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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A empáfia de Ferreira Gullar

A empáfia do poeta Gullar,
por Luiz Silva (Cuti), blog PeleNegra

Por  conta da publicação,  em quatro volumes,  da Literatura  e Afrodescendência no Brasil: antologia crítica, organizada pelos professores Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Fonseca, seja pela apresentação gráfica sofisticada da obra, seja pelo seu aporte crítico envolvendo profissionais de diversas universidades brasileiras e estrangeiras, a questão de ser ou não ser negra a vertente da literatura brasileira que compõe seu conteúdo tem trazido à tona manifestações que vão desde respeitosas e aprofundadas abordagens até esdrúxulos pitacos de quem demonstra sua completa ignorância do assunto, má vontade e racismo crônico. Neste último caso está o que publicou Ferreira Gullar, com o título “Preconceito cultural”, no caderno Folha Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo, de 04/12/2011.

O autor do Poema Sujo, no qual compara um urubu a um negro de fraque, deve estar estranhando (estranheza é a palavra que ele emprega) que o negro não é uma simples idéia desprezível, mas um imenso número de pessoas, cuja maior parte, hoje, não come carniça, e que aqueles ainda submetidos à miséria mais miserável jamais quiseram fazer o trabalho daquela ave, e que se a “a vasta maioria dos escravos nem se quer aprendia a ler”, como diz ele, não é porque não queria. Era proibida. Há vários dispositivos legais e normas que comprovam isso. Havia uma vontade contrária. Há e sempre houve um querer coletivo negro de revolta contra a opressão racista.

Quanto a existir ou não literatura negro-brasileira, deixemos de hipocrisia. No mundo da cultura só existe o que uma vontade coletiva, ou mesmo individual, diz que sim e consegue vencer aqueles que dizem não. Foi assim com a própria literatura brasileira e os tantos ismos que por aqui deixaram seus rastros. Características, traços estilísticos, vocabulário etc, que demarcam a possibilidade de se rotular um corpus literário, no tocante à produção literária negra,  já vem sendo estudados.  Basta lembrar três antologias de ensaios:  Poéticas afro-brasileiras, de 2002,  com 259 páginas; A mente afro-brasileira (em três idiomas), de 2007, com 577 páginas; Um tigre na floresta dos signos, de 2010, com 748 páginas, além de outras reuniões de textos, estudos, dissertações e teses. Por outro lado, se Cruz e Sousa e Machado de Assis, como argumenta Gullar “foram herdeiros de tendências literárias européias”, e, portanto, “não se pode afirmar que faziam literatura negra”, o que dizer de Lépold Senghor e Aimé Césaire, principais criadores do Movimento da Negritude, embora herdeiros da tradição literária francesa? A literatura não é só resultado de si mesma. Só uma perspectiva genética tacanha desconheceria outras influências do texto literário, tais como a experiência existencial do autor, sua formação política e ideológica, o contexto social, entre tantas mais. Nenhum escritor é obrigado a reproduzir suas influências.

domingo, 7 de agosto de 2011

Os Últimos Soldados da Guerra fria







 
 
 
A Revista Bravo de agosto trás reportagem sobre Fernando Moraes e o livro em que conta a história do antiterrorismo de heróis cubanos. 
Na década de 1990, espiões foram recrutados pelo governo de Cuba para se infiltrar em grupos anticastristas com base nos Estados Unidos. Essas organizações financiavam ataques terroristas contra a indústria turística da ilha caribenha e planejavam matar o então presidente Fidel Castro.
As histórias dos 15 agentes secretos escolhidos está contada em forma de aventura e ação, no livro-reportagem de Fernando Morais

domingo, 10 de julho de 2011

Por uma chuveirada, Dorival encara a guarda




O Dia Em Que Dorival Encarou a Guarda por tielsam

Por uma chuveirada, Dorival encara a guarda

Gaúcho de Uruguaiana (RS), o jornalista, romancista e cineasta Tabajara Ruas é autor de um relato que, pelas artes do cinema, ganhou vida própria: O dia em que Dorival encarou a guarda, oitavo capítulo do segundo romance de Ruas, “O amor de Pedro por João”.

  Por José Carlos Ruy, Portal Vermelho

O romance foi escrito no exílio, na Dinamarca. Militante contra a ditadura militar desde o tempo de estudante, em 1966, em Porto Alegre, Ruas exilou-se para não ser preso, e ficou fora do país entre 1971 e 1981 (morou no Uruguai, Chile, Argentina, Dinamarca, São Tomé e Príncipe e Portugal).

“O amor de Pedro por João”, explicou ele, é a história de lutadores contra a ditadura, “homens e mulheres das mais variadas classes sociais. Existe uma freira, alguns estudantes, militares e religiosos que constituem um grupo antimilitar, em fuga do Brasil em direção ao Chile” que permanecia um espaço democrático, e de refúgio para perseguidos políticos, antes do golpe militar do general fascista Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973. Estes personagens formavam, explicou, “um mosaico complexo, compondo todo o tecido social do Brasil”.

Em 1986, este trecho do romance serviu de argumento para o premiado curta metragem, que tem o mesmo nome do capítulo, e foi dirigido por Jorge Furtado e José Pedro Goulart, com a colaboração do próprio Ruas na elaboração do roteiro. O curta colecionou uma lista de prêmios, entre eles o de melhor curta, ator, júri popular e prêmio da crítica no Festival de Gramado de 1986, melhor curta de ficção no 21º Festival de Cinema Ibero americano de Huelva (Espanha), e no 8º Festival Internacional do Novo Cinema Latino americano de Havana (Cuba).

Em sua simplicidade e profundo sentido humano, a história tem a profundidade dos dramas clássicos gregos. É uma denúncia candente da bestialidade da tortura (e não só no período da ditadura militar de 1964...): depois de dez dias de cadeia, Dorival só queria tomar um banho. Por isso confrontou a entorpecente e irracional lógica carcerária de que “ordens são ordens”. Numa demonstração paradoxal de que não há conquista sem luta, e sem sacrifícios, ele “encara” a guarda, sofre as consequências mas, no fim, alcança seu objetivo e é posto debaixo do chuveiro.

Leia aqui o texto "O dia em que Dorival encarou a guarda", de Tabajara Ruas, na íntegra. 

Por uma chuveirada, Dorival encara a guarda - Portal Vermelho

BRASIL NUNCA MAIS

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