver houvesse, haja vista que, atualmente, ainda existem cerca de 460 desaparecidos.

TIRO NO PÉ que a Folha deu, abrindo as portas do STM às várias famílias que desejam saber o que consta nos processos de seus entes, presos, torturados, desaparecidos.

Vamos saber agora porque o inesquecível Presidente Juscelino, depois de cada interrogatório no Forte Imbuí, urinava sangue e tomou um tiro no pé ao responder à idiota e humilhante pergunta: trabalhava? o que fazia?, ao que JK literalmente respondeu: entre outras coisas promovi você a coronel, seu filho-da-puta.

TIRO NO PÉ que a Folha deu, ao se ler palavras emblemáticas contidas no "secretíssimo" processo da assassina e assaltante Dilma Rousseff, que ponho em relêvo no texto abaixo:

1. Joana d'Arc da subversão. A padroeira da França também foi uma subversiva cujo castigo foi ser queimada viva. Passados mais de 400 anos, canonizada pelo Vaticano. Hoje é Santa Joana d'Arc.

2. Não se pôde COMPROVAR que tenha participado diretamente em nenhuma ação armada. Segundo os arquivos.

3. É uma figura feminina de expressão tristemente notável, mas com uma dotação intelectual bastante apreciável. (Dizem os arquivos que O Globo teve acesso). Sem parti pris, isso é um elogio e, convenhamos, "expressão notável" e "dotação intelectual bastante apreciável" não deixam de ser atributos positivos para uma pessoa que almeja ser Presidente.

4. Os grupos de inteligência das Forças Armadas não confirmaram sua participação direta em NENHUMA AÇÃO ARMADA, de acordo com os arquivos do Ministério Público Militar. Uma opinião pessoal: pode ser Presidenta ou seja lá o que for, neste episódio não se pode cogitar de uma "anistia", um deixa-pra-lá, um esquece, e sim, de um processo para que a tão decantada LIBERDADE DE OPINIÃO seja colocada nos trilhos. Uma coisa é Liberdade, outra, essa que vimos é Libertinagem.

5. Documentos que POUCO FALAM sobre vínculos de Dilma às guerrilhas urbanas contra a ditadura.
Concluindo, UM TIRO NO PÉ é pouco. Melhor dizendo, a Folha arrancou o próprio pé. Agora, o melhor a ser feito e meter a viola no saco e demitir o rapaz que serve o cafezinho na redação, autor das inverdades, mentiras assacadas contra a candidata Dilma. E os canalhocratas que repetiam tais afirmativas, naturalmente desejando implantar no Brasil uma canalhocracia finjam-se de morto, tirem umas férias, mandem a empregada dizer qualquer coisa, uma sugestão, férias em Paris. Pega bem, FHC deve estar lá tomando a sua champanhota.

Quando falam que a mentira tem pernas curtas, muitos não acreditam. Desta vez, a Folha pagou para ver. O STM mostrou. A Folha viu!!! O Brasil está vendo.

*Mineiro, autor de A MINEIRICE e outros livretes, reside na Restinga de Piratininga/Niterói, onde é Inspector of Ecology da empresa Soares Marinho Ltd. Quando o serviço permite o autor fica na janela vendo a banda passar.

Leia mais no Blog da Dilma: BLOG DA DILMA 13: A FOLHA DEU UM TIRO NO PÉ

Fonte: Blog da Dilma

terça-feira, 2 de novembro de 2010

BRASIL - O POVO FAZ A HISTÓRIA


Crianças felizes e saudáveis lêem, em 2015, sobre a História que nós fazemos hoje.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sangue de Chico Mendes




Angela, a filha de Chico Mendes, em belo depoimento. Ela tem nas veias o sangue do pai. E assim honra Chico Mendes. Mostra que tem orgulho da luta dele contra o latifundio e o agronegócio.

sábado, 16 de outubro de 2010

Eleições históricas e decisivas - eleição presidencial 2010

Enviado por Raul Reis, o texto é do historiador Durval Muniz sobre o segundo turno das eleições presidenciais.Um texto imprescindível para entender o que significa cada proposta de governo: a proposta de Dilma/Lula ou a de Serra/Fhc. 
Vale muito a pena ler. E depois assistir o vídeo.

Eleições históricas e decisivas

Por Durval Muniz de Albuquerque Júnior, Historiador

Estamos num momento decisivo da vida brasileira, onde qualquer omissão pode ser imperdoável. Eu, que faço parte da parcela ainda privilegiada de brasileiros que conseguiu concluir um curso superior e fazer uma formação pós-graduada, não ficaria com a consciência tranqüila se não viesse a público, neste momento, com o uso daquilo que sei fazer: refletir, pensar, para tentar contribuir no sentido de dar um mínimo de racionalidade a um processo eleitoral que, muito pela influência de determinados setores da mídia, mas infelizmente também com a participação decisiva de candidaturas como a de José Serra e Marina Silva, descamba para se tornar uma discussão obscurantista, rasteira, mistificadora e preconceituosa, sobre temas e aspectos nomeados genericamente de “valores”, que interessam de perto aos setores mais conservadores e retrógrados da sociedade brasileira, fazendo ressuscitar dos porões das almas, das mentes e do interior da sociedade forças e subjetividades microfacistas.

Dirijo este texto àqueles que fazem parte como eu desta parcela letrada da sociedade, notadamente, daqueles alojados no interior da Universidade, e que, para minha surpresa e decepção, vêm manifestando a intenção de votar em José Serra no segundo turno das eleições. Como estou escrevendo para pessoas que julgo estar sob o império da racionalidade, nem me vou ocupar de rebater os motivos e argumentos apresentados para não se votar em Dilma Rousseff, em uma das campanhas mais sórdidas, mais caluniosas, injuriosas e preconceituosas já levadas a efeito no país, com a participação decisiva do candidato Serra e da mídia golpista que o apóia, a mídia que medrou e engordou durante a ditadura militar, campanha só comparável àquela de 1989, que levou ao poder o queridinho das elites brancas da época: o caçador de Marajás, Fernando Collor, (e todos sabem no que resultou aquela aventura amparada em retórica e práticas tão farisaicas, despolitizadoras e moralistas como as que embasam a atual candidatura tucana).

Embora pareça que para estes meus colegas, de estômagos fortes, não causa repugnância e náusea uma candidatura que explora e incentiva o tradicional desapreço e desprezo das elites brasileiras pelos nossos vizinhos da América Latina, pelos africanos e pelos asiáticos (o que fica demonstrado pelos ataques do candidato ao Mercosul, à Unasul, a chefes de Estados de países vizinhos democraticamente eleitos, alguns deles pertencentes a grupos historicamente excluídos naqueles países.

Na crítica à política externa do governo Lula mal se disfarçam a xenofobia e o racismo de nossas elites que sempre se julgaram brancas e sempre tiveram os olhos voltados para os Estados Unidos e para a Europa, onde na verdade sempre sonharam em viver; a política externa de FHC, onde o presidente falava inglês e o chanceler como um lacaio tirava os sapatos para passar nas alfândegas dos países desenvolvidos mostra bem isso); uma candidatura que explora o preconceito contra as mulheres, candidatura sexista, machista e misógina, que claramente tenta desqualificar o lugar da mulher na política e que utiliza a velha tática de pôr em suspeita a sexualidade de toda mulher que ousa desafiar os lugares reservados aos homens (com a conivência de inúmeras mulheres ditas independentes e feministas entronizadas como comentaristas na mídia, como Maitê Proença que chegou a convocar os “machos selvagens” para nos livrarem de Dilma; ressalte-se ainda o silêncio cúmplice de grandes lideranças intelectuais e políticas feministas ligadas ao PSDB, que deixo de nomear por respeito às suas trajetórias, que não deveriam necessariamente votar em Dilma, mas se posicionarem veementemente contra o tipo de campanha que faz o seu partido.

Este silêncio poderá custar caro à muitas conquistas feitas pelas mulheres. Me pergunto como pode ser que intelectuais deste quilate possam estar silenciosas diante do uso aético e mistificador da questão do aborto pelo candidato tucano, será que uma vitória eleitoral compensa a perda de uma reputação construída durante anos na luta das mulheres?

Ainda está em tempo de romperem o silêncio!; uma candidatura que explora e acirra o preconceito contra os homossexuais ao espalhar em emails apócrifos e criminosos na internet a suspeita de que Dilma seria lésbica (e qual o problema se fosse, sabemos com que órgãos de seu corpo ela exercerá a presidência); uma candidatura que açula o preconceito contra o pobre e o nordestino, que como sempre são tomados pelas nossas elites de classe média como aqueles ignorantes, que não sabem votar, que votam com a barriga e não com o cérebro, mesmo que estejam votando por defenderem a continuidade do governo que de longe foi o que mais beneficiou estas duas populações (porque votar em defesa do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida, é menos racional que votar em defesa dos lucros exorbitantes conseguidos pelos beneficiários do processo de privatização, inclusive os grandes grupos de mídia e do banqueiro que aposta sempre no Meu Banco, Minha Vida?); uma candidatura que faz das mentiras mais descaradas e das promessas mais fajutas a sua apresentação (toma para si feitos dos outros, copia programas das outras candidaturas, promete fazer o que sempre fez diferente quando esteve no poder).

Claro que não vou perder meu tempo discutindo com vocês, que até agora não vomitaram e ainda continuam convictos do voto em Serra, argumentos de enorme racionalidade para não se votar em Dilma como: ela é um poste, ela matará criancinhas (repaginação sofisticada por Mônica Serra, como costuma ser toda repaginação de quem veste Daslu, a honesta Daslu, de conhecido enunciado anticomunista), ela roubou um banco, ela é assassina, ela vai fechar as igrejas, ela acabará com a liberdade de imprensa e outros argumentos ainda mais sofisticados como: “eu não fui com a cara dela”.

Por respeito a vocês todos que acho não seriam capazes de acreditar nestas baboseiras, passo a tratar de uma única justificativa que me pareceu racional, apresentada para o voto em Serra: o sucesso do governo Lula, que todos admitem, até mesmo o candidato Serra que subiu na sua garupa em plena propaganda eleitoral gratuita, teria se dado por este continuar o modelo de gestão perfeito e vitorioso do príncipe dos sociólogos Fernando Henrique Cardoso (há longo email na internet defendendo este ponto de vista racional e respeitável), embora este tenha sido escondido sistematicamente das campanhas do PSDB desde que deixou a presidência seguido de um sentimento de alívio nacional e já vai tarde na maioria de corações e mentes, até nos de muitos dos que hoje esquecidos ou arrependidos tentam salvar o seu legado e resolvem votar em seu candidato.

Como sou historiador, e este profissional tem como ofício ir ao passado para justamente olhar o presente de outra perspectiva, vou lançar mão de alguns traços da história do pensamento econômico no Brasil para tentar convencê-los de que no dia 31 de outubro estarão em confronto dois projetos radicalmente diferentes de país, duas maneiras distintas de interpretar e entender a sociedade brasileira, sua história, sua dinâmica econômica e social, formas radicalmente distintas de pensar a inserção do Brasil no capitalismo globalizado, nas relações internacionais, formas distintas de pensar a dinâmica do desenvolvimento e o papel que o Estado e as distintas classes e grupos sociais desempenharão neste processo.

Continue a leitura , assista o vídeo

O poderoso Paulo Preto

O poderoso Paulo Preto - Parte 1

O homem acusado pelo PSDB de dar sumiço em R$ 4 milhões da campanha tucana faz ameaças e passa a ser defendido por Serra

Sérgio Pardellas e Claudio Dantas Sequeira _

Revista Isto É

/ 

PORTAL VERMELHO:

O ex-diretor de engenharia da Dersa, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, acusado de tráfico de influência, desvio de dinheiro público e improbidade administrativa, capitaneou algumas das principais obras do governo de José Serra. Ele foi o responsável pela medição e pagamentos a empreiteiras contratadas para construir o trecho sul do Rodoanel, pela expansão da avenida Jacu-Pêssego e pela reforma na Marginal Tietê.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Cuidado com a possibilidade da volta políticas que podem entregar a biodiversidade pro primeiro que aparecer.

"As questões vitais é que a soberania do Brasil também depende de investimentos estratégicos no mapeamento das riquezas que nós temos, do que pode ser feito para o povo brasileiro em termos de novos medicamentos, novas fontes alimentares, novas fontes de energia. Existem dezenas de sementes oleaginosas do semi-árido que são não-comestíveis, que são muito mais eficientes na produção de óleo do que a mamona, por exemplo, que poderiam ser usadas em projetos de parceria de cooperativa no interior da caatinga do Brasil, para se produzir óleo biocombustível para trator, caminhão, que aliviariam tremendamente os custos da produção alimentar, familiar, nessa região do Brasil.

Isso precisa ser explorado, precisa ser mapeado com investimentos em pesquisa básica, em estudos de genômica funcional dessas plantas, tentar entender porque elas conseguem produzir esses óleos de alto valor energético e tentar transferir isso para a economia do Brasil. Existe toda uma economia que pode ser altamente sustentável, que pode preservar muito melhor o ambiente do que nós estamos fazendo até hoje e que pode servir de retorno em empregos e conhecimento que ampliariam ainda mais a matriz renovável energética brasileira.

Então, são coisas que estão na nossa cara e que eu acho que só uma política voltada para o Brasil, uma política que dê continuidade ao que o presidente Lula iniciou nestes oito anos, vai ter condições de manter dentro do Brasil. Porque existem evidentemente interesses enormes nessas riquezas nacionais, existe um interesse enorme nos cérebros brasileiros que estão desenvolvendo essas ideias e nós temos que manter isso de uma maneira agregada ao Brasil e não simplesmente dar isso de mão beijada para o primeiro que bater na porta com uma oferta ridícula de privatização ou da venda de nosso patrimônio intelectual para fora do Brasil."

A íntegra da entrevista está em Vi o Mundo

segue abaixo a introdução de Azenha:
Miguel Nicolelis recebe outro prêmio científico dos Institutos Nacionais de Saúde dos E.U.A.
Dois meses depois de ter recebido dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos US$2,5 milhões para investir em suas pesquisas no campo da interface cérebro-máquina, Miguel Nicolelis volta a ser distinguido com um prêmio de aproximadamente US$4 milhões da mesma instituição. Os recursos devem ser aplicados no desenvolvimento da nova terapia para o mal de Parkinson que vem mobilizando o pesquisador há alguns anos e que, na avaliação dos NIH, se constitui numa pesquisa “arrojada, criativa e de alto impacto”. Miguel Nicolelis é a primeira pessoa a receber da instituição americana no mesmo ano o Director’s Pioneer Award e o Director’s Transformative R01 Award.
*****
Hoje liguei para a Universidade de Duke, nos Estados Unidos, quando soube por e-mail que Nicolelis tinha decidido anunciar publicamente seu apoio à candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff.
Ele afirmou que faz isso por acreditar que Dilma representa um projeto de país em linha com o que acredita ser desejável para o Brasil: o desenvolvimento de uma “ciência tropical” e de um conhecimento voltado para garantir a soberania nacional. O áudio e a transcrição aparecem abaixo: (na íntegra)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ex marido de Dilma fala a O Globo


Entrevista de  O Globo
Ex-marido de Dilma fala sobre temperamento forte e faz elogios à candidata do PT


'Em casa nunca teve murro na mesa'
O advogado Carlos Araújo, de 72 anos, é só elogios à ex-mulher, Dilma Rousseff; inclusive sobre seu temperamento forte

ENTREVISTA com Carlos Araújo

PORTO ALEGRE - No casarão às margens do lago Guaíba, em Porto Alegre, as únicas reminiscências dos tempos de militância e da luta armada do casal Vanda e Max são quadros na parede com fotos do comunista Mao Tsé-Tung. A casa foi dividida pelos dois por 30 anos. Hoje, está tomada por fotos da filha dos dois, Paula, e pilhas de cartazes de propaganda da campanha da agora ex-mulher de Max, que, na verdade, se chama Carlos Araújo: Dilma Rousseff, a Vanda.
A rotina do advogado de 72 anos, que se levanta às 3h para ir ao escritório, onde defende causas de operários, em nada se parece com o glamour da vida de Dilma em Brasília. De hábitos simples, Carlos sofre de enfisema.
Vive acompanhado de dois cachorros e, atualmente, da ex-sogra, dona Dilma Jane, e de uma tia da candidata, dona Arilda. Apesar do tubo de oxigênio na sala e da proibição de fumar, não foi desautorizado pelos médicos a tomar uma cervejinha diária, “não muito gelada”.
Há dez dias, ele relembrou sua história com a ex-mulher, que acompanha da sala com dois telões de LCD — um para o noticiário e outro para os jogos de futebol.
Carlos diz que não ajuda na campanha por causa da doença, que o impede de suportar o clima seco de Brasília. A última vez que visitou a ex-mulher foi quando ela teve câncer, no ano passado. Ficou com ela uns 10 dias no início do tratamento. Em setembro, voltaram a se encontrar, quando ela esteve no Rio Grande do Sul: — Não faço nada na campanha. Gostaria muito de estar em Brasília, na retaguarda, ajudando em algo. Mas não posso.
Após a separação, no fim da década de 90, Dilma comprou um apartamento no mesmo bairro para que os dois continuassem próximos, por causa de Paula. Dilma não se casou novamente.
Carlos tem uma namorada, que diz dar-se muito bem com Dilma.
— Presidente tem essa coisa da primeira-dama. Se um dia a Dilma precisar, estarei a seu lado — diz Carlos.
Viveram 30 anos juntos e até hoje Carlos tem admiração inequívoca pela ex-mulher. O temperamento forte dela não é negado por ele. Mas “aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa”, diz ele sobre a fama da ex-ministra em Brasília. Em entrevista ao GLOBO, Carlos relembra o passado e diz acreditar na vitória de Dilma.

Maria Lima e João Guedes, PORTO ALEGRE

Quando e onde o senhor conheceu Dilma?  
CARLOS ARAÚJO: Em 1969, no Rio, numa reunião. Ela era da Colina, e meu grupo não tinha nome. Com a fusão, virou o Var-Palmares. Ela tinha 19 anos e eu, 30. Na segunda reunião, já estava apaixonado. Um mês após, estávamos morando juntos.
Ela era linda, um espetáculo! Esse negócio que falam de amor à primeira vista, né?

O que mais chamou sua atenção em Dilma?
CARLOS: Ela ser tão jovem e tão entregue à luta política.
Uma inteligência muito forte e pujante. E sua beleza.

Que música marcou a relação?
CARLOS: Rita, do Chico Buarque.
Namorávamos, às vezes, no apartamento em que a gente ia, mas a gente não podia ficar por questão de segurança. Namorávamos em praças, bairros mais retirados. De vez em quando ali por Ipanema, Jardim de Alá.

Mas ela já era casada (com Claudio Galeno Linhares)...
CARLOS: Mas só formalmente, o casamento já estava se desfazendo, não conviviam mais, viviam foragidos.
Quando nos conhecemos, ela falou para o marido que íamos viver juntos. Eu e o marido dela ficamos amigos, militamos juntos. Ele foi para o exterior, se casou, teve filhos. Em 76, voltou e veio morar na minha casa. Eu o abriguei por um bom tempo.

Moraram os três nesta casa?
CARLOS: Eu e Dilma morávamos aqui. Ele veio com a mulher e os filhos.

Não tinha ciúmes?
CARLOS: Podia ter ciúmes de outra situação, não dele, cada um já tinha seu rumo. Sou um bom ex-marido. Falo bem da Dilma, não é? Não falo mal.

Nesses 30 anos de convivência, em que momentos ela era mais brava e mais delicada?
CARLOS: Não existe pessoa mais ou menos brava. Dilma sempre teve temperamento forte, é da personalidade dela. O que tirava ela do sério era deslealdade, falta de companheirismo, a pessoa não ter palavra, dar bola nas costas. Não sei como ela faz lá (em Brasília). Aqui em casa nunca teve esse negócio de dar murro na mesa.

Quem mandava na casa?
CARLOS: Nossos parâmetros não eram esses, de quem manda, não manda. Éramos companheiros.
Não era nosso estilo um mandar no outro. Foi uma bela convivência. Tivemos uma vida boa juntos, tenho recordação boa, não é saudade.

Como foram as prisões?
CARLOS: A dela foi em São Paulo.
Ela foi presa sete meses antes de mim. Eu estava no Rio.

Como ficou sabendo?
CARLOS: Quando ela foi presa, a primeira coisa que fiquei sabendo foi seu nome verdadeiro, que não sabia durante o ano que vivemos juntos. Naquele tempo, eles publicavam o nome, de onde era, filho de quem, logo em seguida. Soube que ela se chamava Dilma porque vi lá: filha de fulano, mineira. Até então, a única coisa que sabia dela era que era mineira. Pela regra de segurança, ninguém sabia nada de ninguém. Ela também não, sabia que eu era Carlos.

Se encontraram na prisão?
CARLOS: Fui para São Paulo.
Antes, ficamos incomunicáveis.
Era uma loucura! Tinha cartazes nas ruas, aeroportos, rodoviárias, com nossos nomes e foto escrito “procurados”. Depois que fui preso, passei por um lugar por onde ela já tinha passado, na Rua Tutoia, na tortura.
Depois fui para o Dops e para o presídio. Ela já estava no presídio, mas não nos vimos. Três meses depois, ia ser transferido para o Rio, me botaram num camburão e eu vi, de longe, que ela estava no outro camburão.
Íamos ser ouvidos no Rio e fomos para a frente do juiz. Nos abraçamos rapidamente e logo nos separaram. E só fomos nos ver de novo um ano depois, no presídio de Tiradentes, em São Paulo, onde tínhamos direito a receber visita da família juntos.

Três anos depois ela foi solta e o senhor não...
CARLOS: Sim. Ela foi a Minas, visitar os pais e veio morar nesta casa, com meus pais. Depois que fui solto, moramos juntos 30 anos.

O senhor foi para o presídio da Ilha da Pólvora..
CARLOS: Eu ficava na prisão e ela aqui. Não dava para fugir de lá, era uma ilha pequena. A gente não ficava na casa da pólvora. Só à noite. A prisão era a ilha.

Naquele momento, achava que ela ia chegar tão longe?
CARLOS: Ninguém achava, né? Não fazia parte dos projetos: ah, quero ser presidente! Não tinha ambição nenhuma. Ela queria se formar em economia e fazer política.
(Quando Lula a escolheu) Acho que ela estava no lugar certo na hora certa. E o Lula escolheu muito bem. Que presidente pode contar com uma pessoa como a Dilma, confiar cegamente que não vai ter bola nas costas? Ela tem o sentimento profundo da lealdade.

Foi difícil para ela passar por essa transformação? Plástica, cabelo, voz...
CARLOS: Não foi nenhum sacrifício.
Fui até enfermeiro dela quando fez a plástica. Dilma nunca se preparou para ser presidente e teve que encarar. A plástica foi bem, não foi aquela coisa exagerada, ela assimilou bem, acho que gostou.

E o guarda-roupa, o senhor acha que melhorou?
CARLOS: Está bom. Melhorou.
Antigamente, a Dilma era como eu. Sou atirado nas cordas. Ela também era meio atiradona mas, depois de um certo momento, ela tomou gosto. Gostou de se pintar. Gostou de se arrumar bem, de ir no cabeleireiro toda a semana, fazer as unhas.

O senhor é confidente dela?
CARLOS: Não. Sou amigo. Minha vida com a Dilma é uma vida não-política. Quando o Lula acenou para ela, ela veio conversar comigo e Paula. O que vocês acham? Ela não tinha dúvida, queria conversar. Disse que estava em condições, que ia se preparar da melhor forma possível.
Não titubeou, nem tinha receio.
Pelo menos, não revelou.
Aí veio a doença...

CARLOS: Nos pegou desprevenidos.
Quando ela falou a primeira vez, ficamos muito emocionados, sensibilizados, preocupados.
Mas ela disse: tudo indica que é benigno. Ela disse que tudo indicava que não era maligno, mas sentia energia de enfrentar a situação mesmo que fosse o pior. A gente só pensou em dar carinho e ser solidário.

Temeram pela campanha?
CARLOS: Não. Mesmo porque quando vieram os resultados, que era benigno, que era curável rapidamente, com equipe de bons médicos... Não era maligno.
Ela fez quimioterapia para cortar aquele quisto, para não se tornar maligno.

O que o senhor sente ao ver na internet que a Dilma é uma perigosa ex-terrorista?
CARLOS: É a baixaria dos que apoiavam a ditadura para prejudicá-la, para ganhar no tapetão.
O que ela tem de perigosa? A Dilma nunca pegou em armas.
Não era o setor dela.

E qual era o setor dela?
CARLOS: Era o mais político, de organizar movimentos, preparar o pessoal, fazer propaganda.
Desde quando pegar em armas é terrorismo? A gente tem orgulho do que viveu, era uma jovem corajosa, desprendida, entregando sua juventude, sua dor. Foi para a luta achando que ia morrer.
Muita coisa que fizemos foi equivocado politicamente, tudo bem. Mas isso é outra coisa.



(do Luis Nassif Online)

sábado, 9 de outubro de 2010

O QUE A VEJA DISSE ONTEM ELA DESDIZ HOJE - E O QUE ELA DIZ NÃO TEM CREDIBILIDADE HÁ MUITO.


"NÓS FIZEMOS ABORTO"

Mulheres de três gerações enfrentam a lei, o medo
e o preconceito e revelam suas experiências

- Andréa Barros, Angélica Santa Cruz e Neuza Sanches

ELAS RESOLVERAM FALAR. Quebrando o muro de silêncio que sempre cercou o aborto, oito dezenas de mulheres procuradas por VEJA decidiram contar como aconteceu, quando, por quê. Falaram atrizes, cantoras, intelectuais mas também operárias, domésticas, donas de casa. Falaram de angústia, de culpa, de dor e de solidão. Também falaram de clínicas mal equipadas, de médicos sem escrúpulos, de enfermeiras sem preparo, de maridos e namorados ausentes. A apresentadora Hebe Camargo contou que, quando era uma jovem de 18 anos, ficou grávida do primeiro namorado e foi parar nas mãos de uma curiosa que fez a cirurgia sem anestesia nem cuidado. A atriz Aracy Balabanian, a Cassandra do Sai de Baixo, ficou grávida quando estava chegando aos 40 anos e dando fim a um longo relacionamento. Resolveu fazer o aborto, convencida de que a criança não teria um bom pai nem ela seria capaz de criá-la sozinha. Metalúrgica da Força Sindical, a mineira Nair Goulart, 45 anos, fez dois abortos nos anos 70 por motivos econômicos. Ela e o marido, também operário, ganhavam pouco, viviam num quarto de despejo e não teriam meios de educar nenhum filho.

Quando o Congresso brasileiro debate a regulamentação de uma legislação que autoriza a realização de aborto apenas em caso de estupro e de risco de vida para a mãe como está previsto no Código Penal desde 1940 , a disposição das mulheres que falaram a VEJA não é apenas oportuna, mas também corajosa. Embora o 1º Tribunal do Júri de São Paulo, o maior do país, já tenha completado mais de uma década sem condenar nenhuma mulher em função do aborto, a legislação estabelece para esses casos penas que vão de um a três anos de prisão. E a maioria delas não fez aborto pelos motivos previstos em lei, mas porque, cada uma em seu momento, cada uma com sua história pessoal, considerou as circunstâncias e concluiu que interromper a gravidez era uma saída menos dolorosa do que ter um filho que não poderia criar.
(Leia a íntegra)

VAMOS VER... AQUI  O MAPA DA SITUAÇÃO DO ABORTO NO MUNDO. ESTAMOS NA COR VERMELHA, ONDE SE VE APENAS ALGUNS PAÍSES DA ÁFRICA E DA AMÉRICA CENTRAL. UMA POSIÇÃO DISSONANTE DO MUNDO.

BRASIL NUNCA MAIS

BRASIL NUNCA MAIS
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