domingo, 10 de julho de 2011

Por uma chuveirada, Dorival encara a guarda




O Dia Em Que Dorival Encarou a Guarda por tielsam

Por uma chuveirada, Dorival encara a guarda

Gaúcho de Uruguaiana (RS), o jornalista, romancista e cineasta Tabajara Ruas é autor de um relato que, pelas artes do cinema, ganhou vida própria: O dia em que Dorival encarou a guarda, oitavo capítulo do segundo romance de Ruas, “O amor de Pedro por João”.

  Por José Carlos Ruy, Portal Vermelho

O romance foi escrito no exílio, na Dinamarca. Militante contra a ditadura militar desde o tempo de estudante, em 1966, em Porto Alegre, Ruas exilou-se para não ser preso, e ficou fora do país entre 1971 e 1981 (morou no Uruguai, Chile, Argentina, Dinamarca, São Tomé e Príncipe e Portugal).

“O amor de Pedro por João”, explicou ele, é a história de lutadores contra a ditadura, “homens e mulheres das mais variadas classes sociais. Existe uma freira, alguns estudantes, militares e religiosos que constituem um grupo antimilitar, em fuga do Brasil em direção ao Chile” que permanecia um espaço democrático, e de refúgio para perseguidos políticos, antes do golpe militar do general fascista Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973. Estes personagens formavam, explicou, “um mosaico complexo, compondo todo o tecido social do Brasil”.

Em 1986, este trecho do romance serviu de argumento para o premiado curta metragem, que tem o mesmo nome do capítulo, e foi dirigido por Jorge Furtado e José Pedro Goulart, com a colaboração do próprio Ruas na elaboração do roteiro. O curta colecionou uma lista de prêmios, entre eles o de melhor curta, ator, júri popular e prêmio da crítica no Festival de Gramado de 1986, melhor curta de ficção no 21º Festival de Cinema Ibero americano de Huelva (Espanha), e no 8º Festival Internacional do Novo Cinema Latino americano de Havana (Cuba).

Em sua simplicidade e profundo sentido humano, a história tem a profundidade dos dramas clássicos gregos. É uma denúncia candente da bestialidade da tortura (e não só no período da ditadura militar de 1964...): depois de dez dias de cadeia, Dorival só queria tomar um banho. Por isso confrontou a entorpecente e irracional lógica carcerária de que “ordens são ordens”. Numa demonstração paradoxal de que não há conquista sem luta, e sem sacrifícios, ele “encara” a guarda, sofre as consequências mas, no fim, alcança seu objetivo e é posto debaixo do chuveiro.

Leia aqui o texto "O dia em que Dorival encarou a guarda", de Tabajara Ruas, na íntegra. 

Por uma chuveirada, Dorival encara a guarda - Portal Vermelho

domingo, 3 de julho de 2011

"Sábado Resistente" debate o período da ditadura militar no Brasil

 

Os encontros acontecem em um sábado de cada mês, no Memorial da Resistência em São Paulo. Nesse último "Sábado Resistente", o grupo fez uma homenagem ao militante político Eduardo Leite, o "Bacuri". A história dele pela liberdade virou livro.


sábado, 2 de julho de 2011

Por uma vida melhor - voltando ao assunto


Livro adotado pelo MEC e um certo preconceito linguístico - I



Prof. Diógenes Afonso*

Acerca da polêmica gerada em virtude da adoção, pelo MEC, do livro Por uma vida melhor - da coleção Viver, aprender - [aqui], é preciso tecer algumas considerações preliminares.

Primeiro, a autora da matéria publicada no IG - Thais Arbex - comete um deslize inicial: o título me parece equivocado, porquanto não é o MEC que usa o livro, mas os docentes e os alunos a que o volume se destina. O MEC aprova, adota e recomenda determinado livro, a partir do Programa Nacional do Livro Didático.

Um segundo aspecto diz respeito ao segmento "ensina aluno a falar errado". A meu ver, Thais Arbex demonstra desconhecer alguns preceitos linguísticos, como os presentes na sociolinguística, largamente defendidos por estudiosos da área. Um desses princípios discute a noção de "certo" e "errado" no uso da língua em função de determinadas situações de comunicação.

Para linguistas como Marcos Bagno e Luiz Carlos Cagliari, por exemplo, a questão do "certo" e do "errado" é meramente sociocultural e não encontra amparo linguístico. Vejamos o que diz Cagliari em seu livro Alfabetização e linguística [SP, Scipione, 1999]:

"Certo e errado são conceitos pouco honestos que a sociedade usa para marcar os indivíduos e classes sociais pelos modos de falar e para revelar em que consideração os tem... Essa atitude da sociedade revela seus preconceitos, pois marca as diferenças linguísticas com marcas de prestígio ou estigma."

Deste modo, titular a matéria da forma como se fez só ratifica um preconceito linguístico que precisa ser extirpado, além de não levar em consideração as variantes linguísticas existentes no meio social em que os falantes ou a comunidade linguística exercitam suas diversas formas de comunicação e expressão. A língua é um organismo vivo que não se permite "engessar".

Quer se dizer com isso que se deva "desviar" do que preceitua a norma dita padrão? Claro que não. É preciso, sim, não perder de vista o fato de a variante de maior prestígio social não ser a única, por um simples motivo: ela nunca será do ponto de vista sociolinguístico.

Voltaremos a apreciar essa polêmica na próxima postagem, a partir do posicionamento da autora do livro didático em questão, Heloísa Ramos. Inté breve.
http://www.artigonal.com/linguas-artigos/livro-adotado-pelo-mec-e-um-certo-preconceito-linguistico-i-4771204.html
 
* Graduado em Letras, especialista em linguagem

Livro adotado pelo MEC e um certo preconceito linguístico - II


Prof. Diógenes Afonso*

Di vorta à polêmica sobre a adoção, pelo MEC, do Livro Por uma vida melhor [Coleção Viver, Aprender].

Há pontos a serem discutidos nessa celeuma toda que fogem ao meramente linguístico. Pode-se, por um lado, perguntar por qual razão a coluna Poder Online resolveu publicar, nove horas depois, matéria em que uma das autoras do citado livro faz a defesa de sua obra. Pode-se, ainda, indagar que tipo de jornalismo é esse que primeiro publica, causa danos com um título inapropriado e incoerente com o próprio corpo da matéria e só depois dá ouvidos a quem foi lançado no olho do furacão de forma injusta.

Teria Thaís Arbex faltado com o zelo jornalístico? Teria Thaís, ao titular a matéria, demonstrado pouca habilidade com a adequação vocabular [isso, sim, um dos problemas sérios na produção textual, muito mais do que qualquer "desvio" de concordância verbal]? Ou a jornalista teria usado de má-fé ao fazer o "chamamento" de um matéria que informa, de um modo geral, o contrário do que expõe o título? Aqui não se emite nenhum juízo de valor, embora ele esteja contido em cada indagação. Cabe, apenas, refletir sobre o que se indagou.

Mas vamos à segunda matéria [publicada no mesmo dia 12/05/2011, às 16:08 - aqui] assinada, agora, por uma outra jornalista, Naiara Leão.

O conteúdo publicado dá voz a uma das autoras, e o que se lê é um balde de água gelada no título da matéria de Thaís Arbex [Livro do MEC ensina aluna a falar errado].

Com efeito, Heloísa Ramos [uma das autoras da obra] deixa claro que não pretende promover o ensino das ditas "formas erradas" de expressão e comunicação em língua portuguesa [como contraponto às ditas "formas cultas ou padrões"], mas validar o uso daquelas expressões em contextos de pouca formalidade linguística [aqui me refiro ao que preconiza a norma padrão]:
"Não queremos ensinar errado [Para manter a coerência com a proposta que ela mesma apresenta em um trecho do livro, creio que a professora Heloísa Ramos deveria ter dito: "Não queremos ensinar de forma diversa da norma dita padrão". Usar o termo "errado" apenas abre, por um lado, o fosso em que o "errado" desaba sem piedade e, por outro, contradiz o que a linguística trata como "certo" e "errado" a partir de concretas situações de comunicação - grifo meu], mas deixar claro que cada linguagem é adequada para uma situação. Por exemplo, na hora de estar com os colegas, o estudante fala como prefere, mas quando vai fazer uma apresentação, ele precisa falar com mais formalidade. Só que esse domínio não se dá do dia para a noite, então a escola tem que ter currículo que ensine de forma gradual" [Heloísa Ramos].

Em outro trecho da matéria, é possivel notar que não há intenção de ensinar o aluno a falar errado, como sugeriu Thaís Arbex [primeira matéria sobre o assunto], mas construir ambiências interacionais em que o aluno se sinta contemplado em sua genuína manifestação linguística e, a partir do contato com a outra forma de "dizer" [normatizada pela linguagem dita padrão], perceber que existem formas de comunicação e expressão para contextos diversos. A linguagem socialmente privilegiada deverá ser usada em um determinado contexto, assim como as outras variantes devam ter vida em seus respectivos contextos:
"Ela [Heloísa Ramos] acredita que, ao deixar claro que é tolerada [sic] todo tipo de linguagem, a escola contribui para a socialização e melhor aprendizado do estudante. 'Quem está fora da escola há muito tempo, é quieto, calado e tem medo de falar errado. Então colocamos essa passagem para que ele possa sair da escola com competência ampliada'".

Ademais, não podemos nos esquecer de que os estudos linguísticos, no que concerne ao enfoque dado às variantes linguísticas, pretendem "mostrar" que "O falante deve ser poliglota em sua própria língua", conforme Evanildo Bechara [Se desejar, leia interessante artigo sobre Multiculturalismo e o Ensino de Língua Portuguesa, aqui].

Atire a primeira pedra quem, desses puristas da língua, não se "desvia" da norma dita padrão!... Cantarão eles "Quando chego a casa, nada me consola"? ou preferirá muito mais seguir a regência "não autorizada" [como Caetano Veloso assim procedeu: "Quando chego em casa, nada me consola"] do que o que dita a norma padrão?

Pretendia discutir, também, a posição da linguista Juliana Dias cujo argumento de autoridade é apresentado na matéria. Embora respeite sua forma de ver o ensino da língua [e parece-me que isso deva se estender, para ela, a todas as línguas], assustei-me tanto com o que foi dito que fiquei a me perguntar o que danado ela andou estudando para ser tão inflexível!

Bom, prefiro defender o que diz a doutora e professora da UnB, Viviane Ramalho - invocada também como argumento de autoridade na matéria:

"O ideal seria aprender todas as possibilidades diferentes até mesmo para respeitar o interlocutor que usa outra variedade linguística".

http://www.artigonal.com/linguas-artigos/livro-adotado-pelo-mec-e-um-certo-preconceito-linguistico-ii-4771218.html



* Graduado em Letras, especialista em linguagem
 Diógenes de Oliveira

domingo, 26 de junho de 2011

Passado Inspirador no filme de Wood Allen



Delicioso o último filme de Woody Allen. Divertido, inteligente, como sempre, e, principalmente, surpreendente demais. O protagonista, o alter ego de Allen, é o roteirista de cinema Gil Pender (Owen Wilson). Viaja com a noiva para Paris e encontram uns amigos dela que passam a agendar passeios e visitas a museus.

Gil procura inspiração em Paris para o primeiro romance que está escrevendo e se desvencilia das companhias. Sai sozinho caminhando pelas ruas na noite parisiense. E então envereda pelo lirismo e a fantasia das viagens pelo tempo.

Allen dirije cena com Owen Wilson e Carla Bruni

O filme inteiro faz referências a obras de arte. O casal passeia pelos jardins de Monet e a câmera se posiciona nos ângulos das pinturas que conhecemos. Caminham pelos jardins do museu Rodin e é lá a participação de Carla Bruni.
 Mas é na noite que ele encontra figuras lendárias da música, da literatura, da pintura, do cinema,  como Cole Poter, Scott e Zelda Fitzgerald, Ernest Hemingway , Gertrude Stein, Pablo Picasso, Henri Matisse, T.S. Eliot, Salvador Dalí, Luís Buñel, Paul Gauguin, Degas, Toulouse Lautrec. Josephine Baker.

Corey Stoll interpreta  Ernest Hemingway

Impagável o encontro com os surrealistas Dalí, Man Ray e Buñel em uma mesa de bar. As loucuras encantadoras de Zelda Scoth, a música de Cole Poter, o charme do ator Corey Stoll na interpretação de Hemingway, o Can Can no Molin Rouge, tudo é festa e fantasia.

Não morro de amores por Allen, mas adorei o Meia Noite em Paris. Tem todos os ingredientes do bom Woody Allen: fotografia maravilhosa, questionamentos filosóficos, humor, ótima música, boa direção, roteiro fantástico, romance. É aquele tipo de filme que a gente sai extasiada, achando tudo lindo.


Leila Jinkings, junho de 2001                
 
Assista o Trailer:
Meia Noite em Paris
Direção e Roteiro Woody Allen
2011, EUA, FR ES








sexta-feira, 17 de junho de 2011

Razões de Uma Vitória - vídeo

A Televisão Cubana inciou em abril deste ano a transmissão da série "Razones de una Victoria".  

Através de testemunhos e observações de Cuba e dos EEUU, análises do acontecimento de abril de 1961 na Playa Girón, que conduziram a Primeira Derrota do Imperialismo na América Latina. São cincoenta anos. Assista aqui o primeiro capítulo, Resistir a pie firme.

“Resistir a pie firme”, Capítulo I de las Razones de una Victoria. Razones de Cuba

Parte 1


Parte 2



Link para o original:
“Resistir a pie firme”, Capítulo I de las Razones de una Victoria (+ Video) | Razones de Cuba
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O II Encontro Nacional - II BlogProg - e a Democratização

Pelo Direito Humano de Informar e ser Informado. Democratização da Comunicação Já!

E viva o II Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas do Brasil! Participe do Movimento.
Centro de Convenções da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio
Brasília.

 PROGRAMAÇÃO


Transmissão ao vivo pela Rede Brasil Atual e Rede TVT ao vivo a partir desta sexta-feira (17), direto do auditório da CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio). Ao todo, estarão envolvidos na transmissão cerca de dez profissionais.


17 de junho, sexta-feira

17 horas – Início do credenciamento
19 horas – Palestra  "Os desafios da comunicação no governo Dilma Rousseff", pelo ministro Paulo Bernardo
21 horas – Festa de confraternização.

18 de junho, sábado
9 horas – A luta por um novo marco regulatório da comunicação
- Deputada Luiza Erundina (PSB) – coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão;
- Jurista Fábio Konder Comparato – autor da Ação de Omissão (ADO) do Congresso Nacional na regulamentação da comunicação;
- Professor Venício Lima – autor do livro recém-lançado “Regulação das comunicações”.
14 horas – Oficinas autogestionadas e simultâneas
1 – Os partidos e a luta pela democratização da comunicação.
- José Dirceu (PT), João Arruda (PMDB), Brizola Neto (PDT), Renato Rabelo (PC do B), Randolfe Rodrigues (PSOL) – mediação: José Augusto Valente;
2 – O sindicalismo na era da internet
- Artur Henrique (CUT), Luis Carlos Mota (Foraça Sindical), Nivaldo Santana (CTB), Ricardo Patah (UGT), Ubiraci Dantas (CGTB) e Antônio Augusto de Queiroz (Diap) – mediação: Rita Casaro;
3 – A política da internet, tecnologias e a neutralidade na rede
- Sérgio Amadeu, Marcelo Branco, Ricardo Poppi, José Carlos Caribé, Tatiane Pires – mediação: Diego Casaes;
4 – Arte, humor, militância e compromisso: agora por nós mesmos. Compartilhando experiências
- Mediação: Sérgio Teles e Paula Marcondes;
5 – Reforma agrária e as perspectivas na comunicação
- Gilmar Mauro, Rodrigo Vianna, Letícia Silva, Sergio Sauer – mediação: Igor Felippe;
6 – Mulheres na blogosfera
- Luka da Rosa, Amanda Vieira, Mayara Melo – mediação: Niara de Oliveira;
7 – Perseguição e censura contra a blogosfera
- Paulo Henrique Amorim, Esmael Morais e Lino Bocchini – mediação: Altamiro Borges.
8 – A militância digital e as redes sociais
- Eduardo Guimarães, Luis Carlos Azenha, Conceição Oliveira (Maria Frô) – mediação: Conceição Lemes.
9 – Lan houses e a internet na periferia
- Mediação: Mario Brandão.
10 – A economia da outra comunicação: os caminhos e desafios da sustentabilidade da blogosfera
- Ladislau Dawbor, Marcio Pochmann, Clayton Mello – mediação: Renato Rovai.
• Oficina sobre ferramentas do blog – mesa: Marcos Lemos;

19 de junho, domingo
9 horas – reuniões em grupo: troca de experiência, balanço e desafios da blogosfera progressista;
14 horas – Plenária final: aprovação da carta dos blogueiros e constituição da nova comissão nacional organizadora.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Valeu, Tiago


A novela Amor e Revolução vai sofrer mudanças. A causa: a mercadoria que interessa, a audiência.

Já ouço coros: sabia que ia dar nisso, o que há por trás, etc etc etc

Não se pode, no entanto, tirar o mérito do acontecimento. A iniciativa do SBT e do autor Tiago Santiago, a novela sobre os anos de chumbo, provocou um debate impensável, reacendeu velhas cinzas. Não é pouco. 

Lamentável a interferência, mas já estava demorando. A visão de Sílvio está ficando ainda mais curta. Acha que, conquistado um status, ele pode mexer e remexer e as pessoas vão deixar por menos.

Caberia ao autor recusar. A novela já tem um lugar garantido na História. Será objeto de estudos na academia, será referência mundial em matéria de literatura e de manifestação artística sobre os assassinatos e torturas, ainda hoje, sob o véu do silêncio e da impunidade. Se parasse hoje seria melhor do que se render às imposições do patrão. 

Na novela falta dramaturgia, tem muito clichê, a direção deixa a desejar. Mas a História é muito boa e a causa maior ainda. O depoimento de gente que não tinha antes sua voz repercutindo na esfera pública colocada ao final de cada capítulo é algo impagável.

A temática LGBT foi contemplada sem falsos pudores, sem importar-se de estar ofendendo ou chocando os setores conservadores e/ou homofóbicos enrustidos. Isso foi, sim, um avanço. "Só quem sente essa opressão é que pode mensurar", disse-me uma amiga lésbica, entusiasmada pela novidade.

Tem pastelão, tem. Vai haver mais a mando do patrão. Mas não gosto de ver críticas mono angulares. Não vejo muita gente escrever com tanta gana sobre as baboseiras de pastelões nocivos - cheios de preconceitos ditos e implícitos - capitaneados pela Globo.

Eu prefiro dizer: valeu, Tiago. Foi bom enquanto durou. 

Leila Jinkings , Recife, 16 de junho de 2011

domingo, 12 de junho de 2011

A GRANDE FARSA


Sebastião Nery, em sua coluna publicada em diversos veículos nacionais e no Diário de Pernambuco do dia 11 de junho, a que deu o título de “A Farsa Italiana”, dá oportunidade à fruição do velho e bom jornalismo, objeto um tanto raro na atualidade. Com a sabedoria que os bons acumulam no exercício da função, Nery faz um resumo didático das implicações políticas quando se trata de Itália. Ele viveu na Itália que poucos se preocupam de conhecer minimamente, o período das lutas populares contra o fascismo e a corrupção. Dá informação privilegiada sobre as conexões da máfia italiana e as instituições políticas e administrativas daquele país, com direito à resgate histórico.
Considero a leitura imprescindível, motivo pelo qual disponibilizo na íntegra, já que o jornal restringe o acesso:

Diário de Pernanbuco – Política 11. Recife, sábado, 11 de junho de 2011
A FARSA ITALIANA -
Sebastião Nery


Rio - Em junho de 1982, foi encontrado estrangulado em Londres, embaixo da Blackfriars Bridge (a Ponte dos Irmãos Negros), o banqueiro italiano Roberto Calvi, presidente do Banco Ambrosiano, que acabava de quebrar, e tinha como diretores o arcebispo Marcinkus, o conde Umberto Ortolani e o chefe da P-2 italiana (maçonaria), Lício Gelli.

Nos dias seguintes, na Itália e na Inglaterra, apareceram assassinados vários outros ligados a Calvi. Não é só na Santo André do ABC petista que se “limpa a área”.
No meio da confusão estava o conde papal Umberto Ortolani, um dos quatro Cavaleiros do Apocalipse italiano.
O conde

Quando, a partir de 1990, a Operação Mãos Limpas chegou perto deles, o conde Ortolani, banqueiro do Vaticano e diretor do Corriere de La Sera, depois de mais um magnífico almoço com Brunello di Montalcino, mostrava-me Roma lá de cima de sua mansão no Gianiccolo e me dizia:
– Isso não vai acabar bem.
Depende o que é acabar bem. Para ele e seus aliados acabou péssimo. Mas para a Itália acabou melhor do que se imaginava. O Ministério Público e a Justiça italiana enfrentaram a disfarçada e criminosa aliança, que vinha desde a década de 1950 entre a Democracia Cristã e seus aliados e a máfia.
Houve centenas de prisões, suicídios. Nunca antes a máfia tinha sido tão encurralada e atingida. Responderam com atentados e bombas, detonando carros e assassinando procuradores, juízes e a esquerda radical.
Fortes poderes

Os grandes partidos (a Democracia Cristã, o Socialista, o Liberal) explodiram. O Partido Comunista, conivente, desintegrou-se. E meu velho amigo conde, condenado a 19 anos, morreu em 2002, aos 90 anos. O banqueiro, o maçom, o arcebispo e o conde eram uma história exemplar do satânico poder dos banqueiros, mesmo quando, como ele, um banqueiro de Deus, vice-presidente do banco Ambrosiano do arcebispo Marcinkus, que fugiu para os Estados Unidos, asilou-se e nunca saiu de lá.
Os que criticaram, sem conhecer os fatos, o ex-ministro Tarso Genro e Lula por terem dado asilo político ao italiano Cesare Battisti, deviam ler um livro imperdível: Poteri forti (Fortes poderes, o escândalo do Banco Ambrosiano), do jornalista italiano Ferrúccio Pinotti, abrindo as entranhas do poder de corrupção do sistema financeiro italiano, de braços dados com governos, partidos, empresários, maçonaria e máfia.
Mãos Limpas

A Operação Mãos Limpas não teria havido se um punhado de bravos jovens, valentes e alucinados, das Brigadas Vermelhas e dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), não tivesse enfrentado o Estado mafioso, naquela época totalmente dominado pela máfia.
O governo, desmoralizado, usava a máfia para eliminá-los. Eles reagiam, houve mortos de lado a lado e prisões dos principais líderes intelectuais, como o filósofo De Negri (hoje professor em Paris) e o escritor Cesare Battisti, depois asilado na França e agora asilado no Brasil pelo STF.
Eu morava lá, vi tudo, escrevi muito. Quando cheguei a Roma em 1990, como adido cultural, a luta ainda continuava, sangrenta, devastadora. Foram eles, os jovens rebeldes das décadas de 1970 e 1980, que começaram a salvar a Itália. Se não se tivessem levantado de armas na mão, a aliança Democracia Cristã, Partido Socialista, Liberais e máfia estaria lá até hoje.
Berlusconi

Berlusconi é o feto podre que restou e um dia será extirpado. O ex-presidente da França, Jacques Chirac, corrupto com atestado público, a pedido de Berlusconi retirou o asilo político de Battisti e o Brasil lhe deu. Tarso Genro e Lula estavam certos. O problema foi, era e continua político.
O primeiro-ministro fascista Berlusconi e o desfrutável presidente, o ex-comunista Giorgio Napolitano, esconderam-se quando o juiz Falcone foi assassinado e o procurador Pietro comandou a Operação Mãos Limpas. Agora ameaçam levar o Brasil à Corte Internacional de Haia. Uns pândegos.
Battisti

Por que a Itália não devolveu Caciolla, o batedor de carteira do Banco Central, quando o Brasil pediu? As Salomés de lá e de cá queriam entregar à máfia a cabeça de Battisti, que não conheço, nunca vi e nunca li.
Mas, por acompanhar de perto as lutas do último meio século da Itália, posso assegurar que a diferença entre Battisti e Dilma é que Dilma chegou ao poder e Battisti só chegou às livrarias. A luta política que os dois fizeram era a mesma. As organizações a que pertenceram tinham os mesmos objetivos. O que os diferencia é que Dilma nunca participou de ação armada e Battisti sim. Se tivessem surgido as mesmas situações que Battisti enfrentou, as armas de Dilma não eram para matar passarinho.

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http://www.diariodepernambuco.com.br/2011/06/11/politica11_0.asp

BRASIL NUNCA MAIS

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