domingo, 25 de janeiro de 2009

Câmara de Deputados apóia decisão de Tarso em carta oficial


Ao Excelentíssimo Senhor
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República

Assunto: Apoio a concessão do refúgio político a Cesare Battisti

Senhor Presidente,

Como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHM), manifestamos nosso apoio à decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder ao ativista político e escritor italiano Cesare Battisti refúgio político no Brasil.

Tal posição decorre do nosso entendimento de que a condenação imposta a Battisti, com base na qual foi pedida sua extradição, ocorreu num contexto de excepcionalidade política e jurídica, pois é fato histórico que naquele período - anos 1970 - o estado italiano exercia forte papel persecutório a militantes de esquerda.

Julgado e condenado por crime de subversão e não por terrorismo ou homicídio, Battisti só foi acusado desses crimes posteriormente, num processo com um único e nunca comprovado testemunho, obtido por meio de delação premiada.

Passadas três décadas do contexto bipolar da Guerra Fria em que Cesare Battisti foi sentenciado, o esforço de políticos italianos conservadores em impor ao refugiado a prisão perpétua só pode ser interpretado como um anacrônico ranço ideológico. Esse viés ideológico se denuncia na desrespeitosa reação desses políticos ante a decisão soberana do Estado brasileiro.

Ao sustentar com serenidade a decisão tomada pelo Ministro Tarso Genro, Vª Exª, Presidente Lula, age com a mesma sabedoria do presidente francês François Mitterrand, que garantiu o asilo e a não extradição de Battisti e de outros perseguidos políticos italianos.

Ao conceder refúgio político a Cesare Battisti no Brasil, o Estado brasileiro age em inequívoca consonância com nossa Carta Magna, que veda a extradição motivada por crimes políticos e estatui que, neste país não haverá penas de morte ou de caráter perpétuo (art. 5º, XLVII, “a” e “b”). Também o faz com o respaldo da Legislação Brasileira, clara ao normatizar a extradição, por meio do Estatuto do Estrangeiro (Lei nº 6.815/80), artigo 77, incisos III e VII, in verbis:

“Não se concederá a extradição quando:
(...)
III – O Brasil for competente, segundo suas leis, para julgar o crime imputado ao extraditando;
(...)
VII – o fato constituir crime político.

Por ter sido condenado a prisão perpétua com motivação política, à revelia, e diante do contexto de colisão ideológica, são plenamente justificáveis os temores do cidadão refugiado sobre sua integridade física nas prisões italianas.

Como lembra o professor emérito da Faculdade de Direito da USP Dalmo de Abreu Dallari, " a concessão do estatuto de refugiado a Cesare Battisti é um ato de soberania do Estado brasileiro e não ofende nenhum direito do Estado italiano nem implica desrespeito ao governo daquele país, não tendo cabimento pretender que as autoridades brasileiras decidam coagidas pelas ofensas e ameaças de autoridades italianas ou façam concessões que configurem uma indigna subserviência do Estado brasileiro".

Ao apoiar a concessão do citado refúgio político, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados mantém seu posicionamento aprovado em moção de 03/09/2008, pela unanimidade de seu plenário, que defendia o refúgio político como gesto humanitário e juridicamente perfeito, sem dúvida o único condizente neste caso com os princípios contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos e no Direito Internacional Público.


Atenciosamente,

Deputado POMPEO DE MATTOS
Presidente da CDHM
Brasília, 23 de janeiro de 2009

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O vômito da mídia


Da azia à má digestão


O jornalista Mair Pena Neto, da agência Reuters, analisou nesta quarta-feira, no blog Direto da Redação, a reação da mídia diante da justificada “azia” que os jornais causam ao presidente Lula e que provocou intensa “indigestão” na imprensa, a vomitar suas habituais críticas.

“Por mais inadequada que tenha sido a declaração do presidente Lula de que não lê jornais para não ter azia, a reação de boa parte da imprensa, visivelmente incomodada com a ironia, foi de desqualificação e rancor, quando deveria suscitar a reflexão sobre a relevância dos jornais, se são, de fato, ignorados pelo presidente”, disse Mair. Ou pelos leitores de visão crítica, acrescentemos.

Para ele, o “vômito” da imprensa foi focado em suposta inaptidão para o cargo de alguém que afirma não ler jornais. Impossível para mais de 80% de brasileiros, dos mais variados níveis sociais, culturais, econômicos, etários, geográficos e de escolaridade, que lhe atestam aptidão. Sem falar do seu reconhecido envolvimento no debate de todas as grandes questões mundiais da atualidade.

Pena Neto constata que a imprensa não tolera crítica e reage corporativamente: Há algo errado no fato de um presidente que não lê os jornais ser considerado um líder tão importante. “Talvez Lula não veja nos jornais a pluralidade e o debate importante da realidade brasileira, que poderia ajudar em suas decisões”. Talvez a oposição sistemática a ele o faça recorrer a outras fontes.

Os jornais são, em geral, uniformes, tendenciosos e preconceituosos na visão do atual governo. Para o jornalista, o sal de frutas para a “azia” poderia ser uma revisão da cobertura política, com análise profunda, para que os jornais voltem a ser leitura indispensável de qualquer líder político.

No Boletim Boletim H S Liberal
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Falso Déficit da Previdência


História antiga, essa do décit, do rombo, etc. A mídia tem um interesse claro: dificultar a compreensão. Para fotalecer o mito e o discurso contra as políticas inclusivas. O problema é que a equipe de governo, muitas vezes, contribui com os anti-inclusão.


Missão da Previdência Social:


“Garantir proteção ao trabalhador e sua família, por meio de sistema público de política previdenciária solidária, inclusiva e sustentável, com o objetivo de promover o bem-estar social.”¹

Muito oportuno o artigo de Nassif que reproduzo abaixo:


O Falso Déficit da Previdência

por Luis Nassif


Na gestão Nelson Machado, a Previdência Social passou a divulgar de forma correta os dados de arrecadação. Separou o Regime Geral da Previdência (contribuições e benefícios pagos pela massa segurada) de políticas sociais (aposentadoria rural) e incentivos fiscais (isenção para pequena e micro empresa, clubes de futebol e entidades filantrópicas).


Com isso, mudou radicalmente a natureza do debate. Políticas sociais e benefícios fiscais têm que ser contabilizados no orçamento federal, não no orçamento da Previdência - uma conclusão óbvia.


Com, a entrada do novo Ministro, retornou-se ao velho sistema de divulgação de dados agregados, que é incorreto e serve apenas para fortalecer o discurso dos que pretendem reduzir gastos sociais².


Confira os dados.


Quando se analisam os dados agregados, constata-se uma redução no “déficit”, mas que o situa ainda na faixa de 1,25% do PIB, ou R$ 36,2 bi.


Quando se analisa a Previdência Social propriamente dita (do setor urbano), o déficit cai para meros R$ 1,1 bi, ou 0,03% do PIB - arrecadação de R$ 158,3 bilhões para despesas de R$ 159,5 bilhões.


A aposentadoria rural - que é política social, não política previdenciária - custou R$ 35 bi.




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Césare: refletir e argumentar?



A polêmica sobre a concessão de refúgio político a Césare mantém acesa uma polêmica provocada pela instigação da nossa mídia.

Pessoas falam de terrorismo e de assassinato sem sequer entender sobre o que estão dizendo. O lobby italiano é desrespeitoso e a mídia é subserviente e conivente com o discurso conservador.

Sugiro a leitura do artigo publicado pelo valor Econômico e reproduzido por Nassif:


terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Intelectuais Judeus confirmam identidade do Gueto de Gaza

Os Protocolos apenas mudaram de mãos

Na contramão da confusa nota dos 36 petistas - que sentiram-se ofendidos diante da carapuça vestida pelos nazi-sionistas - intelectuais judeus, maioria de ingleses, assinaram um manifesto publicado no The Guardian condenando o genocídio promovido por Israel em Gaza. Acusam Israel de cometer crimes de guerra e fazem analogia com o Gueto de Varsóvia. Além disso, sugerem que a Inglaterra faça o que fez Hugo Chaves e Evo Morales, retirando seus embaixadores de Israel e participando de boicotes e sanções.

Eis a publicação:

“Nós que firmamos abaixo somos todos de origem judia. Quando vemos os mortos e os ensanguen-tados corpos de crianças pequenas, os cortes de água, de eletricidade e de comida, lembramos o cerco ao Gueto de Varsóvia. Quando Dov Weisglass, assessor do primeiro ministro israelense, falou em pôr os habitantes de Gaza 'para fazer dieta' e o vice-ministro de Defesa, Matan Vilnai, falou que os palestinos iam experimentar “uma maior shoah” (um maior holocausto), isso nos lembra o governador-geral Hans Frank, na Polônia ocupada pelos nazis, que falou de 'morte pela fome'.

O verdadeiro motivo do ataque a Gaza é que Israel só deseja tratar com os colaboracionistas. O principal crime de Hamas não é o terrorismo, mas sua negativa a se converter num fantoche em mãos do regime de ocupação israelense na Palestina.

A decisão tomada no mês passado pelo Conselho da União Européia de melhorar a categoria de suas relações com Israel, sem nenhuma condição específica sobre direitos humanos, tem alentado uma maior agressão israelense. A hora de aplacar Israel já passou faz tempo. Como primeiro passo, a Inglaterra deve retirar seu embaixador de Israel e, da mesma forma como se agiu com o apartheid da África do Sul, estabelecer um programa de boicote, desinvestimento e sanções”.

Entre os que assinam o documento destacamos, os ingleses Miriam Margolyes, atriz consagrada de teatro e cinema, atuou no papel da professora Sprout no filme sobre Harry Potter e em filme sob a direção de Martin Scorcese; Bella Freud, estilista de moda e neta de Sigmund Freud; Ben Birnberg, advogado de direitos civis que atua na defesa de direitos dos pequenos acionistas; Haim Bresheeth, cineasta e fotógrafo; Tony Greenstein diretor de um centro de combate ao desemprego do Congresso de Sindicatos (Trade Unions Congress); Abe Hayeem, arquiteto, fundador e integrante da organização Arquitetos e Projetistas pela Justiça na Palestina; Les Levidow, filósofo, um dos idealizadores do Fórum Social Europeu, inspirado no Fórum Social Mundial; Jonathan Rosen-head, professor da Escola de Londres de Economia e Ciência Política; israelenses como Yehudit Keshet, fundadora da organização Vigília sobre Postos de Controle, que denuncia as atribulações a que os palestinos são submetidos nos postos policiais militares espalhados pela Palestina Ocupada e Moshe Macho-ver, matemático e um dos fundadores da organização Matzpen, que reuniu anti-sionistas israelenses durante os anos 1960 e 1970 e a norte-americana Debo-rah Fink, escritora, que publicou livros sobre mulheres camponesas nos EUA.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

50 Anos da Bossa Nova



Programa Sarau, de Chico Pinheiro, nos 50 anos da Bossa Nova.
Carlinhos Lyra, sua filha Kay Lyra (grata surpresa), Vanda Sá, Leny Andrade e Marcos Vale.
Beleza.

Boicote a Produtos de Israel




O passado e o futuro ao ritmo das conveniências e hipocrisias



"Há uma crítica ideológica dos mesmos setores da imprensa que, quando eu discuti a questão da tortura, diziam que era uma questão do passado e que temos que olhar para o futuro.
Estes mesmos fazem uma crítica dizendo que tem que [no caso Battisti] fazer um juízo político sobre o passado."


Ministro Tarso , na Folha de São Paulo, em 16 de janeiro
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sábado, 17 de janeiro de 2009

Tania Libertad canta lindamente Alfonsina y el Mar

A música é Alfonsina y el Mar, composta pelos argentinos Ariel Ramírez e Félix Luna, em homenagem à poeta Alfonsina Storni,que suicidou-se entrando no mar.
Tania Libertad, é peruana radicada no méxico e canta com rara beleza.


No Café Torloni, em Buenos Aires, da esquerda para a direita, Borges, Gardel,
Alfonsina, eu e minha mãe Isa Jinkings.

exPresidente Italiano afirma: havia sim perseguição à Césare

Na Última Instância, voltada para a área jurídica, matéria revela a afirmação do ex-presidente da Itália de que havia perseguição política a Césare e às militâncias de esquerda em geral. Pena que não é publicada no espaço reservado às notícias jornalísticas, onde a predominância é de matérias desinformativas e infundadas, com pitadas de humor. Ora repetem as sandices do juiz demotucano e outras diabruras, ora reproduzem editoriais e opiniões que desprezam as regras mínimas do jornalismo (queiram ou não, um artigo ou crônica é livre de estilo e de opinião, mas não pode carregar mentiras e fantasias como se verdade fossem).
É conferir. Com direito a ler a carta no original (link após o texto).

Em carta, ex-presidente italiano admitiu perseguição política a Cesare Battisti

Por William Maia , na Última Instância, revista jurídica do UOL

O ex-presidente italiano Francesco Cossiga admitiu em carta endereçada ao ex-militante comunista Cesare Battisti ter existido perseguição política do governo italiano, de setores da imprensa, de sindicatos, além do próprio Partido Comunista e da Democracia Cristã italiana, contra organizações radicais de esquerda e de direita.

Confira no fim da página a integra do documento, conseguido com exclusividade por Última Instância.

De acordo com a carta, data de fevereiro do ano passado, o hoje senador Cossiga, afirmou ter existido um acordo para, em um instrumento de “luta psicológica”, “fazer passar os subversivos de esquerda e os subversivos de direita como simples terroristas, ou absolutamente como criminosos comuns”.

Cossiga começa o texto lembrando que nas décadas de 70 e 80, quando foi primeiro-ministro e ministro do Interior, foi um “duro opositor da subversão de esquerda e de direita” e que por ter usado “meios fortes” para reprimi-la, passou a ter seu nome redigido com ‘k’ e com letras ‘s’ em estilo rúnico, que remetiam ao nazismo.

O ex-presidente ressaltou ainda que os delitos cometidos pelos militantes não podem ser considerados transgressões comuns. “Os crimes que a subversão de esquerda e a subversão de direita cumpriram, são certamente crimes, mas não certamente ‘crimes comuns’, porém ‘crimes políticos’”.

Ao final, Cossiga autoriza Cesare Battisti a utilizar a carta como desejar, inclusive com valor jurídico.

O caso

Na última terça-feira (13/1), o ministro Tarso Genro revogou decisão do Conare (Comitê Nacional para os Refugiados) e concedeu refúgio ao italiano Cesare Battisti, causando protestos do governo italiano.

O escritor, que integrou na década de 1970 a organização radical de esquerda PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), e foi condenado pela Justiça da Itália pela suposta participação em quatro homicídios.

Battisti nega a autoria dos crimes e alega ser vítima de perseguição política. Seus advogados no Brasil, argumentam que o italiano não teve direito à ampla defesa no julgamento que levou à condenação.

Em 1993, a Justiça italiana reabriu o caso dos assassinatos, que ocorreram entre 1977 e 1979, e acusou o ex-militante baseado no depoimento de um ex-integrante da PAC, que foi beneficado com a delação premiada.

Carta original em italiano / Tradução da carta em português

http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/61156.shtml


Leia ainda: http://noticias.uol.com.br/politica/2009/01/16/ult5773u394.jhtm


http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u490573.shtml
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BRASIL NUNCA MAIS

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