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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Sobre a hipocrisia e opções ante criações do homem

Reproduzo aqui o artigo de Fernando Antônio Gonçalves, como um convite à reflexão sobre a sociedade que queremos para nós, para nossos filhos, para nossos netos.

Bofetada na hipocrisia
Fernando Antônio Gonçalves

Um amigo-irmão muito amado, já plenitude da eternidade, muito imitado mas jamais igualado, dizia vez por outra, para seus colaboradores mais chegados, que o Vaticano era a coisa mais antievangélica que ele conhecia. Vez que estava recheado de hipocrisias e salamaleques que nada tinham a ver com a mensagem salvífica do Homão da Galileia, aquele que nunca fundou religião alguma e que apenas buscava evolucionar as relações entre os seres humanos, ampliando solidariedades sem discriminação de qualquer natureza. Concordando integralmente com o amigo-irmão, ampliei minha antipatia pelo Vaticano quando li Oscar Romero e a comunhão dos Santos, de Scott Wright, editora Paulus, tornado público este ano.

Para quem ainda não se antenou, dom Oscar Romero foi arcebispo de San Salvador, tendo sido assassinado por um atirador de elite do exército salvadorenho treinado na Escola das Américas, nos Estados Unidos, em 24 de março de 1980, quando celebrava missa na capela do Hospital da Divina Providência.

Em 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 24 de março como o Dia Internacional pelo Direito à Verdade acerca das Graves Violações dos Direitos Humanos e à Dignidade das Vítimas, em reconhecimento à atuação de dom Oscar Romero em defesa dos direitos humanos. E na Galeria dos Mártires do Século 20 da Abadia de Westminster, Inglaterra, estão solenemente reverenciados a madre Elisabeth da Rússia, o reverendo Martin Luther King, o pastor Dietrich Bonhoeffer e o arcebispo Oscar Romero.

O livro de Scott Wright, na sua introdução, narra a caminhada de milhares, todos os anos em novembro, conduzindo cruzes que são levantadas à medida que o nome de cada um dos mártires da América Latina é pronunciado. E a procissão se concentra diante da School of the Americas, Fort Benning, Geórgia (EUA), manifestando-se contrariamente aos treinamentos militares dos exércitos latino-americanos responsáveis pelas mortes dos mártires citados. Em 16 de novembro de 2008, no décimo nono aniversário do assassinato de seis jesuítas, da governanta e da sua filha, a Pax Christi USA, promotora do evento, convidou o jesuíta Jon Sobrino para participar da vigília de encerramento, na ocasião concedendo-lhe prêmio pelo seu livro No salvation outside the poor, editado pela Paulinas sob título Fora dos pobres não há salvação. Na ocasião, os participantes proclamaram a força do testemunho das milhares de vítimas, numa procissão de três horas de duração pelos portões da base militar.

A leitura do livro do Scott Wright revigora têmperas neste atual momento histórico, onde inúmeros cristãos ainda ignoram "a glória de Deus é a pessoa pobre viva" e a história de um arcebispo convertido pelos alicerces fincados do Concílio Vaticano II. Um arcebispo que fora de militância conservadora mas que ampliou sua enxergância a partir dos contato com os excluídos, que lutam por reais mudanças da ordem dominante, buscando demolir as hipócritas camadas "democráticas" dos sistemas políticos e religiosos. E que proclamava: "Sabemos muito bem qual é a sorte dos pobres em El Salvador: ser capturados, torturados, encarcerados e ser encontrados mortos. E o cristão que não deseja viver esse compromisso de solidariedade com os pobres não é digno de ser chamado cristão". Um recado muito oportuno para o muito purpurado grandão. Metido a bento.

Fernando Antônio Gonçalves é professor universitário e pesquisador social
Artigo publicado na edição de 10/08/2011, no Jornal do Commercio, Pernambuco, página Opinião. (ARTIGOS - OPINIÃO JC)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

NÃO AOS IDIOTS SAVANTS

Recomendo a leitura do belo texto de Belluzzo, chamando à reflexão sobre os rumos que queremos dar à sociedade que estamos a construir. Importante parar um pouco e pensar (alguns devem fazer  um esforço bem grande). Pensar no que é a nossa sociedade, como ela funciona. Será que ela pode ser diferente? Leia o texto de Belluzzo, vale a pena.
Aliás, o número especial da Carta Capital, Especial 600, trás opinião de variadas parcelas da sociedade: empresários, industriais, militantes, filósofos, sociólogos, artistas, ...


Temos de superar o velho desenvolvimento que admitia o avanço social como consequência natural do crescimento econômico
Luiz Gonzaga Belluzzo


EM 2003, todos auguravam um desastre para a economia brasileira, mas o que se observou foi a progressiva aceleração do crescimento do PIE num ambiente de baixa inflação. À sombra de uma política monetária bastante conservadora, o País executou uma política fiscal prudente e uma estratégia de acumulação de reservas, construindo defesas sólidas para prevenir os efeitos da crise. Isto foi proporcionado, já dissemos, por uma conjuntura internacional excepcionalmente favorável. 
 
Nesse ambiente benfazejo, a política monetária do governo Lula manteve a taxa de juros e o câmbio fora do lugar. Criou-se uma situação do tipo "há bens que vêm para o mal", ou seja, o câmbio valorizado era compensado pelos preços generosos formados num mercado mundial superaquecido e especulado.
Nessas condições, seria não só desejável, mas obrigatório, buscar uma combinação câmbio-juro real mais estimulante para a substituição de importações, o avanço das exportações nos segmentos de maior intensidade tecnológica e para o investimento em novos setores, mais dinâmicos. 
 
O crescimento da indústria é almejado porque impõe a diversificação produtiva e torna mais densas as relações intrassetoriais e intersetoriais, proporcionando, ao mesmo tempo, ganhos no comércio exterior e na economia doméstica. Esta façanha exige a elevação da taxa de investimento da economia dos atuais 20% para 25%do PIE. Mas isto não vai cair do céu. 
 
Em vez de papagaiadas ideológicas, o pragmatismo chinês tratou de compreender a natureza das forças que movem hoje as transformações do capitalismo. Sabem, ademais, que vivem em um mundo em que prevalece a assimetria de poder, não só político, mas econômico. A liberdade de gestão monetária capaz de promover a estabilidade do câmbio e dos juros depende, numa economia emergente de alto crescimento, da acumulação de reservas. Por sua vez, a acumulação de reservas, sem danos fiscais, só pode ocorrer com taxas de juro baixas. Esta é a regra do jogo hoje. 
 
Em 2008, o Brasil sofreu uma crise de confiança que se manifestou no encolhimento da liquidez no mercado interbancário e travou o crédito para empresas e consumidores. Isso impactou rapidamente o setor privado, que cortou drasticamente a produção corrente e, sobretudo, reduziu os gastos de investimento. 
 
Não há dúvida de que o Brasil foi beneficiado pelo comportamento das commodities, cujos preços não sofreram perdas consideráveis, como em outras ocasiões. O Brasil desvencilhou-se da crise porque o governo estava estava preparado e adotou as medidas anticíclicas corretas quando sobreveio a tormenta. O governo brasileiro reagiu com competência ao impacto da crise de 2007-2008. A ação das autoridades e dos bancos públicos foi decisiva para reabilitar o crédito, sobretudo mediante a compra de carteiras das instituições de porte médio e da ação tempestiva do BNDES na sustentação do crescimento do funding de longo prazo.

Mas essa foi uma ação conjuntural. Quais são os trabalhos a longo prazo? O Brasil sofreu perdas na composição de muitas cadeias industriais, como eletroeletrônica, bens de capital e farmacêutica. Os otimistas argumentam que, ainda assim, o País preservou uma fração importante do aparato industrial e, sobretudo, valeu-se do dinamismo do agronegócio, que respondeu muito rapidamente às transformações ocorridas na divisão internacional do trabalho. A ascensão econômica da China e dos asiáticos em geral, com dotações de recursos naturais diferentes da nossa. Mudou a configuração do comércio internacional.

A despeito dos benefícios, a nossa relação com a China, a exemplo, começou a ficar assimétrica: tornamo-nos fornecedores de commodities, dada a nossa grande e diversificada disponibilidade de recursos naturais. e começamos a perder começamos a perder espaço na esfera industrial, perder participação nos terceiros mercados, permitindo, ademais, um crescimento das importações que denotam a substituição perigosa da produção doméstica.

Está na hora de estabelecer critérios nas negociações que reequilibrem essa relação, pois não é possível um país de 200 milhões de habitantes sofrer uma perda industrial por conta de uma integração produtiva e comercial imprópria.

Alguém me perguntou outro dia o que o Brasil pretende do seu desenvolvimento. Vou falar, em primeiro lugar, da infraestrutura. Estamos diante de um binômio transporte-energia que não utiliza racionalmente nossa constelação de recursos e a distribuição espacial das atividades, cada vez mais descentralizada. O modelo da "automobilização" não tem futuro - nem mesmo com o carro elétrico -, porque sua reprodução tornará ainda mais dolorosa a vida urbana. O modelo também é inviável para o transporte de longa distância.

Mais importante do que a infraestrutura é definir o destino que pretendemos dar ao sistema educacional brasileiro, ao caminho que oferecemos aos cidadãos, do ensino básico ao superior. Não se trata apenas de abastecer adequadamente o mercado de trabalho. É importante, sim, formar mais técnicos e engenheiros, carreiras desestimuladas pelo baixo crescimento das últimas décadas. Mas, antes de tudo, é preciso conter a degradação que está ocorrendo em todos os níveis da educação no Brasil: a especialização precoce, em detrimento da formação cultural mais ampla e mais sólida, capaz de permitir a autonomia e a fruição da liberdade pelo cidadão. Pois não se forma um bom engenheiro se o profissional não tem noção do país onde vive, do mundo onde sobrevive.

Na verdade, está-se produzindo hoje, desculpem a expressão, uma geração de idiots savants, que se especializam no seu ramo de atividade e não têm a menor noção do mundo onde vivem. Comentei numa entrevista: basta acompanhar o que você lê na internet. É assustador. Isso demanda maior empenho, sobretudo das camadas "esclarecidas" da sociedade civil, na construção de uma política cultural compatível com a democracia de massas.

Assim, a infraestrutura, a educação formal e a política cultural são as três questões fundamentais. Temos de superar o velho desenvolvimentismo que admitia o avanço social e cultural como consequência natural do desenvolvimento econômico e nos perguntar: que sociedade desejamos? Os grandes autores perscrutaram a história para responder a questão: o que somos nós, os brasileiros? É hora de perguntar: que sociedade queremos?

Quando me refiro a uma política cultural, estou falando de uma integração do indivíduo, dos grupos sociais ao mundo contemporâneo; saber, afinal de contas,quais são os valores que queremos preservar. Imagino que sejam os mesmos que a modernidade colocou como um desafio para a nossa ação política: a liberdade, a igualdade e a compreensão.

O que estamos assistindo, hoje, desgraçadamente, no mundo inteiro e acho que no Brasil com mais intensidade, é um processo de obscurecimento, e nesse particular tem enorme importância o que queremos dos meios de comunicação de massa. Hoje em dia você tem um grande debate travado em torno da liberdade de expressão. A mídia, a grande mídia, sob a consigna da liberdade de expressão trata de impedir que se desenvolva o verdadeiro debate sobre o Brasil ou sobre os temas que afligem a humanidade. Contra esse controle, temos de lutar pela diversidade. Promover a diversidade é uma obrigação das políticas públicas: não deixar que o poder da informação, concentrado em poucas empresas, se transforme em censura da opinião alheia. Porque a internet ainda é uma caixa de ressonância da grande imprensa: os blogs e quejandos, em sua maioria, reproduzem o que a grande imprensa diz, na forma e no conteúdo, porque estão com a consciência crítica danificada.

O projeto da liberdade não pode, como dizia Adorno, se separar da questão da compreensão, do entendimento, da crítica e da capacidade de se formular projetos. E isso está bloqueado hoje, no Brasil, por conta da banalização da vida e da celebração das celebridades. Tudo está sendo feito para que a sociedade se transforme em uma massa amorfa que não tem papel nenhum a desempenhar na projeção de seu próprio destino. <.>

CARTA CAPITAL Especial 600 / 16 DE JUNHO DE 2010 , págs 48 e 49

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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Gaspari escreve sobre bolsitas do ProUni e repõe verdades


A cota de sucesso da turma do ProUni

Por Elio Gaspari, no Jornal O Globo


A demofobia pedagógica perdeu mais uma para a teimosa insubordinação dos jovens pobres e negros. Ao longo dos últimos anos o elitismo convencional ensinou que se um sistema de cotas levasse estudantes negros para as universidades públicas eles não seriam capazes de acompanhar as aulas e acabariam fugindo das escolas. Lorota. Cinco anos de vigência das cotas na UFRJ e na Federal da Bahia ensinaram que os cotistas conseguem um desempenho médio equivalente ao dos demais estudantes, com menor taxa de evasão. Quando Nosso Guia criou o ProUni, abrindo o sistema de bolsas em faculdades privadas para jovens de baixa renda (põe baixa nisso, 1,5 salário mínimo per capita de renda familiar para a bolsa integral), com cotas para negros, foi acusado de nivelar por baixo o acesso ao ensino superior. De novo, especulou-se que os pobres, por serem pobres, teriam dificuldade para se manter nas escolas.

Os repórteres Denise Menchen e Antonio Gois contaram que, pela segunda vez em dois anos, o desempenho dos bolsistas do ProUni ficou acima da média dos demais estudantes que prestaram o Provão. Em 2004, os beneficiados foram cerca de 130 mil jovens que dificilmente chegariam ao ensino superior (45% dos bolsistas do ProUni são afrodescendentes, ou descendentes de escravos, para quem não gosta da expressão),

O DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino foram ao Supremo Tribunal Federal, arguindo a inconstitucionalidade dos mecanismos do ProUni. Sustentam que a preferência pelos estudantes pobres e as cotas para negros (igualmente pobres) ofendiam a noção segundo a qual todos são iguais perante a lei. O caso ainda não já foi julgado pelo tribunal, mas já foi relatado pelo ministro Carlos Ayres de Britto, em voto memorável. Ele lembrou um trecho da Oração aos Moços, de Rui Barbosa: "Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real."

A "Oração aos Moços" é de 1921, quando Rui já prevalecera com sua contribuição abolicionista. A discussão em torno do sistema de acesso dos afrodescendentes às universidades teve a virtude de chamar a atenção para o passado e para a esplêndida produção historiográfica sobre a situação do negro brasileiro no final do século XIX. Acaba de sair um livro exemplar dessa qualidade, é "O jogo da dissimulação - Abolição e Cidadania Negra no Brasil", da professora Wlamyra de Albuquerque, da Federal da Bahia. Ela mostra o que foi o peso da cor.

Dezesseis negros africanos que chegaram à Bahia em 1877 para comerciar foram deportados, apesar de serem súditos britânicos.

Negros ingleses negros eram, e o Brasil não seria o lugar deles.

A professora Albuquerque transcreve em seu livro uma carta de escravos libertos endereçada a Rui Barbosa em 1889, um ano depois da Abolição.

Nela havia um pleito, que demorou para começar a ser atendido, mas que o DEM e os donos de faculdades ainda lutam para derrubar:

"Nosso filhos jazem imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guiá-los por meio da instrução."
A Comissão pedia o cumprimento de uma lei de 1871 que prometia educação para os libertos. Mais de cem anos depois, iniciativas como o ProUni mostraram não só que isso era possível, mas que, surgindo a oportunidade, a garotada faria bonito.

ELIO GASPARI é jornalista

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Xô, Hipocrisia



Enquanto a mídia comercial e a inútil oposição (?) tentam desqualificar os projetos sociais, o mundo reconhece no Governo Lula medidas que, a longo prazo, serão fundamentais para a elevação do nível de vida no Brasil.

O Le Monde, jornal francês de grande influência, publicou reportagem sob o título “Au Brésil, une bourse pour aller à l'école”, na qual se desmancha em elogios ao Bolsa Família. Entre outras afirmações, diz que o projeto “visa fazer com que cada brasileiro possa se alimentar a contento; obrigar cada criança a cumprir seu ciclo de escolarização obrigatória de oito anos, num país onde o trabalho é legalmente autorizado apenas a partir de 16 anos; e fazer com que os mais pobres possam ser beneficiados pelos serviços públicos disponíveis nos setores da educação e da saúde, e, com isso, possam exercer seus direitos de cidadão. Por fim, ele lhes proporciona os meios necessários para participarem, nem que seja de maneira humilde, da vida econômica.”

A reportagem diz ainda que o programa Bolsa Família é o sucessor do Bolsa Escola, que foi uma experiência lançada em Brasília em 1994. “(...) O Bolsa Família acabou juntando diversos mecanismos de ajuda. Ele é atualmente o maior programa em todo mundo de transferência de dinheiro em proveito de famílias pobres”.

Ele desmente os que criticam, dizendo que, longe de tornar as famílias acomodadas, a pequena renda recebida com os projetos sociais faz com que trabalhem mais que as outras famílias. Como um dado muito positivo, cita que “A proporção de pobres no Brasil diminuiu, passando de 34%, em 2003, para 25% em 2006. A evolução do índice Gini (um coeficiente criado pelo italiano Corrado Gini, que mede o grau de desigualdade na distribuição da renda numa determinada sociedade) aponta uma redução sensível das desigualdades sociais no país no decorrer do mesmo período. Em 2007, 1,4 milhão de famílias perderam o benefício do Bolsa Família, após terem ultrapassado, indo na direção certa, o limite de pobreza.”

E os pobres leitores de Veja ainda repetem os espasmos invejosos, já tão manjados. Seriam mais felizes se procurassem a informação séria.

Seguem aqui os dois parágrafos iniciais da íntegra da matéria. Logo abaixo, disponibilizada a matéria original e a sua tradução.

Leila

No Brasil, governo paga bolsa para quem vai à escola

Por Jean-Pierre Langellier, no Le Monde


Com tradução de Jean-Yves de Neufville, no UOL Mídia Global

''Sem esse dinheiro, não daria para chegar ao fim do mês'', salienta Maria, 46 anos, uma desempregada. ''Para mim, esta é uma ajuda vital'', comenta Sandra, 43 anos, que sobrevive fazendo bicos como costureira. ''Graças a esta quantia, os meus filhos podem estudar'', conta Socorro, 45 anos, ''ao passo que no meu caso, quando eu era criança, em vez de um lápis e de um caderno, tudo o que me ofereceram foi uma pá de cavar''. Essas três mães de família brasileiras, muito pobres, fazem a mesma avaliação favorável a respeito da mais bem-sucedida das iniciativas sociais do governo Lula: o programa ''Bolsa Família''.

Implantado em 2003, este ''mecanismo condicional de transferência de recursos'' - conforme é chamado pelos especialistas - funciona com base num princípio simples. O Estado brasileiro deposita uma ajuda mensal para as famílias ''pobres'' e ''muito pobres'', com a condição de que as suas crianças, caso existam, sejam escolarizadas e que elas possam apresentar uma caderneta de vacina em dia.


Original no Le Monde

Com tradução no UOL Mídia Global

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BRASIL NUNCA MAIS

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