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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Luís Carlos Prestes, João Amazonas, Carlos Marighella, Mário Alves, Maurício Grabois, Mário Alves, Pedro Pomar, Joaquim Câmara Ferreira, Gregório Bezerra, David Capistrano, desculpem

Quem são os herdeiros de 1922?
Por Augusto C. Buonicore




 Devo dizer que me espantei com uma Nota Política do PCB de 25 de outubro de 2011. A própria linguagem a desqualifica, mas é seu conteúdo que choca pela agressão que realiza contra a honra e a memória de parte importante do movimento comunista brasileiro e, ainda, por se prestar ao papel de linha auxiliar da reação que há uma quinzena realiza uma verdadeira caçada reacionária ao Partido Comunista do Brasil, PCdoB. Esta “Nota”, por sinal, não tem a cara de alguns de seus valorosos militantes, que conheço e respeito.

O referido texto começa com um parágrafo lapidar: “Se nosso Partido fosse legalista, poderíamos reclamar no Procon, no TSE, na justiça comum, contra a tentativa de sequestro da história do PCB: propaganda enganosa, falsidade ideológica, estelionato político, apropriação indébita”. Assinalamos que o texto já começa com um linguajar de “briga de salão”, que não é adequado a uma discussão teórica e política séria. O fundo da questão é que o atual PCB se considera o verdadeiro e único Partido Comunista do Brasil, fundado em 25 de março de 1922. Assim, ninguém mais poderia reivindicar esta herança. A pena para tal crime seria o achincalhe público e a desqualificação moral. Tese e prática com a qual não concordamos.

O alvo central das críticas – e da pretensão – dos neopecebistas é o PC do Brasil (PCdoB). Afirmam: “Todas as pessoas razoavelmente informadas, todos os intelectuais, historiadores, militantes políticos e sociais sabem que o PCdoB foi fundado em 1962, por uma insignificante minoria do Comitê Central do PCB, após ser fragorosamente derrotada no V Congresso do nosso Partido”.

De fato, grande parte das pessoas acredita que o PCdoB foi fundado em 1962. Contudo, também, não deixa de ser verdade que as “pessoas razoavelmente informadas”, tem a convicção de que o atual PCB foi fundado em 1992, depois que uma “insignificante minoria” – ainda menor do que aquela que “reorganizou” o PCdoB – foi sucessivamente derrotada nos últimos congressos do antigo PCB. Todos sabem que, para o bem ou para o mal, não existe nada mais diferente do velho PCB que o atual PCB.

Pergunto: se o PCdoB foi criado em 1962 e o atual PCB o foi em 1992, qual, então, seria o legítimo herdeiro de 1922? Os “especialistas”, talvez, respondesse “ninguém” e iria rir gostosamente desta discussão um tanto bizantina.

Estranhamente tentando reconstruir a história do seu ponto de vista, o neoPCB acabou distorcendo-a, ajudando a aumentar a confusão que ele se propõe esclarecer. A nota diz que apenas recentemente PCdoB se arvorou como herdeiro do antigo PCB. “Esta tática – de renegar hoje sua própria trajetória para tentar se apropriar da história que rejeitaram em 1962 – vem sendo aplicada em razão de uma realidade que os dirigentes desse partido nunca imaginaram possível: a reconstrução revolucionária do PCB”. Por isso, “precisam fingir que são o PCB, fundado em 1922, confundindo a opinião pública”. E conclui: “Se o verdadeiro comunista João Amazonas estivesse vivo ficaria envergonhado de assistir à manipulação de sua própria história”.

Todas as pessoas “razoavelmente informadas” sabem que essas afirmações não são verdadeiras, parecem saídas de alguém que não conhece minimamente a história do PCdoB e do próprio PCB. Leigos na rica história da esquerda brasileira.

Quando o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) começou a se reivindicar herdeiro de 1922? Será que foi durante o governo Lula ou devido à autointitulada “reconstrução revolucionária” do neoPCB, como afirmam? É obvio que não. Este debate surgiu logo no início da década de 1960 e foi uma das razões centrais para o racha dos comunistas brasileiros. Vamos aos fatos:

Quando em agosto de 1961, a direção do P C do Brasil (então PCB) decidiu apresentar um novo Estatuto e Programa ao Tribunal Superior Eleitoral, mudando o nome da organização para Partido Comunista Brasileiro e tirando as referências ao internacionalismo e ao comunismo, um grupo de expressivos militantes protestou e, numa carta, exigiu a convocação de um novo congresso para deliberar sobre aquelas mudanças. Ao serem expulsos, convocaram o que chamaram de V Conferência Nacional extraordinária com o objetivo de reorganizar o antigo Partido Comunista do Brasil, mantendo o nome e o Estatuto.

Os delegados reunidos ali reivindicaram para si – e para o Partido Comunista do Brasil reorganizado – a continuidade do antigo Partido e não o rejeitaram como diz o texto desinformado do atual PCB. Foi exatamente neste momento que o nosso país passou a ter dois partidos comunistas, reivindicando o mesmo passado, a mesma herança.

Só este estupendo desconhecimento da nossa história comum, beirando mesmo à má-fé, justificaria a afirmação que o verdadeiro comunista João Amazonas ficaria chocado se soubesse que o PCdoB estava reivindicando a história do PCB, antes de 1962. Existem dezenas de artigos nos quais Amazonas reivindica essa continuidade histórica, destaco apenas o documento 50 anos de Luta (1972) (e não dez anos), escrito em plena selva do Araguaia, em parceria com outro grande comunista, Maurício Grabois. Se estavam errados é outro problema, mas ninguém pode tirar-lhes o sagrado direito de reivindicar a herança, especialmente os neopecebistas.

Atualmente, seria perfeitamente defensável afirmarmos que a frondosa árvore nascida em 25 de março de 1922 deu vários galhos e frutos – uns morreram pelo caminho, outros cresceram e se desenvolveram, e um deles pelo menos, o PCdoB, se transformou num partido comunista que não para de crescer, com uma massa de militantes e com influência política e social. Um partido revolucionário e contemporâneo, fiel a sua identidade e aos seus princípios. Outros não tiveram a mesma sorte. Entre os galhos e frutos desta árvore estão Luís Carlos Prestes, João Amazonas, Carlos Marighella, Mário Alves, Maurício Grabois, Mário Alves, Pedro Pomar, Joaquim Câmara Ferreira, Gregório Bezerra, David Capistrano, Nestor Veras etc. Uma lista infindável.

Penso que, aos poucos, vamos superando a falsa ideia de que só poderia haver um único partido comunista em cada país. O restante, portanto, seriam necessariamente forças políticas pequeno-burguesas ou burguesas, adversários (ou inimigos) a serem derrotados. Tese que levava a um eterno processo de exclusões e anátemas, que prejudicavam a unidade das forças mais avançadas da sociedade. Ressuscitar este velho espírito em pleno século XXI é prestar um grande desserviço à causa dos trabalhadores e do socialismo.

Calúnias sob o manto de debate programático

Para o neoPCB um partido só é verdadeiramente comunista se não participar de governos, não tiver expressão política de massas e for uma organização exclusivamente de quadros, preferencialmente uma seita de puros. Nada mais avesso às concepções marxistas e leninistas de partido. Transportam modelos de partidos feitos para atuar na clandestinidade para momentos históricos marcados pela existência de uma democracia ampliada, ainda que burguesa.

O atual PCB entra inclusive no mérito do programa de TV do PC do B. Critica-o por exibir “um programa eleitoral voltado para as eleições de 2012!”. Continua a acusação: “com efeitos especiais, exibiram cinco atuais parlamentares que já estão em campanha para prefeituras, uma manobra comum a todos os partidos eleitoreiros”. Assim, continua ele, “ganham de qualquer forma. Vencendo as eleições, se tornam prefeitos. Se as perdem, antecipam em dois anos a campanha para sua reeleição ao parlamento”.

Para os neocomunistas passou a ser crime projetar lideranças, através do seu espaço na TV, um ano antes da campanha eleitoral. Pela nova cartilha estaria proibido aos deputados e senadores comunistas se lançarem candidatos às prefeituras de suas cidades e, especialmente, conseguirem ser eleitos. Os políticos de direita, que se utilizam diariamente da grande mídia, gostariam que a esquerda seguisse estes conselhos extremamente revolucionários. Somente uma seita sectária – sem nenhuma expressão política e social – seria capaz de propor algo deste tipo.

Continua a crítica dos neocomunistas: “Em 10 minutos de programa, não houve menção alguma ao imperialismo e ao capitalismo. Parece que, para esse partido, nem o imperialismo está inventando guerras contra os povos nem os trabalhadores do mundo estão lutando contra as retiradas de seus direitos, em meio à crise sistêmica do capitalismo”. Eles reduzem seu campo de visão aos 10 míseros minutos do programa de TV, no qual o PCdoB teve que, excepcionalmente, passar a maior parte do tempo se defendendo de ataques da direita.

Parece que eles não viram nenhum dos programas anteriores, não leram a imprensa do PCdoB, as resoluções de seus congressos ou seu programa socialista. Não acompanharam – nem acompanham – as lutas travadas pelas entidades nas quais os comunistas (do B) têm alguma influência. Se tivessem feito isso, teriam uma visão muito diferente e mais próxima da realidade. Não é sem motivo que é uma dirigente do PCdoB, Socorro Gomes, a atual presidente do Conselho Mundial da Paz e a primeira reunião dos Partidos Comunistas em nosso continente tenha sido no Brasil, tendo o PCdoB como anfitrião. Sinal de reconhecimento do seu papel na luta anti-imperialista por parte dos demais partidos operários e comunistas. Isso não é pouco.

Por fim, cabe nos referir à parte mais deplorável do documento – engrossando o coro da mídia burguesa contra o PCdoB. Afinal, esta tem sido a prática histórica de certas correntes esquerdistas no Brasil e no mundo. O texto começa de uma maneira um tanto malandra: “Aliás, por falar em dinheiro público, o PCB, na crítica política e ideológica que faz ao PCdoB, não centrará suas divergências nas recentes denúncias contra o Ministro dos Esportes. Ficamos com o benefício da dúvida, aguardando os desdobramentos do caso e a apuração das denúncias”.

Passa então a descrever detalhadamente as acusações contra o referido ministério, todas plantadas pela mídia conservadora, e chega mesmo a supor que estas denúncias seriam “a principal motivação da candidatura do deputado Aldo Rabelo a Ministro do TCU”. E, contrariando o nobre direito da dúvida, anunciado anteriormente, afirmou, sentenciando: “Independente dos resultados da apuração das denúncias (sic), um fato já é cristalino: integrado ao sistema, o PCdoB, durante os nove anos em que dirige o Ministério dos Esportes e outros espaços de poder, se enredou na promiscuidade com esquemas, públicos e privados, e com delinquentes”. Fala, inclusive, que o PCdoB teria “voracidade por recursos não contabilizados”. Conclui, sem medo do ridículo: “Mas, como dissemos, nossa discussão é no campo político, na tática e na estratégia que devem adotar os que se reivindicam comunistas”. Aqui, num passe de mágica, calúnia sem prova virou crítica política e ideológica. Para o atual PCB o fato já é cristalino, não precisa de apuração, que passa ser uma formalidade jurídica. Os “neocomunistas” adotam as calúnias da revista Veja, e com base nelas fazem coro com o campo político mais reacionário do país.

Concluo com uma frase lapidar daquele documento que se diz comunista: “só é abatido na luta pelo poder no Estado burguês quem tem telhado de vidro”. Que o digam os parlamentares comunistas cassados em 1948, Jango e Allende, abatidos por um golpe militar. Apesar do desejo da direita e dos setores a ela aliados, o PCdoB não foi e nem será abatido tão facilmente, pois além de não ter telhado de vidro, possui história, grandes amigos e uma militância aguerrida que o fez transpor situações muito mais difíceis.

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Historiador e secretário-geral da Fundação Maurício Grabois

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

STOP! Parem as ditaduras mantidas pelos EUA

 

Ditadura, quando convém

leila jinkings


É frequente ler, escutar e/ou assistir notícias na velha mídia - repercutidas na web conservadora - nas quais se reproduz o que vem das agências de notícias sem mínima análise ou apuração. Essa falta de critérios tem sido a origem de barrigadas históricas (leia algumas delas¹).  O leitor acrítico deve contar de 1 a 10 antes de sair por aí repetindo o que lê nos meios de comunicação descompromissados com o jornalismo sério. 

O episódio das manifestações populares no Egito permitiu ao mundo todo perceber com clareza que as notícias são manipuladas. Não precisa ser  engajado em movimentos,  politizado. O cidadão mais simples  já compreendeu que as notícias confusas (uma das estratégias utilizadas pela mídia  para deixar assim mesmo confusas) foram tomando forma nas palavras que eram utilizadas cuidadosamente pelos jornalistas. 

Está evidente para o mundo todo a dificuldade em que se encontram os EUA, cujas exigências e opiniões foram rejeitadas pelo povo Egípcio por um motivo muito simples: eles são organizados o suficiente para saber das reais intenções do império americano. Até ontem os EUA tentavam manter Mubarak no poder a todo custo. O ditador há 30 anos afundava o Egito em um regime repressivo e corrupto, ancorado em leis de exceção. A hipocrisia era tamanha que os EUA, país eleito pela velha mídia ocidental como "modelo de democracia",  cortou as verbas e pressionou as entidades egípcias de Direitos Humanos que iniciavam lá a luta por democracia. O objetivo era fazê-los minguar e deixar que o "presidente" Mubarak governasse em paz.

O leitor percebe hoje que aquele que poucos dias antes da demonstração de força do povo era o presidente do Egito, agora é chamado, sem cerimônias, de ditador. Ditador ele era há exatos 30 anos. Mas era um ditador amigo do Império. O que talvez fuja à compreensão do leitor - provavelmente por que custe a acreditar no caráter mercenário que assumiu a comunicação de massas - é o por quê de o jornalismo brasileiro seguir cegamente o script que vem de fora. Mesmo sabedores de que a realidade era outra, insistiam na desfaçatez e nas mentiras como um mantra. 

A partir dos indícios de sucessivas fraude, como as pedras do dominó, veio a sucessão de mitos a submergir: o presidente era ditador. A sociedade massacrada se sublevou e apareceu nas páginas a conquistar a verdade. A cortina de fumaça está se dissipando e agora cairão outros mitos. O que há por trás da resistência midiática ao novo formato das relações dos países latino americanos. Por que é tão combatida a Unasul? Por que odeiam Hugo Chávez? Por que instigam as relações entre hermanos da América Latina?

Diante disso tudo, há, portanto, que se apoiar fortemente uma política pública para a regulação do papel social da mídia no Brasil. A sociedade tem o Direito de ser Informada corretamente, com isenção e ética.
 
1.  As melhores barrigadas de Veja:
Uma das mais recentes foi em outubro de 2008, quando veja estampou a cara do "tio Sam" apontando o dedo e dizendo "Eu salvei você". Na mesma semana sai a Carta Capital com capa similar ridicularizando veja ao colocar os dizeres retocados: "Ele não salva ninguém". A vassalagem do corpo editorial de Veja é tanta que bastou Obama esboçar um desejo íntimo, para Veja 'torná-la realidade'. Apenas aconteceu de ser aquele sonho que se sonha só. Ficaram a ver navios o Império americano e os vassalos todos. O povo americano pagou - e ainda está pagando - uma conta altíssima, que custou empobrecimento e desemprego massivo. A capa de Veja virou piada de mau gosto. Mas mesmo assim não deu para segurar a gargalhada.
Outra barrigada famosa internacionalmente foi a capa de 12 de abril de 2002. A edição fechou no dia seguinte ao golpe que tentou derrubar Hugo Chávez, presidente da Venezuela. e estampava: “A queda do presidente fanfarrão”. O golpe foi financiado pelos EUA e arquitetado por empresas de comunicação, igreja e militares fascista. A capa de Veja ficou defasada antes mesmo de chegar nas bancas, pois o golpe "gorou". O povo foi às ruas e levou Hugo Chávez de volta ao comando em menos de 24 horas após o anuncio do golpe.
Mas a barrigada mais divertida e famosa ainda é a de 1983. Veja deu, na edição de 27 de abril, a notícia de que um grande cientista, Dr. McDonalds, da Universidade de Hamburgo, ao misturar os genes do boi e os de tomate, produziu carne de hambúrguer com gosto de tomate. Qualquer estudante de jornalismo de primeiro período teria percebido algo estranho e checaria a informação, como alias está recomendado no manual de jornalismo. A noticia não passava de um "primeiro de abril" da revista inglesa New Science.

Mais:


Inspired by the resilience of Egyptian people during their recent uprising, several notable musicians from North America have teamed up to release a song of solidarity and empowerment. The track is fittingly titled "#Jan25" as a reference to both the date the protests officially began in Egypt, and its prominence as a trending topic on Twitter. Produced by Sami Matar, a Palestinian-American composer from Southern California, and featuring the likes of Freeway, The Narcicyst, Omar Offendum, HBO Def Poet Amir Sulaiman, and Canadian R&B vocalist Ayah - this track serves as a testament to the revolution's effect on the hearts and minds of today's youth, and the spirit of resistance it has come to symbolize for oppressed people worldwide.

Artist Information:Omar Offendum (MC #1) - http://twitter.com/Offendum
The Narcicyst (MC #2) - http://twitter.com/TheNarcicyst
Freeway (MC #3) - http://twitter.com/PhillyFreezer
Amir Sulaiman (MC #4) http://twitter.com/AmirSulaiman
Ayah (R&B Vocalist) - http://twitter.com/AyahMusic
Sami Matar (Producer) - http://twitter.com/SamiMatar
Artwork by Ridwan Adhami http://www.ridzdesign.com




BRASIL NUNCA MAIS

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