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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Sempre atual, infelizmente

Imperdível, o artigo de Rubens Alves. Atualíssimo, infelizmente.
Reproduzo aqui na íntegra:

Será que a leitura dos jornais nos torna estúpidos?

O nome não me era estranho. Eu já o vira de relance em algum jornal ou revista. Mas não me interessei. Aquele nome, para mim, não passava de um bolso vazio. Eu não tinha a menor idéia do que havia dentro dele. Sou seletivo em minhas leituras. Leio gastronomicamente. Diante de jornais e revistas eu me comporto da mesma forma como me comporto diante de uma mesa de bufê: provo, rejeito muito, escolho poucas coisas. Concordo com Zaratustra: “Mastigar e digerir tudo - essa é uma maneira suína.“

Aquele bolso devia estar cheio de coisas dignas de serem comidas – caso contrário não teria sido oferecido como banquete nas páginas amarelas da VEJA. Mas eu não comi. Aí um amigo me enviou via e-mail cópia de uma crônica do Arnaldo Jabor, a propósito do dito nome – crônica que eu li e gostei: sou amante de pimentas e jilós.

Senti-me parecido com o Mr. Gardner, do filme “Muito além do jardim“, com Peter Sellers. Mr. Gardner jamais lia jornais e revistas. Aproximei-me então da minha assessora e lhe perguntei, envergonhado, temeroso de que ela tivesse visto o dito filme, e me identificasse com o Mr. Gardner. “Natália, quem é Adriane Galisteu?“ Esse era o nome do bolso vazio. Ela deu uma risadinha e me explicou. À medida em que ela explicava, as coisas que eu havia lido começaram a fazer sentido, e eu me lembrei de uma estória que minha mãe me contava: uma princesinha linda que, quando falava, de sua boca saltavam rãs, sapos, minhocas, cobras e lagartos... Terminada a explicação, fiquei feliz por não ter lido. Lembrei-me de uma advertência de Schopenhauer: “No que se refere a nossas leituras, a arte de não ler é sumamente importante. Essa arte consiste em nem sequer folhear o que ocupa o grande público. Para ler o bom uma condição é não ler o ruim: porque a vida é curta e o tempo e a energia escassos... Muitos eruditos leram até ficar estúpidos.“ Existirá possibilidade de que a leitura dos jornais nos torne estúpidos?

O que está em jogo não é a dita senhora, que pode pensar o que lhe for possível pensar. O que está em jogo é o papel da imprensa. Qual a filosofia que a move ao selecionar comida como essa para ser servida ao povo?

A resposta é a tradicional: “A missão da imprensa é informar“. Pensa-se que, ao informar, a imprensa educa. Falso. Há milhares de coisas acontecendo e seria impossível informar tudo. É preciso escolher. As escolhas que a imprensa faz revelam o que ela pensa do gosto gastronômico dos seus leitores.

Jornais são refeições, bufês de notícias selecionadas segundo um gosto preciso. Se o filósofo alemão Ludwig Feuerbach estava certo ao afirmar que “somos o que comemos“, será forçoso concluir que, ao servir refeições de notícias ao povo os jornais estão realizando uma magia perversa sobre os seus leitores: depois de comer eles serão iguais àquilo que leram.

Faz tempo que parei de ler jornais. Leio, sim, movido pelo espírito da leitura dinâmica, apressadamente, deslizando meus olhos pelas manchetes para saber não o que está acontecendo, mas para ficar a par do menu de conversas estabelecido pelos jornais. Muita coisa importante e deliciosa acontece sem virar notícia, por não combinar com o gosto gastronômico dos leitores. Se não fizer isto ficarei excluído das rodas de conversa, por falta de informações. Parei de ler os jornais, não por não gostar de ler mas precisamente porque gosto de ler. As notícias dos jornais são incompatíveis com meus hábitos gastronômicos: leio bovinamente, vagarosamente, como quem pasta... ruminando. O prazer da leitura, para mim, está não naquilo que leio mas naquilo que faço com aquilo que leio. Ler, só ler, é parar de pensar. É pensar os pensamentos de outros. E quem fica o tempo todo pensando o pensamento de outros acaba por desaprender a arte de pensar seus próprios pensamentos: outra lição de Schopenhauer. Pensar não é ter as informações. Pensar é o que se faz com as informações. É dançar com o pensamento, apoiando os pés no texto lido: é isso que me dá prazer. Suspeito que a leitura meticulosa e detalhada das informações tenha, freqüentemente, a função de tornar desnecessário o pensamento. Pensar os próprios pensamentos pode ser dolorido. Quem não sabe dançar corre sempre o perigo de escorregar e cair... Assim, ao se entupir de notícias – como o comilão grosseiro que se entope de comida – o leitor se livra do trabalho de pensar.

Confesso que não sei o que fazer com a maioria das notícias dos jornais: entendo as palavras mas não entendo a notícia. Penso: se eu não entendo a notícia que leio, o que acontecerá com o “povão“? Outras notícias só fazem explicitar o que já se sabe. Detalhes, cada vez mais minuciosos, das tramóias políticas e econômicas de um Maluf, de um Jader, nada acrescentam ao já sabido. Esse gosto pela minúcia escabrosa se deriva da pornografia, que encontra seus prazeres na contemplação dos detalhes sórdidos, que são sempre os mesmos, como o comprovam as salas de “imagens eróticas“ da Internet. A dita reportagem sobre a tal senhora e as notícias sobre Jader e Maluf atendem às mesmas preferências gastronômicas. Será que as notícias são selecionadas para dar prazer aos gostos suinos da alma? Por outro lado, há os suplementos culturais que, para serem entendidos, é preciso ter doutoramento. Para o povão, o futebol...

Ao final de sua crônica o Arnaldo Jabor dá um grito: “Os órgãos de imprensa devem ter um papel transformador na sociedade...“ Dizendo do meu jeito: os órgãos de imprensa têm de contribuir para a educação do povo. Mas educar não é informar. Educar é ensinar a pensar. Os jornais ensinam a pensar? Repito a pergunta: Será que a leitura dos jornais nos torna estúpidos?

Rubens Alves, publicado na Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 02/09/2001 e disponível em http://www.rubemalves.com.br/seraquealeituradosjornaisnostornaestupidos.htm

sábado, 20 de março de 2010

Because I Am A Girl



Porque eu sou uma garota

Por ocasião da Assembleia de Gênero do Fórum Urbano Mundial, que acontece até hoje (20), no Rio, a Plan International apresentou o vídeo da sua campanha “Because I am a girl” (porque eu sou uma garota). O material demonstra os desafios para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa para homens e mulheres, onde os papéis socialmente estabelecidos ainda são impeditivos ao acesso à saúde, à educação, à vivência de uma infância saudável e até à segurança alimentar.Porque eu sou uma garota, eu terei sorte se sobreviver…
Porque eu sou uma garota, eu terei sorte se tiver acesso a educação…
Porque eu sou uma garota, eu terei sorte se tiver saúde porque milhares de jovens na África estão infectadas pelo HIV…
Porque eu sou uma garota, eu terei sorte se não precisar casar ou ter filhos precocemente…

Fonte: Blog Eu Decido

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Cartilha da ANDI Infância e Comunicação - Baixe Aqui na íntegra

Cartilha Infância e Comunicação destaca 10 pontos a serem discutidos pela sociedade



A ANDI e a Rede ANDI Brasil lançam a cartilha “Infância e Comunicação: Uma agenda para o Brasil”. A iniciativa é resultado de uma série de ações promovidas por organizações que têm o objetivo de estabelecer uma agenda comum de temas a serem tratados na 1ª Conferência Nacional de Comunicação e na 8ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que acontecem em dezembro deste ano, em Brasília.




O material, que conta com o apoio da Fundação Itaú Social e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), foi elaborado a partir da constatação sobre a necessidade de desenvolver um sistema de mídia que promova e proteja os direitos de meninos e meninas. Assim, foram formulados dez pontos fundamentais que possam contribuir para o fomento da reflexão sobre a responsabilidade dos veículos de comunicação junto ao público infanto-juvenil. Entre eles, há aspectos de estímulo aos benefícios da relação com a mídia e de proteção aos possíveis impactos negativos.



A regulação do setor por parte do Estado – bem como a participação das empresas de comunicação e da sociedade civil – é tida como instrumento fundamental na garantia da qualidade da informação disponível a crianças e adolescentes. A política de classificação indicativa, as ações de educação para a mídia, o incentivo à programação instrutiva e diversificada e a influência da publicidade também estão entre os assuntos abordados.



Como se encontram em uma fase de transição do desenvolvimento físico e psíquico, as políticas públicas que tocam na interface entre a infância e mídia precisam ser cada vez mais aprimoradas. Dessa forma, a cartilha “Infância e Comunicação: Uma agenda para o Brasil” busca promover a conscientização da sociedade sobre a importância dos conteúdos midiáticos na formação de meninos e meninas. O material será distribuído durante as conferências entre as principais instituições que atuam nas áreas da comunicação e da promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente, mas pode ser baixado nos sites das instituições.


PARA BAIXAR A CARTILHA "INFÂNCIA E COMUNICAÇÃO: UMA AGENDA PARA O BRASIL, CLIQUE AQUI.
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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Um documentário sobre consumo e criança - assista o trailer

CRIANÇA, A ALMA DO NEGÓCIO - trailer
Um documentário sobre publicidade, consumo e infância.



Produtora: Maria Farinha Produções
Direção: Estela Renner
Produção Executiva: Marcos Nisti

Você pode assistir o documentáro na íntegra em Instituto Alana. E, ainda, baixar em alta qualidade para i-pod ou DVD.

A Sinopse
"Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?" Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Vídeos do 2° Fórum Internacional Criança e Consumo realizado em 2008: http://www.forumcec.org.br/

Não guarde só para você, divulgue.


Contribuição ao Blog, de Nise Jinkings

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Criança, Mídia e Consumo - Bolsas para TCC


Muito importante a iniciativa da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância) ao oferecer bolsas a alunos que pretendam elaborar seus Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) com enfoque na relação da criança com a mídia e o consumo, em especial a questão da publicidade e a obesidade infantil.


Tema da maior atualidade, a influência da mídia sobre crianças e adolescentes, não está - óbvio - na agenda da referida. E a bolsa vem a estimular jovens futuros jornalistas a aprofundar-se nas questões sociais que afetam o País e o mundo.


Que venham mais projetos nessa direção. Sai ganhando a sociedade. Quiçá vem aí uma leva de coleguinhas mais conscientes de seu papel na sociedade.


Estão abertas as inscrições:
Acesse o Edital aqui
Leia na íntegra

BRASIL NUNCA MAIS

BRASIL NUNCA MAIS
clique para baixar. Íntegra ou tomos