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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Grilagem, um crime permitido. Cutrale usa terras do Governo Federal


NOTA - Esclarecimento sobre a ocupação do MST em Iaras (SP)

Cutrale usa terras griladas em São Paulo

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo. A área possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja, que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou o censo agropecuário do IBGE.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.

A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS) entre outras. Nossa ação não é contra as laranjas, mas contra a Cutrale. Infelizmente, as influencias da empresa na imprensa nacional, manipulou o protesto dos ocupantes, para esconder a verdadeira situaçao. A mesma imprensa esqueceu de comentar que usando os metodos mais escusos possiveis a CUTRALE se transformou numa empresa que monopoliza todo comercio de laranjas do estado de são paulo. E que superexplora os agricultores dela dependentes.

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A Cutrale também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.

Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária. Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São Paulo, 1.600 famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias.

Direção Estadual do MST-SP

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Igor Felippe Santos
Assessoria de Comunicação do MST
Secretaria Nacional - SP
Tel/fax: (11) 3361-3866
Correio - imprensa@mst.org.br
Página - http://www.mst.org.br/

quarta-feira, 11 de março de 2009

Teatro na Terra

Enedino, Washington, Edmar, Fran, Francisca, Neuda, Nilo
e Manu, no Centro de Formação. (foto Leila Jinkings)

Teatro na Terra
Cultura Popular no assentamento

Leila Jinkings


Neuda, Fran, Francisca, Manu, Edmar, Enedino e Washington integram o Ponto Cultural Construção e Democratização, localizado no assentamento "Gabriela Monteiro" do MST, na área da Fassincra, próximo à Brazlândia. O objetivo é de promover atividades para o desenvolvimento cultural, com oficinas de Teatro, Capoeira, Artes Plásticas e Música. Criam e encenam peças teatrais e mantém o projeto "Cinema na Terra".
Neuda conta que há seis anos está no MST. Logo começaram a dar os primeiros passos com o Teatro do Oprimido. "Havia uma companheiro que juntava as pessoas para fazer roda de folia, brincar, tocar violão... E iniciou o teatro. Dois companheiros foram fazer uma oficina de Teatro Épico em Brasília e, ao retomar, reuniram um grupo de quatorze pessoas para repassar o que aprenderam. Montamos então a nossa primeira peça: uma fábula chamada Trapuia. A peça foi uma criação coletiva, levou nove meses para ser concretizada e ficou muito engraçada. Havia uma crítica ao autoritarismo de um companheiro de comando"
A fábula Trapuia fez sucesso na apresentação interna ao Assentamento e foi apresentada em outras instâncias.
O grupo conseguiu formalizar um ponto de cultura e, ao apresentar a peça teatral no MinC, Augusto Boal em pessoa foi até o assentamento para montarem um projeto para levar para o Teia 2006, no Pavilhão da Bienal. Com Boal, montaram também uma peça sobre o massacre de Sem Terras no Eldorado de Carajás.
Com a verba do projeto, eles fizeram a adaptação do antigo depósito de máquinas e veneno da fazenda. Inicialmente, construíram paredes, consertaram o telhado, fizeram banheiro e compraram carteiras, para poderem ministrar aulas e oficinas "para o assentamento e para outras brigadas". Em seguida, adquiriram computadores e instrumentos musicais: violões, pandeiro e violão elétrico.
Hoje o grupo já tem sete peças e os demais acampamentos também formaram grupos de teatro.
R - E a burocracia para responder ao edital? Foi muito difícil?
Neuda - Foi, teve muitas coisas para providenciar. Mas como somos uma organização, o setor administrativo foi quem cuidou da papelada. Tem que prestar conta de tudo, também. Dá trabalho.
R - Foi a primeira vez que conseguiram apoio cultural?
Neuda - Nos já tínhamos setor de cultura, mas devido à falta de apoio não andava. Agora a gente não precisa ir ver o teatro fora, por que sabemos que nós podemos fazer Teatro. Fazer a nossa cultura.
Neuda - Ela é formada em cultura (aponta para Manu). Veio da Bahia, participou do MST da Bahia desde 86 e estudou filosofia na UFMG. Manu, canta uma música.
Manu toma o violão e canta uma canção que fala de Reforma Agrária. O grupo canta junto:
Sabemos que o capitalista
diz não ser preciso ter
Reforma agrária
Seu projeto traz miséria
Milhões de sem terra
Jogados na estrada
Com medo de ir pra cidade
Enfrentar favela
Fome e desemprego ...
.

BRASIL NUNCA MAIS

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