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terça-feira, 12 de junho de 2012

Gentileza Revolucionária

Este Homem é José Dirceu. Se você tem menos de 40 anos, não costuma ler fontes diversas ou livros da história contemporânea, é provável que nunca tenha ouvido falar nele antes de 2003.

José Dirceu ou Zé Dirceu foi um jovem idealista. Liderou o movimento estudantil na ditadura sanguinária - que se instalou no Brasil em 1964 - que fechou o Congresso, deu carta branca para o sequestro, a tortura e a morte de opositores.

Dirceu sempre foi uma espinha na garganta dos militares golpistas , associados às elites endinheiradas, às empresas multinacionais e ao comando dos EEUU. Gostariam de tê-lo apanhado, tê-lo torturado até a morte.

 O líder estudantil foi salvo por meio da ação das organizações que fizeram sequestros de embaixadores para trocar por companheiros que se exauriam nos porões clandestinos de tortura, mantidos pelo Estado. Em 1969, o  MR-8 e a ALN sequestraram o embaixador dos Estados Unidos e exigiram a libertação de prisioneiros constantes de uma lista,  salvando-os da morte certa. Entre eles estava José Dirceu, um jovem de 23 anos.

Retornou para o Brasil clandestinamente, em 1971, com o objetivo de continuar na luta. Depois da anistia participou da fundação do PT e deu início à carreira política dentro da legalidade. Uma frágil democracia, que até hoje ainda se reconstrói dos escombros, sob o manto da impunidade dos que impingiram o Estado de Terror no Brasil. Um tapete de silêncio ainda encobre fatos que marcaram o período da ditadura.

 Foi deputado constituinte, quando se estabeleceu a Constituição Cidadã de 1988. Também foi artífice da candidatura Lula.  Dirceu é odiado por nunca ter-se curvado. As ocorrências durante o governo Lula são marcadas pela hipocrisia. Aquela mesma que pauta a mídia, quando tenta esconder a Privataria Tucana.

As privatatizações realizadas pelo governo do tucanato foram um gigantesco esquema de caixa dois. O nome é este mesmo, a corrupção maior é decorrente desta indignidade. É o maior já existente na história. Documentos em profusão provam a existência do esquema da privataria tucana. Antes disso, há o canal que abasteceu o pseudo mensalão, que, como todos sabem, foi o valerioduto. Quem montou o esquema, com muitos milhões de dólares, foi o governador de Minas Gerais, o tucano Azeredo. O canal era o caixa dois da campanha do tucanato nacionalmente.

Voltando a José Dirceu, o Zé Dirceu, eu o reconheço como um homem que lutou e que continuou a lutar mesmo depois das torturas. Um homem que teve todas as oportunidades do mundo para abandonar a luta pela reconstrução do País. Ao contrário de muitos, ele nunca mudou de lado.
Enquanto houver o sistema eleitoral montado pelas elites oriundas da ditadura, a corrupção não acaba. Façamos a Reforma Política. Construída por meio de ampla consulta popular e não pelas velhas raposas.

Leila Jinkings. Recife, 12 de junho de 2012.

Bem a propósito, sobre o que escrevi acima, assista a hilária e estarrecedora entrevista de Ciro Gomes.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Revisitando a hipocrisia do discurso de oportunidade

 Meias verdades e muita dissimulação no debate sobre a questão da descriminalização do aborto.Como se pode conferir na matéria reproduzida da revista TPM, a chefe de torcida e coordenadora da campanha de "massa" do candidato tucano Serra, confessa que praticou o aborto e que reconhece como uma questão de saude pública. Não estávamos em ano eleitoral.
A inquisição, sempre a chafurdar e a esperar uma oportunidade de acender a fogueira, cola nas forças que tem José Serra como a única chance de ressuscitar o autoritarismo e o arbítrio no País. Militares aposentados, torturadores de pijama, religiosos hipócritas, interesseiros e vendilhões demonizam os que entendem a questão como uma questão de estado, de saude pública. O Estado é laico. O fundamentalismo esconde interesses.


A atriz Vera Zimmermann, a apresentadora Cynthia Howlett, a vereadora Soninha Francine e a VJ Penélope Nova já fizeram aborto. Um milhão de brasileiras passam pela mesma experiência todos os anos. Segundo nosso Código Penal, escrito em 1940, todas elas estão cometendo um crime. Vera, Cynthia, Soninha e Penélope tiveram a coragem de mostrar a cara porque são a favor da legalização do aborto. Nenhuma delas têm boas lembranças da experiência. Mas sabem que não é com  ameaça de cadeia que vai se conseguir resolver o problema

 Soninha Francine, 37, é vereadora em São Paulo e apresentadora da ESPN:
“Fiz um aborto quando fiquei grávida pela terceira vez. Tinha duas filhas, ainda não tinha entrado em contato com o budismo e meu casamento estava acabando. Já estava tudo muito difícil, não ia conseguir levar aquela gravidez adiante. Falei com uma amiga que já tinha feito, e ela me indicou o médico. Tinha muitas dúvidas, mas minha amiga me disse que passou pelas mesmas encanações e que, por isso, depois do aborto, pediu ao médico para ver o feto. Como estava com menos de cinco semanas de gravidez, a única coisa que ela viu foi sangue. Isso me tranqüilizou. Fui ao consultório, que era perto do metrô, no Largo da Concórdia. Meu marido foi comigo. Chegamos, entrei numa sala, e o médico raspou meu útero com uma espécie de colher. Demorou uns 15 minutos. Doeu, doeu, doeu e aí acabou. O médico perguntou se eu estava me sentindo bem e disse que eu podia ir embora. Na primeira menstruação depois do aborto tive hemorragia. Fui para a Beneficência Portuguesa. O médico que me examinou perguntou se eu estava grávida. Disse que tinha feito um aborto 15 dias atrás. Ele falou que talvez tivesse que fazer uma nova curetagem. Alguma coisa tinha dado errado. Fiz a curetagem, com anestesia, tudo como uma operação comum. O ultra-som acusou ‘restos de abortamento’, que merda. Passei uma noite no hospital e fiquei pensando que coisa grotesca eu tinha feito. Não queria que ninguém soubesse, estava com muita vergonha. Não era nem porque eu poderia ser presa, era vergonha mesmo. Hoje, tenho certeza de que não faria outro, mas naquela época foi muito decidido. O budismo, a religião que sigo, diz que você não deve tirar a vida de nenhum ser. Para o budismo, o feto, a célula fecundada, é um ser. Mas não há como negar: as pessoas fazem aborto. E, quanto mais escondido, maior o risco. Se você se espeta com uma agulha de crochê no banheiro da rodoviária é grande a chance de ter uma infecção. Então, a melhor coisa a fazer é tentar diminuir o número de vidas perdidas nesse processo. Para mim, não é o caso de uma defesa do tipo ‘cada um faz com o seu corpo o que quiser’. Não acho que a mulher é a dona do seu corpo e foda-se o que ela faz com ele. Mas o fato de ser considerado crime provoca inúmeras mortes, e isso não é bom. Acho que o ideal seria descriminar, mas sem liberar geral. Aborto é uma questão de saúde pública, mas deve ser tratado como exceção.”


Penélope Nova, 31, é VJ da MTV:
“Fiz aborto duas vezes. A primeira foi em 1989, com 15 anos. Na época, não se usava camisinha como hoje. Engravidei do meu primeiro namorado, com quem tinha perdido a virgindade. O namoro já havia acabado quando soube que estava grávida. Era muito nova e não via sentido em ter um filho naquelas circunstâncias. Meu ex só soube depois que eu já tinha feito o aborto. Não contei antes porque tive medo de que ele quisesse ter o bebê. A única pessoa que ficou sabendo foi minha mãe, que já morava na Itália, e sempre foi muito minha amiga. Decidi fazer com Cytotec, que na época era vendido em farmácias sem a necessidade de receita. Todo mundo sabia que aquele remédio para úlcera induzia o organismo a iniciar um processo de contrações similar a um aborto natural. Estava com cinco semanas e achei bem menos arriscado o remédio que o aborto em clínicas, mais invasivo. Depois de tomar, senti cólica por meia hora. Não tive hemorragia nem arrependimento, sei que foi a decisão certa. Não vejo sentido em ficar pensando como teria sido minha vida com um filho indesejado – e não gostaria de ser um. Provocar um aborto não é uma coisa natural, não é saudável e não é gostoso. Não acho que o aborto deva ser incentivado, mas também não cometi nenhum crime. É por isso que defendo a descriminação. E não apenas em meu nome, mas em nome das mulheres que vêem no aborto a única alternativa, a ponto de enfiarem uma tesoura na vagina para poder provocá-lo. A educação funciona, mas a médio/longo prazo. Quando a educação cumprir seu papel, o número de abortos vai cair naturalmente. As questões de cunho religioso/espiritual devem ser respeitadas tanto quanto o direito de ter ou não outras convicções. Aos 26 anos, optei pelo aborto uma segunda vez. Eu usava DIU e estava namorando há algum tempo, por isso transava sem camisinha. Dessa vez fui ao meu médico e disse que queria fazer um aborto. Mesmo ele não sendo pró-aborto, me orientou para tomar o Cytotec porque concordou que a pílula era menos invasiva que a intervenção. Mais uma vez, não me causou nenhum trauma. Fui prevenida, mas não tinha vontade de ter filho sem um pai presente. Não acredito que bastam condições financeiras. E não gostaria de ser mãe solteira, porque acho que a responsabilidade de gerar alguém vai além da capacidade de procriar. Já vivemos num mundo com gente estourando pela tampa e sequer sabemos até quando haverá água para todos.”

http://revistatpm.uol.com.br/revista/41/reportagens/descrimine-ja.html

BRASIL NUNCA MAIS

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