quarta-feira, 29 de abril de 2009

Belo Epitáfio

É muito bonita, esta música gravada pelos Titãs e por Nasi, do IRA! Não sei qual é a mais bonita intepretação. As duas estão maravilhosas. Prestaram atenção à letra? É uma bela poesia. Posto aqui o vídeo com o irresistível Nasi e o áudio dos Titãs, logo abaixo. Deleitem-se!



Epitáfio
(Sérgio Britto, dos Titãs)

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
Até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…
Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr

Titãs autor Sergio Brito - Epitáfio

domingo, 26 de abril de 2009

Manipulação, Abuso e Poder da Mídia



Carta Maior convidou alguns dos mais expressivos nomes do jornalismo e da academia brasileira para um debate sobre a atuação da mídia no Brasil.

O Encontro reuniu os professores Laurindo Leal Filho, Venício Lima, o jornalista Luis Nassif e o professor Damian Loreti, da Universidade de Buenos Aires. Além de convidados especiais Antonio Roberto Espinosa e Ivan Seixas. Na última sexta-feira, 24, em São Paulo.

Foi transmitido ao vivo pela TV Carta Maior e não está acessível ainda na Rede.

Está disponibilizado no Youtube o debate Brasil Nação, promovido pela TV Educativa do Paraná sobre o papel da mídia no Brasil. Participaram os jornalistas Leandro Fortes,Luiz Azenha, Beto Almeida e Alípio Freire.

Uma aula sobre manipulação, abuso e poder da Mídia.


São 10 partes, que você acessa aqui:

Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7
Parte 8
Parte 9
Parte 10

quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Promiscuidade da Mídia e a ditadura


Beatriz Kushnir: a estreita união entre imprensa e ditadura


O conjunto da grande mídia ignorou o lançamento de Cães de Guarda — Jornalistas e Censores, do AI-5 à Constituição de 1988 (Boitempo Editorial, 2004). Não era para menos. O livro da historiadora Beatriz Kushnir tocava num dos pontos mais nebulosos da história do Brasil — a relação colaboracionista entre a imprensa e o regime militar (1964-1985). Em entrevista por e-mail ao Vermelho, Beatriz conta a gênese e as descobertas de Cães de Guarda, com destaque para o engajado apoio da Folha da Tarde à ditadura.

Por André Cintra

A Boitempo encaminhou Cães de Guarda a muitos jornalistas que solicitaram exemplares — inclusive profissionais da Folha de S.Paulo. Quase nada, porém, foi publicado sobre o livro. A que você atribui tamanho veto?Os jornais são empresas de comunicação — estruturas privadas que vendem um bem público: a notícia. Mas nelas só sai o que o dono quer, como dizia o jornalista Cláudio Abramo.

Sobre o tema da censura à imprensa durante o regime militar, já existem dezenas de trabalhos acadêmicos que viraram livros. O que Cães de Guarda acrescenta a esses estudos? Quais foram as principais descobertas e conclusões de sua pesquisa?O diferencial é que o livro trabalha com uma documentação interna. Localizei o acervo do Departamento de Censura de Diversões Públicas (DCDP), bem como o material da Academia Nacional de Polícia, que treinava os censores. O estudo focaliza a relação dos jornalistas com os censores no Brasil, durante a República e em especial de 1968 a 1988.

Busca-se demonstrar a existência de jornalistas que foram censores federais — e que também foram policiais enquanto jornalistas nas redações. Escrevendo nos jornais, ou riscando o que não poderia ser dito ou impresso, colaboraram com o sistema autoritário daquele período. Assim como nem todas as redações eram de esquerda, nem todos os jornalistas fizeram do ofício um ato de resistência ao arbítrio.

Recuo a março de 64 e à legislação censória no período republicano, como por vezes retorno ao início do século 20, demonstrando mais continuidades do que rupturas nesta relação. Centrei a reflexão nos jornalistas de formação e atuação, que trocaram as redações pela burocracia e fizeram parte do DCDP, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, cargo de Técnicos de Censura.

Há uma diferença nada desprezível entre apoiar um regime ditatorial e colaborar com ele. Ciente disso, você afirma que a maioria da grande imprensa não só apoiou (o que é público e notório) como também colaborou (o que, por sua vez, não é tão disseminado). De que forma se deu esse vínculo?Se muitos dos censores eram jornalistas, em uma parte da grande imprensa, no período pós-1968, havia jornalistas que eram policiais. Neste sentido, trata-se de mapear uma experiência de colaboracionismo de uma parcela da imprensa com os órgãos de repressão no pós-AI-5. Tem-se como mote a atuação de alguns setores das comunicações do país e suas estreitas (permissivas) conexões com a ditadura civil-militar do pós-1964.

Além de não fazer frente ao regime e às suas formas violentas de ação, parte da imprensa também apoiou a barbárie. Utilizo esse termo, colaboracionismo, porque compreendo as atitudes tomadas como algo mais que uma adesão aos pressupostos do pós-1964 e principalmente do pós-1968. Além de apoio, também é compromisso — por isso colaborar tornou-se mais acertado do que aderir. Não dá para se eximir. Quem tem mais culpa? É o dono do jornal, é o jornalista? São circunstâncias que se dialogam.

Não estou dizendo que todo jornalista exerceu um papel de colaboração, nem que todas as empresas de jornalismo foram colaboracionistas. Analisei o caso específico de um grande jornal, mas você pode estender para outros casos. Esse termo do colaboracionismo é um termo que dói de ouvir. Isso reflete muito do país, da formação, dos processos econômicos.


Leia a entrevista na íntegra. Você não vai ler nos jornalões e nem nas telinhas.

No Portal Vermelho

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Saia à rua, ministro Gilmar. Saia.

O Ministro Joaquim Barbosa, disse ao presidente do STF, hoje à tarde, o que muita gente gostaria de dizer.
Ele reagiu diante de decisões que considera incorretas sobre dois processos analisados pelo Supremo. Em agosto de 2007 Barbosa já havia denunciado os “jeitinhos de Gilmar”.

Destaque de hoje:

Joaquim Barbosa: "Vossa excelência me respeite. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral em mim. Saia à rua, ministro Gilmar. Faça o que eu faço".

Gilmar Mendes: "Eu estou na rua", com deboche.

Barbosa: "Vossa Excelência não está na rua. Está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro."

O Ministro Barbosa encerrou dizendo a Mendes que ele não estava “falando com os seus capangas de Mato Grosso".

Assista o vídeo com o diálogo:



Vale a pena rever aqui o diálogo de 2007: Jeitinho
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terça-feira, 21 de abril de 2009

Van Gogh - único

O mais belo sonho de Kurosawa. Um encontro com Van Gogh.

Histórias Severinas - comovente e revoltante

A comovente saga de Severina e Rosivaldo contra a perversidade do sistema, a medicina elitista e a arrogância e a estupidez do judiciário.

O drama das mulheres portadoras de fetos anencéfalos, representadas por Severina, chega em linguagem de cordel, do insuperável J Borges. Um filme delicado, de Débora Diniz e Eliane Brum, com música tema de Mocinha de Passira.

Uma História Severina , trecho do filme, do cordel e da música





Ficha técnica:
Direção e Roteiro Debora Diniz e Eliane Brum Direção de Produção Fabiana Paranhos Edição Ramon Navarro Finalização Ramon Abreu Direção de Arte Ramon Navarro Xilogravuras e Cordel J.Borges Música-tema "A Semente da Dor e Sofrimento", de Mocinha de Passira

O filme foi legendado para o Português, Espanhol, Inglês, Francês, Italiano, Japonês e Dinamarquês

Sinopse:
Severina é uma mulher que teve a vida alterada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. Ela estava internada em um hospital do Recife com um feto sem cérebro dentro da barriga, em 20 de outubro de 2004.
No dia seguinte, começaria o processo de interrupção da gestação. Nesta mesma data, os ministros derrubaram a liminar que permitia que mulheres como Severina antecipassem o parto quando o bebê fosse incompatível com a vida. Severina, mulher pobre do interior de Pernambuco, deixou o hospital com sua barriga e sua tragédia.
E começou uma peregrinação por um Brasil que era feito terra estrangeira - o da Justiça para os analfabetos. Neste mundo de papéis indecifráveis, Severina e seu marido Rosivaldo, lavradores de brócolis em terra emprestada, passaram três meses de idas, vindas e desentendidos até conseguirem autorização judicial. Não era o fim. Severina precisou enfrentar então um outro mundo, não menos inóspito: o da Medicina para os pobres.
Quando finalmente Severina venceu, por teimosia, vieram as dores de um parto sem sentido, vividas entre choros de bebês com futuro. E o reconhecimento de um filho que era dela, mas que já vinha morto.
A história desta mãe severina termina não com o berço, mas em um minúsculo caixão branco.
Onde comprar: http://www.anis.org.br/ImagensLivres/Detalhes.cfm?Idfilme=5

sábado, 18 de abril de 2009

Cagada

Absolutamente ridícula esta notícia. É patético demais, alguém
interessar-se em pagar por um penico cagado.
Mas se um certo expresidente tivesse pensado nisso ...

Dona de pub leiloa vaso sanitário usado por esposa do príncipe Charles


Londres, 17 abr (EFE).- A dona de um pequeno pub de Framfield, sul da Inglaterra, decidiu leiloar um dos banheiros do local depois que Camilla, a esposa de Charles da Inglaterra, utilizou o vaso sanitário em uma visita inesperada.

Em entrevista à agência de notícias "PA", Chris Azerkane explicou que a duquesa da Cornualha apareceu de surpresa no pub Hare and Hounds e pediu para usar o banheiro quando ia ao funeral de um parente nesta localidade.

Azerkane contou que estava limpando a cozinha quando viu vários carros pararem diante do estabelecimento e, em seguida, homens vestidos de terno e gravata e duas loiras descerem dos veículos.

"Fui abrir a porta e me surpreendi ao ver que uma das mulheres era Camilla, e que estava na minha frente. Ela sorriu e disse olá, e eu pensei: 'o que faço, uma reverência ou me curvo?", lembrou a proprietária do hotel.

"Ela me perguntou se podia utilizar o banheiro e eu disse: 'claro que pode. Precisam ser decorados, mas estão limpos'. Felizmente uma das faxineiras acabara de limpá-los. Após usá-los, ela foi muito doce e disse que estava bem, e que eu não me preocupasse", afirmou.

A dona do pub explicou à rede de televisão "Sky News" que "depois que eles saíram, fui direto ao banheiro e disse a todo o mundo que minhas nádegas tinham sido tocadas pela realeza".

"A partir de então, brincava de que qualquer pessoa que se aproximasse de mim tinha que me dar uma nota de 10 libras (US$ 14,7)", disse Azerkane, que afirmou que o vaso sanitário em questão se transformou em uma espécie de atração turística e que os frequentadores do pub tiravam foto junto a ele.

Ela e o marido, então, pensaram que seria uma boa ideia vender o vaso sanitário através do e-Bay e dar o dinheiro que arrecadassem a dois hospitais, o Royal Brompton e o Kings College, onde seu neto Omar, de 16 meses, é tratado com um problema pulmonar.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Para entender a crise


Ignacio Ramonet escreve sobre a atual crise do capitalismo, fazendo uma minuciosa análise da história do capitalismo, desmascarando mitos e dando uma aula de economia.


Leitura necessária.


O krach perfeito, novo livro de Ignacio Ramonet


por Doulas Estevam, de Paris, para Brasil de Fato

Ignacio Ramonet acaba de publicar seu mais recente trabalho, “O krach perfeito, crise do século e refundação do futuro”, no qual desenvolve uma minuciosa análise dos eventos que, para o autor, se configuram como uma precipitação do “fim de uma era do capitalismo”, em que “o sistema financeiro internacional foi comprometido como nunca antes. Pior do que em 1929”.

Em um ensaio conciso, a descrição dos elementos ideológicos, políticos e econômicos que configuraram as bases da atual crise financeira se articulam com a exposição da emergência de uma ordem mundial marcada pela globalização neoliberal em detrimento dos mecanismos de regulação, estímulos econômicos e investimentos públicos realizados pelo Estado que, somados às políticas de pleno emprego, haviam caracterizado o período anterior, fortemente influenciado pelo pensamento de Keynes. Ele enfatiza ainda um outro fenômeno inédito que se produziu no último ano: a alta simultânea dos preços do petróleo, dos produtos primários e dos produtos alimentares. “Todos os elementos são reunidos para um krach [equivalente francês ao termo inglês crash] perfeito, que só vemos uma vez a cada século”.

Arqueologia do krach

“Tudo começou em 15 de agosto de 1971. Neste dia, o presidente estadunidense Richard Nixon anuncia que os EUA suspendem a conversibilidade do dólar em ouro”. Chegava ao fim o sistema de Bretton Woods e abria-se o caminho às manobras monetárias de Washington e à desregulamentação financeira, marcos de um novo capitalismo.

Em sua Arqueologia do Krach, título do primeiro capítulo do livro, as teorias dos “três oráculos do neoliberalismo” Schumpeter, Hayek e Milton Friedman, são analisadas. A presença dos teóricos formados pela Escola de Chigago (da qual os dois últimos foram os maiores expoentes) nas ditaduras de Pinochet no Chile e de Suharto na Indonésia, em 1971, e depois, no início dos anos oitenta, nos governos de Margaret Thatcher e Ronald Reagan, na Inglaterra e Estados Unidos, marcam a chegada ao poder da chamada “revolução conservadora”. Centradas em um “neoliberalismo agressivo, redobrada por um anti-keynesianismo militante”, suas teses, que têm como principal objetivo “chegar ao fim da longa tradição de intervenção econômica e social do Estado, dominaram o campo teórico do capitalismo real dos últimos trinta anos”.

Schumpeter introduziu o conceito de destruição criativa, para o qual a lógica do capitalismo seria marcada por uma constante inovação, tendo singular importância a inovação tecnológica e a figura do empreendedor.

Hayek, “muito mais ideológico, o verdadeiro mestre do pensamento, o profeta dos neoliberais”, defendia um conceito próprio de ”Estado mínimo, desprovido de poder de intervenção econômica, e a ideia de que o mercado tem sempre razão”. O teórico americano Milton Friedman contribuiu com sua tese da nova violência capitalista. Para ele, “o livre mercado é um sistema científico perfeito” e o “Estado teria como única função proteger nossa liberdade contra os inimigos externos”.

“Ao longo dos anos 80, as principais firmas multinacionais, os bancos de Wall Street, o Federal Reserve dos Estados Unidos e os organismos financeiros internacionais, elaboram em comum, sob a base destes comandos neoliberais, uma doutrina feita de competitividade, disciplina orçamentária, reforma fiscal, redução de despesas públicas, liberalização de trocas comerciais, financeiras e privatizações massivas do setor público”.

Estas medidas são postas em prática com os “programas de ajustamento estrutural”. No final da década de oitenta e início dos anos noventa, com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, ficava “suprimido o principal obstáculo político à expansão do neoliberalismo”, dando aos neoliberais a segurança de que “suas concepções de economia foram a chave da vitória”. Responsáveis do Banco Mundial sintetizam as teses neoliberais no “Consenso de Washington”, que o “Pôquer do Mal – FMI, Banco Mundial, OCDE e OMC” se encarregariam de promover, primeiro na América Latina, e logo depois na Ásia e África. É o apogeu do mercado contra o Estado, marcado por uma transformação profunda da política, a adoção de uma globalização que “concerne sobretudo ao setor financeiro. A liberdade de circulação dos capitais tornando-se absoluta, este setor dominando, de longe, a esfera da economia”.

A fábrica do krach

Ramonet dedica uma parte de sua análise às crises que precederam o krach atual. Nesta parte de seu estudo, denominada “A fábrica do krach”, ele percebe o primeiro sintoma da “crise do século” nos eventos que atingiram os “tigres asiáticos” em 1997, que demonstraram claramente que “o sistema financeiro edificado pela teoria neoliberal, com mercados desregulados e liberalizados, atores abusando dos efeitos de alavancagem e capitais internacionais em movimento permanente, estava se tornando perigosamente frágil”. Recuando no tempo, ele menciona os impactos da crise do México, amenizada por uma massiva intervenção dos Estados Unidos.

A revolução da internet, que no início da década de noventa “parecia confirmar as duas teses schumpeterianas: a da mudança de cíclo, provocada pelo salto tecnológico, e a da destruição criativa”, foi duramente abalada pela explosão da Bolha da Internet. Os especuladores estavam persuadidos de que “uma das transformações mais rápidas que o mundo conheceu, em virtude das leis da destruição criativa” obrigaria as empresas a “se adaptarem, a investir enormemente em equipamentos de informática, telecomunicações, redes numéricas, cabos ópticos etc. As perspectivas de crescimento pareciam ilimitadas”. As cotações das ações das empresas de internet explodem, as “stock options desempenham um papel importante nesta febre” e, depois de cinco anos de especulação, em março de 2000, a bolha explode.

Os outros exemplos são as empresas Enron e Parmalat. Reconhecida como “um modelo de audácia e modernidade, de governabilidade de empresa, com a capacidade de melhor operar nos mercados desregulamentados de produtos derivados”, a norte-americana Enron conseguiu um aumento de 90% do valor de suas ações em único ano. “A ascensão do valor das ações fazia calar os últimos céticos”. Seu sucesso se devia a escandalosos métodos fraudulentos. Em 2001 foi descoberto que a empresa “exagerava artificialmente seus rendimentos, ocultando déficits, utilizando uma infinidade de sociedades fantasmas e falsificando suas contas”, tudo em cumplicidade com uma agência de auditoria. Um prejuízo de 68 bilhões de dólares.

A Parmalat, outro “exemplo de sucesso impulsionado pela dinâmica da globalização liberal” não ficaria atrás, falsificando documentos, balanços e realizando desvios contábeis que, em 2003, viriam à tona numa operação que envolvia prejuízos de mais de 11 bilhões de euros. Todos estes acontecimentos não foram suficientes para conter os “instintos animais” que, segundo Keynes, a liberdade econômica estimula.

O fim de uma Era de Ouro

Apesar de todas estas crises, o sistema parecia miraculosamente intocável. Um dos artesãos deste milagre foi Alan Greenspan, presidente do Banco Central Americano. Ele desenvolve “uma política agressiva de taxas de juros baixas e encoraja os americanos a se endividarem além de suas possibilidades”. Estimulado pelo contexto de desregulamentação, “surge um novo capitalismo ainda mais brutal e concorrente” para o qual Robert Rubin iria desempenhar um papel central ao implementar as reformas que eliminavam as incompatibilidades entre bancos de investimento e bancos de depósito. “A porta é aberta para toda sorte de excessos da parte de financistas ávidos de rendimentos máximos”. Com estas medidas, os fundos de investimentos se tornam os “novos mestres do universo”.

Essa iniciativa resultou na crise imobiliária norte-americana que, através de uma “indústria financeira hipersofisticada”, acompanhada de uma “engenharia financeira dotada de uma forte criatividade, não cessou de se desenvolver inventando instrumentos (títulos derivados, subprimes, hedge fonds) e técnicas” que provocaram a generalização internacional de uma crise, desencadeando em todo o mundo uma sequência de falências, desempregos, nacionalizações, planos de salvamento e quebras que veríamos eclodir em 2008.

A todas estas crises vêm ainda se juntar as crises energética e alimentar. Para Ramonet, “cada uma delas age sobre as outras. Elas se estimulam. Elas constituem o saldo deplorável de três décadas de neoliberalismo”. A emergência da China como superpotência econômica “é um presságio de que os dias dos Estados Unidos como primeira potência econômica estão contados”. As manifestações sociais que se espalham pelo mundo, como as que se viram nos países mais afetados pela crise alimentar, as que se realizaram na Grécia, ou a eleição de Obama, que gerou um entusiasmo que pode “rapidamente se transformar em decepção, frustação e cólera”, são para o autor sinais de emergência da questão social que se coloca “no coração do debate político”.

Contudo, Ramonet reconhece que “este krach talvez não signifique o fim do capitalismo, que já conheceu outros e conseguiu se recuperar”, mas não deixa de perceber que, mesmo num contexto de vazio teórico das esquerdas, “a crise atual, pela sua extensão e intensidade, fornece a ocasião de transformar, enfim, a arquitetura geoeconômica e geopolítica do mundo”.

Douglas Estevam é correspondente do Brasil de Fato, em Paris.

terça-feira, 14 de abril de 2009

E quem é Glória Coelho?!


Fillardis: Preconceito de estilista dói e dá penaThais Bilenky

"... Na Fashion Week já tem muito negro costurando, fazendo modelagem, muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas, tem negros assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?".


A atriz Isabel Fillardis ficou estarrecida com o comentário da estilista Glória Coelho, que diz não saber por que negros haveriam de estar na passarela em eventos de moda. Fillardis analisa que o preconceito "é subliminar":

- Ela não sabe que é preconceituosa. Eu vou crer nisso. Isso é preconceito. Ele só serve para servir, o negro. Para brilhar na passarela, para ser internacional, para ganhar dinheiro, como a Gisele ou como qualquer um, não pode. É horrível isso. Dói. Isso dói muito, sabe? E tenho pena. Eu tenho pena. Tenho, realmente.

Reportagem de Paulo Sampaio publicada no domingo (12) pelo jornal Folha de S.Paulo aborda proposta do Ministério Público Federal de criar cotas para modelos negros na São Paulo Fasion Week, evento dos mais importantes de moda do país.

Na matéria, Glória Coelho manifestou resistência à iniciativa. "Nosso trabalho é arte, algo que tem de dar emoção para o nosso grupo, para as pessoas que se identificam com a gente. (...) Na Fashion Week já tem muito negro costurando, fazendo modelagem, muitos com mãos de ouro, fazendo coisas lindas, tem negros assistentes, vendedoras, por que têm de estar na passarela?".

Leia a íntegra no Terra Magazine. E se indigne.
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BRASIL NUNCA MAIS

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