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terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Importante exposição: a pobreza é criada pela política


Tereza Campelo, obrigada por esta entrevista. Mercadante, obrigada por trazer a Tereza Campelo e sua lucidez para explicar de forma tão didática o significado da atenção social e as consequências de sua negação.
"... tres meses que a criança fique comendo mal já é suficiente para deixá-la subnutrida... Você passa anos depois para recuperar"
"o Golpe devolve o Brasil ao mapa da Fome, confirma o IBGE de 2017" 
"A Pobreza é uma decorrência da Política." 
"Em dois anos de golpe a pobreza voltou" "A desnutrição voltou a crescer, assim como, infelizmente, o desemprego, os índices de mortalidade infantil..."
"Colocamos 1 milhão e duzentas mil cisternas no Nordeste!"
"Luz para todos para 4 milhões de famílias..." 
"O Bolsa Família melhorou todos os níveis de escolaridade... Haverá piora em todos os indicadores... "
"A agenda do combate à Fome, a ideia de colocar o pobre na agenda... não existe como um País dar certo com metade da população excluída" 
"Tem estudos mostrando numa das maiores revistas de medicina do mundo, mostrando que o Bolsa Família teve impacto na redução do suicídio das mulheres!... Também diminuiu a incidência de hanseníase, de tuberculose... no crescimento das crianças..." 
"Desmonte dos Direitos dos trabalhadores: os fundos do Ministério do Trabalho vão para o Ministério da Economia, a parte Sindical (absurdo!) vai para o Ministério da Justiça"


Tereza Campelo foi Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Onde estão os verdadeiros liberais brasileiros?

O silêncio dos liberais: raízes da vergonha brasileira

Cabe às ruas civilizar o mercado e as elites, a ponto de tornar a memória de Sobral Pinto algo mais que uma lápide extravagante no cemitério liberal.

Saul Leblon, Editorial Carta Maior

O que se busca caracterizar hoje no Brasil com a palavra golpe é na verdade um retrocesso equivalente a um ciclo de ‘des-emancipação social’. Sua abrangência e brutalidade correspondem a uma ruptura do pacto da sociedade sem consulta-la, o que dificilmente se completará sem atingir o núcleo duro das garantias individuais, as liberdades civis e os direitos políticos. Diante da escalada temerária, constrange o silencio daqueles que, ideologicamente, avocam-se a filiação ao republicanismo, à independência de poderes, a isonomia diante da lei e o respeito ao sufrágio universal.
Na devastação de um país trincado pela ofensiva conservadora, submetido a um dispositivo midiático que se aliou a milícias  de procuradores e caçadores de cabeças vermelhas, faz falta a voz e a coragem da defesa liberal da Constituição e do Estado de Direito.

Onde estão os verdadeiros liberais brasileiros?
Resulta inútil a busca no ambiente acoelhado das togas que se esgueiram na Suprema Corte.
Ou nos corredores da adesão grosseira do liberalismo acadêmico ao golpe.
Desse deserto avulta a memória de um grande advogado brasileiro, conservador nos costumes, mas ferrenho defensor dos direitos individuais, por isso escudeiro lendário dos perseguidos pelo autoritarismo de qualquer matiz.
A falta que faz um Sobral Pinto no Brasil do golpe de 31 de agosto de 2016 está pesada e medida na sua biografia.
Em abril de 1984, em discurso diante de um milhão de pessoas no comício das Diretas, na Candelária, a voz nonagenária levou a multidão ao delírio ao afirmar aquilo que hoje nenhuma toga pranteada tem o desassombro de repetir:
‘Quero falar à nação brasileira, através desta multidão de um milhão de conterrâneos. Nós queremos que se restaure no Brasil o preceito do artigo primeiro, parágrafo primeiro da Constituição Federal: ‘Todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido’. Esta é a minha mensagem; este é o meu desejo; este é o meu propósito’.   
Não foi um casamento da conveniência com a oportunidade.
Heráclito Fontoura Sobral Pinto, jurista, advogado mineiro, conhecido como “Senhor Justiça”, ‘o homem que não tinha preço’  –porque nunca cobrou honorários de quase trezentos presos políticos que defendeu, entre eles Carlos Prestes, Arraes, Juscelino etc– jamais tolerou golpes e ditaduras.
Sobral não cobrava causas que envolvessem a defesa das liberdades democráticas.
Como advogado e liberal, considerava seu dever opor-se à violação da  Constituição.
Crítico do materialismo comunista (foi um dos fundadores da Pontifícia Universidade Católica, a PUC), chegou a manifestar simpatia pelo golpe de 1964.
Rapidamente corrigiu-se.
Uma semana após a derrubada de Jango, entendeu que a justificativa liberal do movimento era uma farsa.
E diante da farsa, não contemporizou. Escreveria então uma carta famosa ao ditador, general Castelo Branco:
‘Sinto-me no dever de comunicar (…) que os argumentos ora invocados para combater o comunismo foram os mesmos que Mussolini invocou na Itália em 1922 e que Hitler invocou em 1934 na Alemanha. (…) Vivo da advocacia, pela advocacia e, para a advocacia, por entre dificuldades financeiras e profissionais que só Deus conhece. Só tenho uma arma, senhor presidente: a minha palavra franca, leal e indomável’ (9 de abril de 1964).
Era assim o liberal a quem os generais consideravam mais difícil calar do que ao Congresso
Sobral foi o primeiro a utilizar a palavra ‘ditadura’ contra o regime.
Detido em 1969 no AI-5, passou a defender presos políticos, sendo lendária a altivez de sua presença em tribunais militares, a acusar o regime de exceção, dedo em riste em direção aos juízes fardados.
Aos pedidos de tolerância para as ‘inovações democráticas’ introduzidas na Constituição pelos juristas da ditadura, o velho  liberal reservava respostas demolidoras.
Vivo fosse, como reagiria Sobral ao entendimento recente da Corte Especial do Tribunal Regional Federa (SC,PR,RS), que isentou o juiz Sergio Moro em violações flagrantes da Lava jato –‘ porque uma operação especial não precisa seguir as regras dos processos comuns’, disseram os magistrados.
O velho jurista provavelmente dispararia seu canhão liberal autentico e indignado. Exatamente como fez diante de considerações equivalentes da ditadura em 1968: ‘Senhores, existe peru à brasileira, mas não democracia à brasileira. A democracia é universal, sem adjetivos’.
Sobral morreu em 1991.
Os liberais que hoje se oferecem à barganha com a história, colocando no plano secundário convicções inegociáveis do bravo jurista, não apenas silenciam diante da violação do artigo primeiro, parágrafo primeiro da Constituição Federal.
Vão muito além disso.
Endossam o ataque maciço, esférico, abusado –perverso em um quadro de recessão brutal– a vários outros direitos consagrados na Carta de 1988, engrossando um processo de ‘des-emancipação’ social de consequências imponderáveis.
A intolerância aos direitos sociais não é estranha à gênese do liberalismo.
De certa forma, o que se assiste hoje no Brasil é a viagem de volta ao cuore liberal reinante no ventre do capitalismo selvagem dos séculos XVIII e XIX.
O termo ‘des-emancipação’, cunhado pelo filósofo marxista italiano, Domenico Losurdo, no seu  livro ‘Contra-História do Liberalismo’, descreve o moedor de carne humana em ação nesses tempos pioneiros.
Mais que negar novos direitos, o que ressalta do bordão liberal nas sociedades inglesa, norte-americana e francesa é a determinação de ‘des-emancipar’.
Ou seja, devolver ao absoluto desamparo a parcela majoritária da sociedade privada dos meios pelos quais se reproduziam as relações de poder e produção no capitalismo.
É disso também que se trata no caso das reformas trabalhista e previdenciária anunciadas pelo golpe no Brasil. O mesmo se pode dizer das consequências da PEC 241 no acesso a direitos públicos essenciais  –a escola e a saúde, entre  outros.
O conjunto requer uma ruptura de ciclo histórico para se instalar. Mais que um golpe parlamentar, o regime da ‘des-emacipação ‘ no Brasil do século XXI exige a fascistização dos instrumentos de Estado.
A escalada policial de um Ministério Público e de um juiz que assombram a cidadania brasileira ao subordinarem o Estado de Direito a conveniências pessoais e partidárias ilustra o calibre da espiral em marcha. Ou não será disso que se trata quando, há uma semana das eleições o ministro da Justiça do golpe, o notório direitista radical do PSDB, Alexandre Moraes anuncia em campanha novas ações trepidantes da Lava  Jato e nesta segunda feira, o juiz Sergio Moro o confirma, prendendo o ex-ministro Palocci?
O ajuste de contas partidário, que não disfarça mais seu propósito seletivo, choca o ovo do arbítrio sob o manto virtuoso do combate à corrupção.
A sigla política que o conservadorismo não conseguiu vencer em quatro eleições presidenciais –e pela qual teme ser derrotado num quinto escrutínio, está sendo dizimada aos olhos da sociedade por um torniquete de interesses que enlaça, à desforra da plutocracia e dos derrotados de 2014, o ‘ajuste de mercado’ e o ‘messianismo jurídico’.
Quem irá detê-los?
O silêncio dos liberais autênticos sobrecarrega a tarefa que é sobretudo da rua.
Mais que o silêncio, o endosso mudo ou ‘técnico’ inocula na sociedade a anestesiante ampola da naturalização de uma ruptura que imobiliza e subjuga.
O decano da Suprema Corte do país apressou-se na semana passada em abençoar a prisão do ex-ministro Guido Mantega, realizada por força policial em um hospital onde o economista acompanhava a esposa, pre-sedada para uma cirurgia contra o câncer (leia a repulsa dos intelectuais de esquerda ao arbítrio)
Diante do repúdio generalizado, Sergio Moro recuou expondo a motivação eleitoreira de seu gesto.
Mas o burocrata de toga já havia sancionado o exibicionismo autoritário lendo trechos convenientes da legislação.
Não faiscou ali um grão da dignidade desassombrada de Heráclito Sobral Pinto.
Não teve a coragem, a altivez do velho jurista para arguir uma prisão escorada em motivação indigente: a declaração do empresário Eike Batista ao MP, de que atendera, ‘com recursos próprios’, a uma solicitação do ex-ministro de contribuição eleitoral ao PT  — isonômica, afirmou, conforme uma diretriz de doar ao PT, PSDB, Cristovam Buarque…
Disso tudo Moro pinçou a oportunidade de capturar Mantega em um hospital.
E o ‘liberal’ da Suprema Corte a tudo endossou.
Esse, de qualquer forma, não é um roteiro de duelo entre bons e maus; entre togas acoelhadas  e liberais autênticos.
O pano fundo que move as peças –e as define pela cumplicidade ou a resistência–  são as ressurgências dos instintos primais do poder econômico, num ciclo global em que o sistema todo passou dos limites e arrasta junto os fracos e os desprovidos de grandeza.
A ordem econômica mundial atravessou o Rubicão e não dá mostras de se autorregenerar como os mercados esperam de si mesmos.
Ao contrário.
Sinais de uma resiliência incurável, que a mídia local minimizou o quanto pode na determinação de afirmar a centralidade do ‘desgoverno’ petista, irrompem de todas as latitudes.
Os bancos centrais já injetaram cerca de U$S 10 trilhões nos mercados financeiros desde 2008, quando tudo começou.
Dinheiro destinado à aquisição de ‘papeis podres’, inflados na farra especulativa e  que agora murcham em linha com a anemia global.
Uma epidemia de juros negativos varre o planeta.
A tentativa de firmar as pernas bambas dos mercados financeiros com liquidez ilimitada engessou US$ 14 trilhões investidos em títulos públicos a taxas de retorno zero ou negativas.
Inútil.
As bolsas borbulham, mas antes de ser a recuperação é o aviso da maleita: são as empresas que recompram as próprias ações com o dinheiro grátis fornecidos pelos BCs.
A circularidade estéril rende dividendos à República dos Acionistas, bônus milionários aos diretores.
Zero de emprego.
Não poderia ser diferente.
Um número resume todos os demais: a indústria mundial do aço opera a 60% da capacidade.
A viabilidade siderúrgica exige 80% de uso do potencial instalado.
Não há demanda capaz de promover esse estirão.
Não é só uma conta de chegar.
Algumas coisas se perderam para sempre, dos anos 70 para cá.
O chão estrutural da demanda e do investimento capitalista  foi comprometido nos quarenta anos antecedentes em que o consenso neoliberal dizimou o emprego e o salário de qualidade.
Os maiores parques industriais do capitalismo –mas também fatias dos emergentes–  foram deslocados para o baixo custo asiático, em espécie ou através das importações de manufaturados (caso do Brasil).
Pior: a vertigem do Estado mínimo suprimiu o arsenal público que assegurava a manutenção da taxa de investimento na economia (financiamento e grandes obras).
Delegou-se à supremacia financeira a centralidade da acumulação. O desenvolvimento, a democracia, a política e demais instancias da sociedade –inclusive a subjetividade do nosso tempo, foram subordinados aos desígnios dos mercados sem lei.
Nos EUA, a classe média foi esfarelada e vive a sua pior situação econômica em 30 anos.
O poder de compra das famílias assalariadas da maior nação capitalista da terra está abaixo do nível pré-crise e mais aquém do pico de 1999.
A fatia dos salários na renda dos EUA é 5% inferior a do início do século.
Estamos falando propositalmente da economia que reuniria os sinais mais encorajadores  da ‘retomada’ diuturnamente anunciada e frustrada.
A estagnação evidencia a falta que faz tudo o que a democracia e o Estado cederam ao mercado nesse período.  
É nesse deserto que o conservadorismo brasileiro irrompe para golpear a democracia e reproduzir aqui receita que estrebucha no planeta.
A saber: escalpelar direitos e degradar relações de trabalho e assim maximizar a taxa de exploração do plantel em uso, já que não há espaço para incorporar novos contingentes à extração do suor.
A expressão ‘trabalho-livre’ nessas condições, diz Losurdo referindo-se às balizas liberais que ordenaram a exploração da mão de obra nos séculos XVIII e XIX, soa como um oxímoro.
O filósofo italiano recapitula o esforço épico dos destituídos para civilizar essa relação social fundada em interesses díspares, na qual a luta pela democracia social será sempre inconclusa e instável, defrontando-se regulamente com os limites da costura estrutural que a contradiz e repele.
Sem organização permanente, impossível reter conquistas, resistir ao assalto, avançar em direção a novos direitos.
É esse o maior flanco brasileiro evidenciado pela crise e o golpe.
O vazio abriu as porteiras à regressão liberal desavergonhada.
Losurdo chama a atenção para a flexibilidade das ideias diante do cinzel da história.
Originalmente a serviço da revogação da cidadania, posteriormente o liberalismo se adaptaria aos avanços sociais sólidos, como aconteceu nos anos de ouro do Estado do Bem-Estar Social, no pós-guerra europeu.
O elástico, porém, nunca rompeu o vínculo com a  origem .
O retorno ao estado bruto agora no Brasil confirma essa resiliência de cepa ao eleger um marco histórico a retroceder: a Carta emancipadora de 1988. E a ferramenta política a aniquilar: a sigla que, tendo feito ressalvas ao resultado da Constituinte de 1988, tornou-se o seu principal esteio ao chegar ao governo.
No livro de leitura pedagógica para entender os dias que correm, e os liberais que se agacham, Losurdo descreve  episódios históricos de ‘des-emancipação’ promovidos  pela retroescavadeira liberal que agora serve ao golpe no Brasil
Liberais do início do século XVIII, como Defoe e Benthan, viam com simpatia as workhouses erguidas em Bristol, por exemplo.
Essas penitenciárias dissimuladas compunham uma espécie de conjunção do regime escravo com o da liberdade.
Funcionavam para o capitalismo em fraldas como um almoxarifado do exército industrial de reserva, ademais de limparem as ruas das sobras das ‘classes infelizes’, livrando-as dos pobres, os bêbados, os pedintes, os desocupados e suas famílias.
Seriam necessários mais dois séculos, porém, para um candidato a prefeito no Brasil –um liberal— explicitar a intolerância gástrica à pobreza que enoja e causa vômito às sensibilidades superiores.
Como se vê, a seta do tempo não se quebrou. Mais recentemente, um novo choque de eficiência no capitalismo inglês de Thatcher e Cameron individualizaria as ‘casas de trabalho, desobrigando-se o poder público das despesas com alimentação e vigilância.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Cabeças Erguidas e Mente Alerta


È preciso ter clareza sobre os interesses que movem o poder econômico e a cobiça sobre nosso território. Estão sempre à espreita e, quando ajudados por inimigos internos, dão de comer à serpente. Estejamos sempre alertas e com a cabeça erguida. Não reconhecemos nenhum império do mundo.
Uma aula para entender que "Nuestro Norte Es El Sur", nas intervenções de Cristina Kirchner e de Raúl Castro em La Cumbre de las Américas, 11 de abril de 2015

A Presidenta Cristina Kirchner faz um discurso inesquecível
em nome de todos nós sulamericanos



Raul Castro fala pela primeira vez na Cumbre de Las Americas    
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terça-feira, 29 de março de 2016

Brasil sob ataque de “Guerra Híbrida”

São informações importantes para entender o que se passa em nossa volta.  Não é teoria da conspiração, a conspiração vem trazendo muitos prejuízos ao Brasil. Nós podemos vencer estes desafios. O autor é Pepe Escobar, que dispensa apresentação. Leiam:
Brasil e Rússia sob ataque de “Guerra Híbrida”[1]
“Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhalada
Não bordaram ainda com desenhos finos
A trama vã de nossos míseros destinos,
É que nossa alma arriscou pouco ou quase nada.”
As flores do mal [1857], Charles Baudelaire

28/3/2016, Pepe Escobar, RT
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Revoluções Coloridas nunca bastariam. O Excepcionalistão vive à procura de grandes atualizações de estratégia capazes de garantir a hegemonia perpétua do Império do Caos.
A matriz ideológica e o modus operandi das revoluções coloridas já são, hoje, assunto de domínio público. Mas não, ainda, o conceito de Guerra Não Convencional (GNC) [orig. Unconventional War (UW).
Essa guerra não convencional apareceu explicada no manual das Forças Especiais para Guerra Não Convencional dos EUA, em 2010. O parágrafo chave é:
“1-1. A intenção dos esforços de GNC dos EUA é explorar vulnerabilidades políticas, militares, econômicos e psicológicos de um poder hostil, mediante o desenvolvimento e sustentação de forças de resistência, para alcançar os objetivos estratégicos dos EUA. (…) Para o futuro previsível, as forças dos EUA se engajarão predominantemente em operações de guerra irregular”
“Hostil” não se aplica apenas a potências militares; qualquer estado que se atreva a desafiar alguma trampa importante para a “ordem” mundial Washington-cêntrica – do Sudão à Argentina –, pode ser declarado “hostil”.
Hoje, as ligações perigosas entre Revoluções Coloridas e Guerra Não Convencional já desabrocharam, como Guerra Híbrida: caso pervertido de Flores do Mal. Uma ‘revolução colorida’ é apenas o primeiro estágio do que, adiante, será convertido em Guerra Híbrida. E Guerra Híbrida pode ser interpretada, na essência, como a teoria-do-caos armada – paixão conceitual dos militares dos EUA (“política é a continuação da guerra por meios linguísticos”). No fundo, meu livro de 2014, Empire of Chaos rastreia as miríades de manifestações desse conceito.
Os detalhados e bem construídos argumentos [de Andrew Koribko, um dos capítulos já traduzidos, e outros em tradução (NTs)] dessa tese em três partes esclarece perfeitamente o objetivo central por trás de uma grande Guerra Híbrida:
“O grande objetivo por trás de toda e qualquer Guerra Híbrida é esfacelar projetos multipolares transnacionais conectivos, mediante conflitos de identidade provocados de fora para dentro (étnicos, religiosos, regionais, políticos, etc.), dentro de um estado de trânsito tomado como alvo.”
Os BRICS – palavra/conceito de péssima reputação em Washington e no Eixo de Wall Street – teriam de ser os alvos preferenciais de Guerra Híbrida. Por incontáveis razões, dentre as quais: o movimento na direção de comerciar e negociar em suas próprias respectivas moedas, deixando de lado o dólar norte-americano; a criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS; o confessado interesse na direção da integração da Eurásia, simbolizada pelos projetos: Novas Rotas da Seda – ou, na terminologia oficial, Um Cinturão, uma Estrada [ing. One Belt, One Road (OBOR)] liderados pela China; e União Econômica Eurasiana (UEE) liderada pela Rússia.
Implica que a Guerra Híbrida mais cedo ou mais tarde atingirá a Ásia Central: o Quirguistão é candidato ideal a laboratório primário para experimentos tipo revolução colorida, do Excepcionalistão.
No estado em que estamos hoje, a Guerra Híbrida está muito ativa nas fronteiras ocidentais da Rússia (Ucrânia) mas ainda é embrionária em Xinjiang, no extremo oeste da China, que Pequim microadministra como falcão. A Guerra Híbrida também já está sendo aplicada para impedir um gambito crucial do Oleogasodutostão: a construção do Ramo Turco. E também será acionada de pleno para interromper a Rota da Seda dos Bálcãs – essencial para os negócios/comércio da China com a Europa Ocidental.
Dado que os BRICS são o único real contrapoder ante o Excepcionalistão, foi preciso desenvolver uma estratégia para cada um dos principais atores. Jogaram tudo contra a Rússia – de sanções à mais total demonização; de ataque contra a moeda russa até uma guerra dos preços do petróleo, que incluiu até algumas (patéticas) tentativas de iniciar uma revolução colorida nas ruas de Moscou.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Sim, declaremos guerra à manipulação midiática

Um dia 4 de fevereiro como hoje...

Por Beto Almeida
Um dia 4 de fevereiro como hoje, há 24 anos, um movimento militar revolucionário, lançava um relâmpago que iluminou toda a Venezuela imersa na noite trágica do neoliberalismo mais selvagem, da entrega criminosa de sua maior riqueza a preço vil, o petróleo, e acordou um povo para a criatividade da política revolucionária, desenterrando dialeticamente a Bolívar e seus ideais transformadores. Este movimento revolucionário tinha um líder que sintetizava em sua cara meio índia, meio negra, o DNA de um povo que precisava de nova convocatória, atualizando o bolivarianismo para esgrimi-lo tal como a espada de Bolívar para as tarefas do mundo de hoje, quando a humanidade e seu sentido histórico civilizatório estão em confrontação crescente e insanável com o imperialismo,


Hugo Chávez revivia, naquele dia 4  de Fevereiro de 1992, um Bolívar atualizado pelas lições da Revolução Cubana, pelas marcas inapagáveis da trajetória de Guevara, de Fidel, de Raul, de Sandino, de Farabundo Marti, de Pancho Villa e Zapata. Mas, sem concessões ao sectarismo, este Hugo Chávez revigorava e revitalizava, também, lições do nacionalismo revolucionário, recuperando os esforços transformadores de outros movimentos e governos que, com equipe de militares anti-imperialistas à frente, realizam mudanças de alcances revolucionários. Seja Lázaro Cárdenas, que atualizara e dera continuidade e profundidade à Revolução Mexicana; seja Getúlio Vargas que, em aliança com o movimento tenentista, abriu o caminho para construir a base de um Brasil moderno e mais justo, cujas conquistas são, ainda hoje,  parte central da agenda política  da conjuntura complexa do país, ou seja, o BNDES, a CLT, a Petrobrás, o Programa Nuclear, a Auditoria da Dívida Pública, a Previdência Social, todas estas realizações da Era Vargas. Não por acaso Hugo Chávez confessou publicamente sua grande admiração por Vargas. E também por Peron, que arrancou a Argentina das garras da oligarquia e a transformou em país industrializado e com justiça social, inspirando, para sempre correntes de trabalhadores, jovens e intelectuais, representados por Nestor e Cristina que, em boa medida, vinham recuperando aquela via peronista de antes, mas foram transitoriamente travados pela insuficiente unidade popular em suas próprias filas e pela sabotagem imperial.

Mas, também é necessário referir-se à sintonia que o Movimento Bolivariano 200 encabeçado por Chávez possui com a Revolução Inca, no Peru, liderada pelo General Juan Velasco Alvarado e sua tremenda admiração pelo General Omar Torrijos, que liderou um governo anti-imperialista no Panamá.
O 4 de Fevereiro atualizava na Venezuela todas as agendas transformadoras latino-americanas, preparando seu povo para uma tarefa nobre de construir uma nação independente, soberana, justa e solidária com todos os povos em luta contra o imperialismo.

O método insurreto do 4 de Fevereiro pode ter chocado e até assustado alguns setores da esquerda desatentos para as maneiras inventivas com que os processos revolucionários abrem passagem, sempre surpreendo os escolásticos, os burocratas partidários e sindicais. Por acaso a Revolução dos Cravos em Portugal ou a Revolução Islâmica no Irã também não arrombaram as portas fechadas da história e, da mesma forma, aos que se paralisam em dúvidas diante das novas formas adquiridas pela história para seguir seu passo....

Em 4 de fevereiro de 1992 se organizou uma destemida luta pela recuperação da Dignidade Nacional perdida para os arranjos dominantes pelas velhas oligarquias venezuelanas que. Sob uma capa aparente de formalidades democráticas,  escondia, no essencial, um doloroso rio de sangue em que trabalhadores, jovens, intelectuais perderam a vida para dar convicção aos revolucionários militares, que vinham para ocupar uma lacuna deixada , relativamente, pelos partidos políticos, seja pela repressão a que foram alvo, seja pela burocratização em que alguns segmentos de esquerda também afundaram, especialmente dando margem à formação de uma camarilha sindical antidemocrática, entreguista e , que, mais tarde, se revelaria golpista, contra o próprio Chávez.
 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Os legados de Chávez

Os imprescindíveis legados de Chávez
 
(coluna de Beto Almeida, no Pátria Latina)
Neste dia 5 de março, completam-se 2 anos em que cessou de funcionar o cérebro revolucionário, criativo, generoso e audacioso do Comandante Hugo Chávez, vítima de um ainda mal explicado câncer. Incertezas a parte, há uma certeza: o seu legado continua desafiando não apenas o tempo, mas iluminando caminhos para a unidade dos povos em luta contra o império, fornecendo exemplos de audácia programática e política para a integração latino-americana e semeando lições que se renovam para a formação de novos lutadores sociais dotados de projeto claro para priorizar a participação direta das massas pobres na política, incluindo todos os setores progressistas da sociedade.

Durante seu período à frente da Revolução Bolivariana - que mantém sua fidelidade ao Plano Pátria, por ele escrito - Chávez ofereceu ao mundo uma poderosa lição ao demonstrar, na prática, o papel revolucionário de correntes militares, sempre que conscientes e comprometidas com um programa de libertação nacional, de transformação das velhas estruturas oligárquicas, dependentes do imperialismo, erguidas para esmagar os povos, proibi-los do acesso à cultura, aos bens da ciência e da tecnologia. Como seu próprio exemplo, Hugo Chávez , libertador de si mesmo pela via do compromisso com Bolívar renascido, também libertou as forças armadas da Venezuela da prisão de seguir cumprindo o papel de guardiã dos indefensáveis privilégios do império e da burguesia vassala. Com isso, foi aberto um novo horizonte para que os militares venezuelanos, sejam construtores do futuro, garantidores da integração dos povos, protetores das conquistas sociais que fizeram da Pátria de Bolívar o país que mais igualdade conquistou e que melhor cumpre as Metas do Milênio definidas pela ONU na América Latina.

O papel revolucionário de correntes militares

A unidade cívico-militar é, provavelmente, um dos maiores legados históricos semeados por Chávez, que, com inteligência e criatividade, recuperou outras experiências da história, na qual, a unidade entre militares e povo viabilizou profundas transformações sociais, tais como a Revolução de 30, no Brasil, a Revolução Inca, no Peru, comandada pelo General Alvarado, a Revolução dos Cravos, em Portugal, derrotando a ditadura de Salazar, a Revolução Justicialista do General Peron, na Argentina. Certamente, a resistência da Revolução Bolivariana, assediada permanentemente nestes 15 anos de existência, deve-se, fundamentalmente à união entre militares e povo , onde as forças armadas foram transformadas em instrumento de defesa das transformações sociais, do povo, da Pátria, dos ideais de Bolivar e da construção de uma sociedade socialista.

Chávez , o internacionalista

São muitos os legados de Chávez, por isso é obrigatório usar o plural no título, tão vasta é sua obra e seus exemplos. O Chávez internacionalista, por exemplo, mantém vive na política exterior da Revolução Bolivariana , que busca incessante, permanente, criativa, sem sectarismo, de construção de uma Unidade Anti-Imperialista Mundial. Notável é o papel de Chávez construção de alianças como com a Revolução Iraniana, com a Siria Nacionalista, sua incansável luta para defender a Revolução Líbia, denunciando o sanguinário massacre militar imperial contra o povo líbio e o regime do Coronel Kadafi, ação criminosa apresentada pela mídia imperialista como “Guerra Humanitária”, no que foi apoiada por intelectuais europeus confusos, que chegaram a justificar politicamente uma ocupação militar neocolonial. Chávez não vacilou, apelou ao mundo, apelou ao Conselho de Segurança da ONU, ao seu Secretário-Geral, denunciou o crime que se cometia contra a Líbia, por parte de países que se julgam democráticos e que querem dominar o mundo, como EUA, França, Inglaterra. Kadafi estava propondo a formação de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul, propunha a exclusão do dólar nas operações com petróleo e , também, um novo impulso nas articulações para a cooperação África e América Latina. Essas, fundamentalmente, foram as razões para a sua destruição, sob a falsa bandeira de “guerra humanitária”, uma manipulação denunciada corajosamente pela Telesur, outro legado vivo de Chávez, que revelou-se dos mais brilhantes e criativos comunicadores que o mundo contemporâneo conheceu.

Construtor de nova arquitetura financeira

Nada é mais atual, dentro das obras que Chávez edificou, juntamente com outros dirigentes como Lula, Nestor Kircher, Evo Morales, Rafael Correa etc, do que o Banco do Sul, cuja entrada em operação plena poderá fazer toda a diferença, inclusive porque agora já existe também o Banco dos Brics, cuja criação detonou uma ação odiosa e ilegal do império contra a presidenta Dilma Roussef, incluindo a espionagem sobre seu celular e sobre a Petrobrás. Uma articulação, já anunciada, entre o Banco do Sul e o Banco dos Brics, certamente terá efeitos e desdobramentos internacionais de largo alcance, configurando uma nova situação não apenas monetária, financeira, mas, sobreutdo, geopolítica, reduzindo a incidência das políticas desastrosas do FMI.

Por esse novo desenho no quadro internacional, Chávez batalhou arduamente, era uma chama viva, nunca se apagava. Em Porto Alegre relembrou, tirando do ostracismo, a importantíssima Conferência de Bandung, base para a criação do Movimento dos Não Alinhados, hoje presidido pela heróica Revolução Iraniana, que resistiu a 36 anos de sabotagem imperial e hoje já lança naves tripuladas ao espaço sideral, com tecnologia própria. Era enorme a amizade entre o presidente Mahmud Ahmadinejad e o comandante Chávez, além de sua admiração e respeito pela civilização persa, bem como pela revolução iraniana, o que ser vê de estímulo para que setores da esquerda, ainda resistentes aos vários significados das transformações sociais na nação persa, reflitam sobre aquele fenômeno histórico. A conclusão que Chávez nos trás com seu gesto é que revoluções tanto podem ser engendradas nos quartéis, como nas mesquitas.

Educador político incansável

O Chávez educador político, sempre convocando as novas gerações de revolucionários ao estudo das experiências históricas. Por isso tanto recordava a Peron, como ao Coronel Thomas Sankara, a quem chamava de Guevara Negro, dirigente da Revolução de Burkina Fasso, na África, como também ao coronel Nasser, a Torrijos, e o fazia de forma criativa e estimulante, seja por meio de programas de televisão, de dialogo permanente e ininterrupto com a militância de todos os países, seja promovendo verdadeira revolução editorial na Venezuela em que textos sobre estas experiências foram amplamente difundidos ao povo! Além disso, suas reflexões sobre o internacionalismo revolucionário eram sempre acompanhadas de iniciativas singulares, como, por exemplo, o apoio às massas pobres dos Estados Unidos e da Inglaterra, com petróleo para a calefação de suas moradias durante invernos rigorosos. E , sempre, essas iniciativas eram seguidas de ampla divulgação, comunicador vibrante que era, denunciando, vigorosamente, o desprezo imperial pelos seus próprios povos, apesar de tanto gasto com armamentos e com ações militares contra outros povos.

Chávez, por sua audácia, lucidez e criatividade, provoca, mesmo após sua sembra, um grande pânico nas burguesias latino-americanas, porque ele é a prova de que se pode tanto unir massas exploradas e militares patriotas em torno de um projeto de emancipação nacional, como também se pode erradicar rapidamente o analfabetismo, aplicando o método de alfabetização elaborado pela generosa Revolução Cubana. Demonstrou que uma revolução orçamentária é possível ao fazer aplicação original da renda petroleira, que serve tanto para industrializar o país como para pagar as seculares dívidas sociais consubstanciadas na falta de moradia, de hospitais, de remédios e de cidadania. Hoje, a Venezuela possui o maior salário mínimo da região e uma das mais avançadas leis trabalhistas também, o que, por muito tempo, foi representado pela herança da CLT de Vargas e das leis laborais de Peron, de quem Chávez tinha forte admiração.

Solidariedade

Se a Revolução Bolivariana é atacada, por sabotagens, tentativas de golpe, assassinatos de dirigentes, desabastecimento desorganizado, contrabando estimulado por dentro e por fora do país, campanhas midiáticas terroristas que nunca cessaram, um dia sequer, porque ela é portadora de mandato histórico e coletivo gerado pela persistência, determinação e consciência revolucionárias de Hugo Chávez e seu compromisso com o socialismo! Qualquer presidente que tente avançar em mudanças políticas e sociais democratizantes é logo chamado de “bolivariano”, de “chavista”, como aconteceu com a Presidente Dilma ao propor a reforma política, a convocação de uma Constituinte e de um plebiscito.

quinta-feira, 14 de março de 2013

pão, esperança e dignidade

Recebi o texto do amigo Kim Ir Sen. Uma análise de Emerson Leal, que trás informações de forma concisa sobre a situação da Venezuela. Deleitem-se.
os Estados Unidos parecem destinados pela
Providência a infestar a América de misérias
em nome da Liberdade.(Simón Bolívar)

Chávez, o maior líder latino-americano dos últimos tempos

Emerson Leal*

O povo da Venezuela e todos os povos da nossa América Latina acabam de perder um grande líder – Hugo Chávez! Pena que a morte o tenha levado tão cedo, aos 58 anos. Depois de Bolívar, ninguém mais do que ele, em toda a história de seu país, lutou com tanta vontade e tanto ardor por uma Venezuela mais justa e soberana e pela unidade das nações latino-americanas.

1. – Não é por outro motivo que as elites conservadoras e subalternas aos interesses multinacionais o odeiem tanto. A mídia comercial e golpista – nacional e internacional –, representante desses interesses, sempre o tachou de “populista”. Mas não o populista no sentido positivo, de um líder que realmente se preocupa com a maioria do seu povo, mas no negativo, como se Chávez fosse um “demagogo vulgar”, sem representatividade real ou com representatividade “comprada” com cestas básicas e petrodólares. Ridículo!

2. – Como diz Mauro Santayana, “Chávez, sem violar as regras democráticas, e usando os recursos do país, ofereceu pão, esperança e dignidade” à maioria dos seus concidadãos – desesperançados – que sempre foram desprezados pelas elites dominantes. Sim, “sem violar” minimamente as regras democráticas, ao contrário, portanto, do que vivem caluniando os falastrões da direita na Veja, Globo, Estadão, Folha de S. Paulo, etc.

3. – Se tivessem razão, teria sentido que importantes instâncias internacionais, como a União Européia, a OEA, a União de Nações Sul-Americanas e o Centro [Jimmy] Carter, tivessem declarado, unanimemente, que reconhecem a transparência de todas as eleições que ocorreram na Venezuela no período Chávez? Para ficar mais claro, Jimmy Carter, ex-presidente dos EUA, que monitorou eleições em 92 países do mundo, declarou para quem quisesse ouvir, que o sistema eleitoral da Venezuela era “o melhor do mundo”.

4. – Já em seu primeiro governo, em 1998, Chávez implementou a “universalização do acesso à educação”, ensinando 1,5 milhão de venezuelanos a ler e escrever. Em dezembro de 2005, a UNESCO decretou o fim do analfabetismo na Venezuela – façanha que até hoje somente Cuba e Bolívia conseguiram alcançar na América Latina.

5. – O Sistema Nacional Público de Saúde criado por Chávez teve o objetivo de garantir o acesso gratuito à saúde para todos os cidadãos venezuelanos – de 2005 a 2012 foram criados 7.873 centros médicos; o número de médicos teve um aumento de 400% de 1999 a 2010.

6. – Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Venezuela ostenta o menor índice Gini da América Latina – ou seja, o menor índice de desigualdade. A taxa de desnutrição passou de 21% em 1998 para menos de 3% em 2012; segundo a FAO/ONU, a Venezuela é o país da América Latina e do Caribe mais avançado na erradicação da fome; a taxa de desemprego passou de 15,2% em 1998 para 6,4% em 2012, com a criação de mais de 4 milhões de postos de trabalho.

7. – Segundo o relatório anual World Happiness de 2012, a Venezuela é o segundo país mais feliz da América Latina, atrás da Costa Rica, e o 19° em nível mundial, à frente da Espanha e da Alemanha. Além disso, Chávez beneficiou, nos últimos 8 anos, mais de 1,7 milhão de cidadãos pobres norte-americanos com a distribuição de petróleo para aquecimento.

8. – Chávez teve um papel decisivo no estabelecimento de um programa de paz entre o governo da Colômbia e as FARCS. Quem diz é o próprio presidente colombiano Juan Manuel Santos.

9. – Contudo, um serviçal do imperialismo norte-americano – como Mario Vargas Llosa – uma mídia subalterna e venal – como a brasileira – e a direita internacional desconsideram o papel de Chávez em todos estes avanços e voltam suas baterias, seu ódio e sua ira para destruir a imagem de Chávez, chamando-o de “caudilho” e de “ditador”.

O consolo, é que existe um lugarzinho de “honra” para este time: a lata de lixo da História.


* Emerson Leal – Doutor em Física Atômica e Molecular e vice-presidente do PPL de SP.
  Email: depl@df.ufscar.br

MAR/2013.

P.S. – Palavras proféticas de Simón Bolívar: “... os Estados Unidos parecem destinados pela Providência a infestar a América de misérias em nome da Liberdade”.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A diabólica máquina de moer cérebros

A demonização de Chávez 
por Eduardo Galeano


"Hugo Chávez é um demônio. Por quê? Porque alfabetizou dois milhões de venezuelanos que não sabiam ler nem escrever, mesmo vivendo em um país detentor da riqueza natural mais importante do mundo, o petróleo. Eu morei nesse país alguns anos e conheci muito bem o que ele era. O chamavam de “Venezuela Saudita” por causa do petróleo. Havia 2 milhões de crianças que não podiam ir à escola porque não tinham documentos…






Então, chegou um governo, esse governo diabólico, demoníaco, que faz coisas elementares, como dizer: “As crianças devem ser aceitas nas escolas com ou sem documentos”. Aí, caiu o mundo: isso é a prova de que Chávez é um malvado malvadíssimo. Já que ele detém essa riqueza, e com a subida do preço do petróleo graças à guerra do Iraque, ele quer usá-la para a solidariedade. Quer ajudar os países sul-americanos, e especialmente Cuba. Cuba envia médicos, ele paga com petróleo. Mas esses médicos também foram fonte de escândalo. Dizem que os médicos venezuelanos estavam furiosos com a presença desses intrusos trabalhando nos bairros mais pobres. Na época que eu morava lá como correspondente da Prensa Latina, nunca vi um médico. Agora sim há médicos. A presença dos médicos cubanos é outra evidência de que Chávez está na Terra só de visita, porque ele pertence ao inferno. Então, quando for ler uma notícia, você deve traduzir tudo. O demonismo tem essa origem para justificar a diabólica máquina da morte."

El pueblo llora 
Uma grande onda vermelha acompanhou Chávez, desde o hospital militar até a capela da academia militar, onde ele será velado e chorado até o dia 08, quando será sepultado com a máxima honra que pode almejar um herói da América: ao lado do grande Simón Bolívar.
Muitos entoavam emocionados o hino da Venezuela: “Pátria, pátria, pátria querida, tua é minha alma, teu é o meu amor…”.


“Chávez no murió, se multiplicó”

“Los que mueren por la vida no pueden llamarse muertos”




Sean Penn:


"Hoy el pueblo de Estados Unidos perdió a un amigo que nunca supo que teniía. Y los pobres del mundo perdieron a un defensor"

"Perdí a un amigo que tuve la fortuna de tener. Mis condolencias para la familia del presidente Chávez y el pueblo de Venezuela"
 


Cristina Kirchmer:
La presidenta Cristina Kirchner, afirmó que "El comandante Chávez, el compañero y amigo, ha entrado definitivamente en la historia". "Creo que hombres como Chávez no mueren, se siembran"."No vine a despedir un Presidente, sino a un compañero y un amigo. El mejor amigo que tuvo la Argentina cuando todos le soltaron la mano. Le guste a quien le guste. Pepe me dijo en el avión, cuando viajábamos, que no recordaba en la historia un gobernante tan generoso."
 


Lula:
"Chávez sabia, e sabia com muita força, que a razão para ele estar no governo era fazer com que o povo pobre da Venezuela se sentisse orgulhoso, que passasse a ter direitos”. (Luis Inácio Lula)   "a Venezuela não pode retroceder".

BRASIL NUNCA MAIS

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