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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Alceu Valença - Recife (participação especial: Carminho)


Magnífica gravação de Recife Saudade com
a participação da cantora portuguesa Carminho*




Ôô Saudade, saudade tão grande
Saudade que sinto do clube das fardas
Os vassouras passistas traçando
Tesouras nas ruas dos poetas de lá
Batidas de congos
São maracatus retardados
Que chegam a cidade cansados
Com seus estandartes no ar

Ôô Saudade, saudade tão grande
Saudade que sinto do clube das fardas
Os vassouras passistas traçando
Tesouras nas ruas repletas de lá
Batidas de bongos
São maracatus retardados
Que chegam a cidade cansados
Com seus estandartes no ar

Que adianta
Se o Recife está longe
A saudade é tão grande
Que eu até me embaraço

Parece que vejo Valfrido
Simulando um passo
Aroldo, Fatia e Colasso
Recife está dentro de mim
Batidas de congos
São maracatus retardados
Que chegam a cidade cansados  
Com seus estandartes no ar

Maria do Carmo de Carvalho Rebelo de Andrade, artisticamente conhecida simplesmente como Carminho é uma cantora e compositora portuguesa. É filha da também fadista Teresa Siqueira, e é considerada uma das mais talentosas e inovadoras cantoras de fado da sua geração, interpretando também outros géneros musicais, como a música popular portuguesa, a música popular brasileira e jazz.

(fonte: wikipedia)

domingo, 15 de agosto de 2010

Uma Noite em 67 - O trailer oficial e a crítica



Leia a crítica:
“Uma Noite em 67”: Ecos de rebeldia
Cloves Geraldo *
Documentário de Renato Terra e Ricardo Calil põe na tela o dia 21 de outubro de 67, final do III Festival da Musica Popular Brasileira da TV Record, e relembra o poder dos festivais realizados durante a ditadura militar

Nada mais emblemático dos anos 60, no Brasil, do que os festivais de música popular. Eles canalizavam as reprimidas manifestações políticas, permitindo aos músicos e ao público externar suas frustrações e protestar contra a ditadura dos generais. Com músicas que refletiam as angústias da população, lotavam o auditório da TV Record e ampliavam o clamor de liberdade da maioria silenciosa. Clima que os diretores Renato Terra e Ricardo Calil passam ao espectador através de entrevistas com músicos e jurados em 67 e hoje em seu filme “Uma Noite em 67”.

Às vezes dá para sentir que havia algo mais do que competição musical nos festivais. Impressão não descartada por seu produtor, Solano Ribeiro, ao dizer que eles, com o tempo, ganharam clamor político. Este aparece na “polêmica” sobre o uso da guitarra nos arranjos e apresentações dos concorrentes, motivo de passeata e discussão entre os próprios músicos e jurados. Alguns; casos de Caetano Veloso e do crítico, compositor e jornalista Nelson Mota, achavam (e continuam a achar) que o debate era inócuo, secundário, pois se tratava apenas de um instrumento musical. Destituído, portanto, de uso político-ideológico.

No entanto, o jornalista Chico Assis vê a instrumentalização da guitarra como necessária ao combate aos EUA, que apoiava a Ditadura Militar. Uma forma, portanto, de chamar atenção para o imperialismo cultural, que usava seu “lixo musical” para invadir o mercado fonográfico nacional. Uma visão que mostra a carência de espaço para manifestação político-ideológica durante o regime militar. Naqueles anos, de forte repressão, perseguição às esquerdas e à oposição, qualquer manifestação era logo sufocada e os participantes mandados para os porões dos serviços de inteligência.

Podiam ter sido outros
símbolos do imperialismo

Então, não importava se fosse chapéu de cowboy, Coca-Cola ou guitarra o instrumento usado pelos artistas e a esquerda para protestar contra a censura, o imperialismo ianque, cassação de mandatos políticos e a ausência de liberdades democráticas no país. A guitarra era a forma de luta válida para as esquerdas não se acomodarem à mordaça dos generais. Até mesmo o violão de Sérgio Ricardo, atirado ao público, que o impediu de cantar sua “Beto Bom de Bola”, reflete a tensão do momento. Tão significativo quanto o apelo de Geraldo Vandré, que penou para levar adiante a apresentação de sua “Pra não dizer que não falei de flores”, no Festival de 68, e cunhou a emblemática frase: “A vida não se resume em festivais”.

Havia, entretanto, inquietação no teatro: José Celso Martinez Correia (“Roda Viva”); no cinema: Glauber Rocha (“Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”), e em outras artes, embora “Uma Noite em 67” se concentre só na final do III Festival. Apenas o espectador mais velho pode antever nas letras das músicas fragmentos dessas manifestações. Edu Lobo clamando por liberdade: “Quem me dera agora eu tivesse a viola pra cantar, em “Ponteio””; Chico Buarque denunciando a falta de “voz ativa”, em “Roda Viva”; Gilberto Gil levando “José/João” para o redemoinho de uma vida que lhe escapa em “Domingo no Parque”; e, por fim, Caetano Veloso, na cinematográfica “Alegria/Alegria”, destoa dos demais ao fazer uma ode aos beatniks, ao roadmovie, à Coca-Cola, símbolo maior do consumismo ianque, e à então musa da Nouvelle Vague, Brigitte Bardot, que depois se revelou racista e conservadora.

A inquietação de Gil e Caetano levou-os adiante. Ao Tropicalismo. Retomada do “Manifesto Pau Brasil”, de Osvald de Andrade, dos ritmos nordestinos (forró, coco, maxixe), do circo mambembe, fundidos ao rock dos Beatles, Jefferson Airplane, Rolling Stones, ao psicodelismo, movimento hippie e concretismo, cujo ecletismo chacoalhou a música, o teatro e o cinema (“Macunaíma”, de Joaquim Pedro de Andrade). E foi pisoteado pelas botas dos generais, que exilou seus líderes: Velloso e Gil. Dele restou o inquieto e criativo Tom Zé e crias tardias, como Titãs.

“Uma Noite em 67”, no entanto, não utiliza a estética de ruptura da época. É por demais comportado. Tem o formato de um documentário de TV, com entrevistas e cenas de arquivo do festival e sequências de entrevistas estáticas. Centrado na noite de 21 de outubro de 67, seu olhar só deixa os músicos e a platéia para passear pelos bastidores. É quando oferece momentos engraçados com os entrevistadores Randal Juliano e Cidinha Campos, descontraídos, relaxando os concorrentes, dando espaço aos músicos. Mostram a faceta bem humorada do Roberto Carlos, líder da “Jovem Guarda”, programa musical cor de rosa da TV, que não incomodava os generais.

É, assim, filme de acomodação de opiniões, cheias de retoques, bem ao estilo do conservadorismo atual, que foge a qualquer tipo de comprometimento político-ideológico. Quando muito atira a esmo.

“Uma Noite em 67.”. Brasil. Documentário. 2010. 93 minutos. Direção: Renato Terra. Ricardo Calil. Elenco: Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Logo, Caetano Veloso, Sérgio Ricardo.

Portal Vermelho

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fafá fala de sua cidade

 
A cantora brasileira Fafá de Belém não só tomou para si o nome da cidade onde nasceu como é uma coleccionadora de histórias do lugar. "A lembrança mais remota da minha vida são os cheiros e os sabores de Belém", diz. "Ali existe uma overdose de paladares e uma variedade enorme de raízes, sementes, cascas de árvores e frutas que é preciso experimentar para depois reflectir."

Como toda a paraense, é capaz de viver em qualquer parte do mundo, mas 'leva' sempre um pouco do Pará consigo. "Eu posso estar no Rio, no Alentejo ou no Porto e na minha geladeira você vai encontrar ingredientes para fazer um vatapá. Dou um jeito de passar na alfândega levando o que preciso. Quando volto de Portugal também nunca deixo de trazer um chouriço escondido na mala", conta entre gargalhadas.
Um dos seus amigos na cidade é o chefe Paulo Martins, dono do Lá em Casa, restaurante que ela recomenda sem reservas. "Para vocês terem uma ideia do talento do Paulo, basta dizer que o catalão Ferran Adrià, que é uma estrela internacional, foi a Belém no final do ano passado para conhecer Paulo Martins e reverenciá-lo pelo seu trabalho de valorização da cozinha amazónica."
A cidade tem tradições só conhecidas de quem é de lá. Uma das mais inusitadas é o hábito de tomar sopa de tacacá às cinco da tarde, na banca da Dona Marina, e depois seguir para a sorveteria Cairu, que faz os melhores gelados locais. No périplo gastronómico de Fafá não podem faltar caipirinhas de taperebá e graviola nem sucos de frutas de murici, cupuaçu e graviola.
Além de oferecer mesa farta e exótica, Belém é uma cidade arborizada, com construções remanescentes do período colonial. Um dos conjuntos arquitectónicos mais interessantes é o complexo Feliz Lusitânia, premiado pela Unesco como exemplo de restauração do património. A cidade foi ali fundada pelo algarvio Francisco Caldeira Castelo Branco. Na praça é possível visitar a Sé, o Museu de Arte Sacra e o Forte do Presépio. Junto a esses monumentos fica o palacete das Onze Janelas, erguido por um senhor de engenho e que hoje é uma espécie de restaurante e bar, com música ao vivo, onde os embalos seguem madrugada dentro.
Imperdoável para Fafá é ir a Belém e não visitar a ilha do Marajó ou a ilha fluvial do Mosqueiro, a 70 quilómetros da capital, onde há chalés construídos pelos ingleses na época do ciclo da borracha. Entre os passeios obrigatórios, ela cita o Museu dos Minerais, com o seu jardim de pedras preciosas e o Museu Emilio Goeldi, fundado em 1866 por um grupo de intelectuais e naturalistas preocupados em estudar a fauna e a flora da região.
A festa popular mais importante é o Círio de Nazaré, celebrada no segundo domingo de Outubro, quando milhares de pessoas ocupam as ruas e os turistas esgotam todos os hotéis. Para Fafá, independentemente de qualquer roteiro turístico, é preciso ir a Belém com tempo "para assistir ao pôr-do-sol nas Docas, ver as crianças colhendo mangas nas ruas na hora da chuva e passar algumas horas no mercado Ver-o-Peso, junto ao rio, para descobrir o que existe só ali e que por isso é tão único e especial."
Na agenda da Fafá


Melhores restaurantes
- Lá em casa (Estação das Docas), Peixaria do Careca (Av. Alcindo Cacela, 4288) Manjar das Garças (Rua Dr. Assis, s/n, Parque Ecológico Mangal das Garças, Cidade Velha).

Estação das Docas - Antigos armazéns reformados, onde há vários restaurantes, bares, cervejarias, livrarias. Boulevard Castilho França, 707.

Livraria Jinkins - Perseguidos na época da ditadura, os donos conseguiram manter a livraria como um ponto de liberdade na cidade. Rua Tamoios, 1592.

Hotéis - Hilton e Crowe Plaza. Ela tem uma suite permanentemente reservada em cada um.
Mercado Ver-o-Peso - Ponto turístico às margens da Baía do Guajará, que engloba o mercado de peixe, cuja estrutura de ferro foi toda trazida da Inglaterra, e uma feira de frutas, raízes, sementes, legumes, que funciona ao ar livre.

O que comprar - Banho de Cheiro, perfume típico de Belém, feito com ervas amazónicas. Na Perfumaria Orion, Rua Frutuoso Guimarães, 270.

Produtos Juruá - Sabonetes, cremes, champôs, essências e óleos. Artesanato Juruá. Rua Deodoro de Mendonça, 319.

Show no Teatro da Paz. Incrível apresentação da toada Vermelho

terça-feira, 25 de maio de 2010

O Cordel da Banda Larga

Cordel da Banda Larga – Gilberto Gil

Cordel da BANDA LARGA

Pôs na boca, provou, cuspiu.
É amargo, não sabe o que perdeu
Tem o gosto de fel, raiz amarga
Quem não vem no cordel banda larga
Vai viver sem saber que o mundo é o seu

Tem um gosto de fel, raiz amarga
Quem não vem no cordel da banda larga
Vai viver sem saber que o mundo é o seu

Uma banda da banda é umbanda
Outra banda da banda é cristã
Outra banda da banda é kabala
Outra banda da banda é al-koorão
E então, e então, são quantas bandas?
Tantas quantas pedir meu coraão

E o meu coraão pediu assim só
Bim-bom, bim-bim-bom, bim-bão

Todo mundo na ampla discussão
O neuro-cientista, o economista
Opinião de alguém que está na pista
Opinião de alguém fora da lista
Opinião de alguém que diz não

Ou se alarga essa banda e a banda anda
Mais ligeiro pras bandas do sertão
Ou então não, não adianta nada
Banda vai, banda fica abandonada
Deixada para outra encarnaão

Ou então não, não adianta nada
Uma vai outra fica abandonada
Os problemas não terão soluão

Piraí, Piraí, Piraí
Piraí bandalargou-se há pouquinho
Piraí infoviabilizou
Os ares do município inteirinho
Por certo que a medida provocou
Um certo vento de redemoinho

Diabo do menino agora quer
Um ipod e um computador novinho
O certo é que o sertão quer navegar
No micro do menino internetinho

O Netinho baiano e bom cantor
Já faz tempo tornou-se um provedor ? provedor de acesso
À grande rede www
Esse menino ainda vira um sábio
Contratado do Google, sim sinhô

Diabliu de menino internetinho
Sozinho vai descobrindo o caminho
O rádio fez assim com o seu avô
Rodovia, Hidrovia,
Ferrovia e agora chegando a infovia
Pra alegria de todo o interior.

Meu Brasil, meu Brasil, bem brasileiro
O You Tube chegando aos seus grotões
Veredas dos Sertões, Guimarães Rosa
Ilíadas, Luzíadas, Camões
Rei Salomão no Alto Solimões
O pé da planta, a baba da babosa

Pôs na boca, provou, cuspiu
É amargo, não sabe o que perdeu
É amarga a missão, raiz amarga
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu

É amarga a missão, raiz amarga
Quem vai soltar balão na banda larga
É alguém que ainda não nasceu?

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Lírio Ferreira e o novo clipe do Paralamas do Sucesso


O novo clipe do Paralamas do Sucesso faz referências ao Nordeste na música "Mormaço". Faz parte do disco "Brasil Afora".

O cantor Zé Ramalho e o artista paraibano Totonho tem participação especial no vídeo. A direção é do ótimo Lírio Ferreira, de "Baile Perfumado" e "Árido Movie". Foi rodado na Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro.

domingo, 11 de abril de 2010

La Belle sempre



Só para homenagear sempre esta bela. Um bonito clip de Malcon McLaren com a participação marcante de la Deneuve. Paris, Paris e Catherine Deneuve. Desfrute.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Cordel para um alfabetizado mal educado e babaca



Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara-Ba,


Eu já estava estressado
Temendo até por vingança.
Meus alunos na escola
Leitores da ‘cordelança’
E a galera em geral
Sempre a me fazer cobrança.

Todo mundo me acusando
De cordelista medroso
Omisso, conservador
Educador preguiçoso
Por não me pronunciar
Sobre Caetano Veloso.

Logo eu, trabalhador,
Um pouco alfabetizado
Baiano de Santa Bárbara
Sertanejo antenado
Acima de tudo um forte…
E por que ficar calado?

Resolvi tomar coragem
E entrei logo em ação.
Fui dialogar com o povo
E colher a opinião
Se Caetano está correto
Ou merece punição.

Lápis e papel na mão
Comecei a anotar
Tudo em versos de cordel
Da cultura popular
A respeito de Caetano
Conforme vou relatar.

— Artista santo-amarense
Amante da burguesia
Esse baiano arrogante
Cheio de filobostia
Discrimina o presidente
Esbanjando ironia.

— Caro artista prepotente
Tenha mais discernimento.
Seja um Chico Buarque
Seja Milton Nascimento
Seja a luz do Raul Seixas
Deixe de ser rabugento.

— O Caetano deveria
Ser modesto e mais gentil
Porém o seu narcisismo
Que não é nada sutil
Faz dele um homem frustrado
Por ser bem menor que Gil.

— Seu comportamento vil
É algo de outra vida
Ele insiste em muitos erros
Não cura sua ferida
Por isso sua falação
É de alma involuída.

— Caetano é um arrogante
Partidário da exclusão
O que ele fez com Lula
Faz com qualquer cidadão
Sobretudo gente humilde
Que não tem diplomação.

— Por que este cidadão
(O Caetano escleroso)
Não criticou Figueiredo
Presidente desastroso?
Além de aproveitador
O Caetano é medroso.

— Esse Cae que ora vejo
Não representa a Bahia.
Ser o chefe da Nação
Esse invejoso queria
Mas a sua paranóia
Pouco a pouco lhe atrofia.

— Já pensou se o Caetano
Fosse então educador ?!
“Mataria” os seus alunos
Pela falta de pudor
Pela discriminação
Pelo brio de ditador.

— Ele não leu Marcos Bagno
Pois é leitor displicente.
Seu preconceito lingüístico
Contra o nosso presidente
Discrimina Santo Amaro
Terra de Assis Valente.

— Ele ofende até os mortos:
Paulo Freire, Gonzagão
Patativa do Assaré
O Catulo da Paixão
Ivone Lara, Cartola
Pixinguinha, Jamelão…

— Caetano é um imbecil
Da ditadura um amante.
Um artista egocêntrico
Decadente ambulante
Se julga intelectual
Mas é mesmo arrogante.

— A Bahia está de luto
Diante da piração
Desse artista rabugento
Que adora a exclusão,
Vaca profana, ególatra
Que quer chamar a atenção.

— Vai de reto, Caetanaz
Pega o Menino do Rio
Garoto alfabetizado
Que te provoca arrepio.
Esse sim, não é grosseiro
Nem cafona pro teu cio.

— Um burguês reacionário
Que odeia a pobreza.
Ele não gosta de negro
E só vive na moleza.
Sempre foi um lambe-botas
Do Toninho Malvadeza.

— Vou atender meu cachorro
Pois é algo salutar
Muito mais que prazeroso
Que parar pra escutar
O Caetano elitista
Que começa a definhar.

— Certamente o Caetano
Esqueceu do Gardenal.
Bem na hora da entrevista
Lá se foi o bom astral
Desandou no Estadão
Dando um show de besteiral!

— Caetano ‘Cardoso’ segue
Sempre a favor do “vento”
Por entre fotos e nomes
Sem lenço nem argumento
Vivendo só do passado,
Cada vez mais ciumento.

— Eu respeito a sua arte
Mas preciso declarar
Que quando não tá na mídia
Cae começa a atacar
Sobre tudo as pessoas
De origem popular.

— O Caetano gosta mesmo
É de gente diplomada:
Serra, Aécio, Jereissati,
Toda tribo elitizada…
Bajulou FHC
Que fez muita trapalhada.

— O Caetano discrimina
Pois está enciumado.
Na verdade, o nosso Lula
É um homem educado.
Um nordestino sensível
Muito mais que antenado.

— Dona Canô, com 100 anos
Não perdeu a lucidez.
Mas seu filho Caetano
Ficou pirado de vez
Transformando-se num “cara”
De profunda insensatez.

— Ofendeu Marina Silva
— Através do Silogismo
Mistura de Lula e Obama
Logo quer dizer racismo:
Mulher cafona, grosseira
Analfabeta – que abismo!

Adoro Mabel Veloso,
Betânia, dona Canô…
Para toda essa família
Meu carinho, meu alô.
Mas o mestre Caetanaz
Já está borocoxô!

É proibido proibir
O cordelista versar
Pois conforme disse Cae
“Gente é para brilhar”.
Então permita ao poeta
Liberdade de pensar.

Brasileiros, brasileiras
A Bahia está de luto.
Racistas em nossa terra
Radicalmente eu refuto.
Estamos envergonhados,
Todos fomos humilhados
Oh Caetano ‘involuto’.

FIM

Salvador, triste primavera de 2009

http://barretocordel.blogspot.com/2009/11/caetano-veloso-um-sujeito-alfabetizado.html

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS


FUI VER E RECOMENDO. ÓTIMO FILME.



Documentário musical sobre a vida e a obra do compositor, advogado, deputado federal e criador das leis de direito autoral, Humberto Teixeira. Teixeira foi um dos compositores mais prolíficos na música popular brasileira e precursor da criação de um dos estilos mais importantes, o baião. Ele foi responsável por clássicos como Adeus Maria Fulo e Asa Branca, a segunda canção mais popular no Brasil.
.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

BOAS FESTAS CALIENTE



Esta canção tradicional do fim de ano caboverdeano, São Silvestre, é cantada numa mistura de português e crioulo. Não consegui a letra.

É uma música que guarda grande identidade conosco.

Acho tão chatinhas as jingobels, com clipes cheios de neve ... tudo tão distante de nós.

Este clipe agora é mais bonito ainda:



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Suplica Cearence - Alta Qualidade O Rappa novo clipe



Súplica Cearense
(Gordurinha e Nelinho)

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

domingo, 2 de agosto de 2009

A vingança de consumidor que estourou no mundo



Empresa área quebra guitarra e vira hit na internet


Dave Caroll, um músico canadense que teve seu violão danificado durante um vôo entre o Canadá e os Estados Unidos se transformou num novo hit na internet. Mais de 4,5 milhões de pessoas já viram no YouTube um videoclipe que ele gravou com uma reclamação musicada contra a United Airlines. O sucesso do vídeo fez com que a empresa, que havia se recusado a indenizar o músico, revisse sua posição.



Em março de 2008, durante uma viagem entre Halifax, no Canadá, a Chicago, nos Estados Unidos, onde Dave iria se apresentar, teve um dissabor. Sua guitarra apareceu quebrada na esteira de bagagens. O conserto de seu violão quebrado durante o transporte custou mais de R$ 2.400 , mas a United se recusou a pagar.


Após meses tentando uma compensação da companhia, sem resultados, Dave teve ideia de postar o videoclipe com a reclamação no YouTube. “Vocês quebraram, deveriam consertar. Vocês são responsáveis, admitam. Eu deveria ter voado com outra companhia ou ido de carro, porque a United quebra guitarras”, diz ele na música.


Amigos do cantor representaram carregadores de bagagem e jogam entre eles, sem cuidado, uma caixa de violão, que cai no chão, enquanto Carroll e outros passageiros vêem a cena das janelas do avião. A vingança foi um sucesso. Dave foi parar no programa da Oprah, uma das maiores audiências da TV americana.


E não parou por aí. A canção “United Breaks Guitars” (United Quebra Guitarras) é atualmente a 20ª mais vendida na lista do iTunes no Canadá, e as vendas dos CDs de sua banda, Sons of Maxwell, também subiram. Até o fabricante da guitarra danificada ofereceu a ele um novo instrumento. Depois de tanto barulho, a United escreveu uma carta a ele sugerindo compensá-lo pelo violão quebrado. Demorou tanto que o músico já tem uma segunda música engatilhada e uma terceira no forno. A United agora corre para consertar o prejuízo. Quer ressarcir o músico e um porta-voz ainda propôs usar o vídeo em treinamentos internos sobre atendimento ao cliente.

Uma revanche perfeita de um consumidor indignado. Que venham outras!

(blog do curioso)

terça-feira, 30 de junho de 2009

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Franz Schubert - Standchen (Serenade)



The Odeum Guitar Duo (Robert Wetzel & Fred Benedetti) performs the well known composition by Franz Schubert / arr. Franz Liszt - Standchen (Serenade) - in concert on a live television broadcast in San Diego, California on April 8, 2001.

Arranged by Robert Wetzel who used the Franz Liszt solo piano arrangement (S. 560:7) as the source for adapting the guitar duo version heard and seen here.

A belíssima música de Schubert, omposta para piano, e concerto de cordas. Lindo!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Cheios do Swing




Wilson Simonal, um dos cantores mais importantes da década de 1960 , teve sua vida - ascensão e queda - biografada no documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", que tem a intenção explícita de reabilitá-lo perante a história.

Conhecido pelo seu swing, Simonal chegou a ter um mascotinho, o Mug, que fez sucesso entre as garotas, na época da jovem guarda.

Mas, em seguida, sucede a ditadura e Simonal se envolveu com ela, o que veio à tona em 1971, em um episódio, que envolveu um funcionário seu, espancado a seu pedido por “amigos” do Dops.

Todos os jornais da época noticiaram sobre o assunto, estamparam fotos e tudo mais. O funcionário, que era seu contador, o denunciara à justiça, que diante das irrefutáveis provas, o condenou por cárcere privado e agressão física. A arrogância do artista o levou a argumentar, no processo judicial, que era informante da polícia, como a querer angariar simpatia, em plenos anos de chumbo.

O filme, além de usar o tempo do verbo errado (teria), ao referir-se ao feito de Simonal, tenta despertar no espectador a compaixão pela derrocada de sua carreira.

Acho válido que se tente recuperar o valor do talento dele como artista, embora pessoalmente não consiga separar o homem da sua arte. Não com a desfaçatez de colocar em dúvida fatos comprovados, como faz o filme e a mídia surfando nessa onda.

O ombudsman da Folha de São Paulo na época, Mário Magalhães, registrou a sua estranheza. Afinal, o jornal dele dera há anos a notícia que agora tentam imputar à perseguição de uma esquerda rancorosa.

Simonal não foi vítima da intolerância nem da esquerda, nem muito menos de preconceito racial, como querem alguns. Ele foi vítima de sua formação moral deficiente, de seu débil caráter. Foi vítima da própria arrogância. O contador, sim, foi vítima de truculência e injustiça. Jamais foi confirmada a suspeita de Simonal, jamais se provou nada contra o contador. E ele foi humilhado e torturado.

Muitos blogs e colunas têm se deixado envolver por inconsistentes e cômodas suposições, ajudados por uma patética afirmação da Secretaria de Direitos Humanos, de que jamais foi provado que Simonal pertencia realmente aos quadros de informantes do Dops e das Forças Armadas. Uma homenagem? Patético. Talvez não tenham achado nenhum cadáver para testemunhar. Até porque, na época, nem o direito á integridade de seu cadáver, os mortos conseguiam manter. Mas que dá importância a provas de que ele fosse ou não dos quadros, se foi Simonal mesmo quem afirmou em juízo ser informante? Alguém de boa fé, pode ter dúvidas?

Deixo aqui trechos do texto do ombudsman:


"A história omitida
(...) A Folha publica hoje reportagem sobre documentário biográfico de Simonal.
O jornal embarca na versão de que o cantor foi "acusado" de ser informante da ditadura militar.
A história inteira (pelo menos a conhecida): à Justiça ele afirmou que não era informante "apenas" do Dops da Guanabara, mas também de órgão do Exército encarregado de combater os inimigos do regime.
Mais: Simonal levou ao tribunal testemunhas. Policial do Dops e oficial do Exército confirmaram a condição de informante da polícia política e das Forças Armadas.
Não faço idéia se essas informações constam do filme.
Mas é estranho que estejam ausentes da reportagem do jornal.
O motivo é simples: elas constam do noticiário da Folha no dia seguinte à morte de Simonal.
Os documentos legais, nos quais o artista se diz informante e apresenta testemunhas, seguem à disposição. Eles foram revelados pela Folha. ...”


Resumindo: 1) levou como testemunha sua um detetive do Departamento de Ordem Política e Social do Estado da Guanabara. Este assegurou que o cantor era informante do Dops. 2) Outra testemunha de defesa, um oficial do 1° Exército, afirmou que o réu colaborava com a unidade. 3) O juiz sentenciou: Simonal era colaborador das Forças Armadas e informante do Dops’. 4) Em 1976, acórdão do Tribunal de Justiça do RJ reafirmou a condição de ‘colaborador do Dops’.

Melhor acatar a sugestão de Jânio de Freitas: “Coloquem a palavra ‘dedo’, antes de duro”.

Ponto final.

Leila Jinkings

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Apesar de Você

02 Apesar de Voce.wma

Apesar De Você
Chico Buarque

(Coro Crescendo)
Amanhã vai ser outro día x 3

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

(Coro)
Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de “desinventar”.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

(Coro3)
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

(Coro4)
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá…….


Pois é, Presidente Lula
Queremos os arquivos da ditadura abertos
e toda a dor e o sofrimento reparados.
.

sábado, 9 de maio de 2009

Poetas do Repente - cordel e poesia

Vídeo precioso, mostra a arte do improviso na poesia.Repentistas e cantadores recitam seus versos e contam histórias.
A galera do hip hop e do rap presente, ligadíssima, mostra que a cultura tem força. Lindo!



Ficha técnica
Video:
Poetas do Repente - produzido pela Fundação Joaquim Nabuco - Roteiro Hilton Lacerda, Direcção Cynthia Falcão (2006)
Árvore do Dinheiro – Roteiro Marcos Buccini (2002)
Imagens - Sites:
Três Caras Produções
Fundação Casa de Rui Barbosa
Museu do Folclore
Fundação Biblioteca Nacional
Biblioteca Mário de Andrade
Academia Brasileira de Literatura de Cordel
Jornal de Poesia
Jorge Filó (blog)
José Honório da Silva (blog)
Som:
Daniel Meirinho (locução)
Poeta Cantador Antônio Lisboa
Poeta Cantador Edmilson Ferreira
Poeta Cantador Sebastião Dias
Textos:
Daniel Meirinho
Sebastião Dias
Edmilson Ferreira
Felipe Pinto

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Belo Epitáfio

É muito bonita, esta música gravada pelos Titãs e por Nasi, do IRA! Não sei qual é a mais bonita intepretação. As duas estão maravilhosas. Prestaram atenção à letra? É uma bela poesia. Posto aqui o vídeo com o irresistível Nasi e o áudio dos Titãs, logo abaixo. Deleitem-se!



Epitáfio
(Sérgio Britto, dos Titãs)

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
Até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr

Titãs autor Sergio Brito - Epitáfio

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Festa de Uma Raça


1988 - Campeã do Grupo Especial
Kizomba, Festa de Uma Raça
Luiz Carlos da Vila, Rodolpho de Souza e Jonas Rodrigues

Valeu Zumbi!

O grito forte dos Palmares
Que correu terras, céus e mares
Influenciando a abolição
Zumbi valeu!
Hoje a Vila é Kizomba
É batuque, canto e dança
Jongo e maracatu
Vem menininha pra dançar o caxambu
Ôô, ôô, Nega Mina
Anastácia não se deixou escravizar
Ôô, ôô Clementina
O pagode é o partido popular
O sacerdote ergue a taça
Convocando toda a massa
Neste evento que congraça
Gente de todas as raças
Numa mesma emoção
Esta Kizomba é nossa Constituição
Que magia
Reza, ajeum e orixás
Tem a força da cultura
Tem a arte e a bravura
E um bom jogo de cintura
Faz valer seus ideais
E a beleza pura dos seus rituais
Vem a Lua de Luanda
Para iluminar a rua
Nossa sede é nossa sede
De que o "apartheid" se destrua
Valeu!

http://www.gresunidosdevilaisabel.com.br/1988.asp

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

50 Anos da Bossa Nova



Programa Sarau, de Chico Pinheiro, nos 50 anos da Bossa Nova.
Carlinhos Lyra, sua filha Kay Lyra (grata surpresa), Vanda Sá, Leny Andrade e Marcos Vale.
Beleza.

BRASIL NUNCA MAIS

BRASIL NUNCA MAIS
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