quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Suplica Cearence - Alta Qualidade O Rappa novo clipe



Súplica Cearense
(Gordurinha e Nelinho)

Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedir pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe,
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração

Meu Deus, perdoe eu encher os meus olhos de água
E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
Pro sol inclemente se arretirar

Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
Que sempre queimou o meu Ceará

domingo, 20 de setembro de 2009

Democracia para quem? - Como?


A sofisticação da utilização do discurso democrático, da ótica dos desejos intervencionistas do Império decadente. Utiliza a fantasia de ONGs, fazendo o mal serviço de desacreditar a potencilidade dessa ferramenta, além de provocar cisões e prejuízos. Tudo no afã de colocar as suas garras na América Latina.
Pena que ainda tem muita gente que se limita a ler, assistir e ouvir apenas os meios de comunicação que reforçam a estratégia dos grandes conglomerados da mídia/máfia, deixando de perceber - ou pouco se lixando para isso - os valores nacionais e a importância de sentir-se orgulhoso da sua terra, lutar por ela.
Deixo aqui o artigo de Bertolino para sua reflexão:

Organizações mafiosas da mídia atacam democracia na América Latina

As mafiosas Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) e Repórteres Sem Fronteira (RSF) voltaram a tacar os governos progressistas da América Latina que tomam medidas para proteger a democracia e a liberdade de imprensa contra os fascistas grupos de mídia.

A SIP atacou a Venezuela, o Equador, a Bolívia, a Nicarágua e a Argentina, que reagiram aos golpes da mídia contra a democracia.

“A comunidade internacional já começa a reagir, o que é muito auspicioso”, disse o porta-voz dos fascistas midiáticos, o chileno Luís Pardo Sainz, presidente da Associação Interamericana de Radiodifusão (AIR).

“Os Congressos de vários países, como o Brasil, o Peru e o Chile, se mostram mais livres que os seus governos para emitir condenações aos atentados à liberdade de expressão”, disse o líder da mídia fascista.

O presidente da SIP, o colombiano Enrique Santos Calderón, foi além ao declarar que a “liberdade e a democracia formam um binômio indissolúvel”, falando o óbvio para defender seus propósitos golpistas.

Os oligarcas contaram com a ajuda do direitista ex-presidente do Peru Alejandro Toledo, que usou a falácia expansão do “autoritarismo populista na América Latina”, fenômeno que estaria centrado na “eliminação das vozes discordantes”, em um tom bem ao gosto dos fascistas da mídia.

Toledo atacou a Argentina, onde o governo de Cristina Kirchner obteve aprovação da Câmara dos Deputados a um projeto de lei que permitirá o desmonte dos principais grupos midiáticos golpistas.

“O caso da Argentina é um péssimo sinal”, afirmou Toledo.

Já a outra organização mafiosa, a RSF, disse que em Cuba ocorreu a detenção de um blogueiro e diretor de um jornal digital em Cuba, onde agora há “26 jornalistas presos”.

“Com 26 jornalistas presos, Cuba ostenta agora com o Irã o posto de terceira prisão do mundo, atrás de Eritréia e China”, mentiu a organização mafiosa.

Segundo a contumaz mentirosa RSF, os blogueiros Luis Felipe González Rojas e Yosvany Anzardo Hernández foram detidos e agredidos em 10 de setembro de 2009 em Holguín (leste de Cuba).

Os mafiosos da RSF dizem ainda que Luis Felipe González Rojas foi liberado, mas “Yosvany Anzardo continua detido”.

“As autoridades se empenham em abafar qualquer manifestação na internet de uma sociedade civil que está se configurando”, mente a mafiosa organização.

Em Cuba, a RFS inventa “jornalistas independentes” para encobrir os motivos da ação da justiça local contra grupos criminosos.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Carlos Mesa, ex-presidente da Bolívia, também atacou as medidas que protegem a democracia dos ataques dos grupos midiáticos.

Com agências

do Osvaldo Bertolino, no Blog Outro Lado da Noticia

domingo, 13 de setembro de 2009

O Manifesto Comunista de Karl Marx e Engels versão cartoon

revisitando

Hora do Recreio I


Recebi do meu cunhado e morri de rir. Vamos ter uma hora do recreio. Ok?
São só piadinhas, tá bom? Ninguém deve sentir-se ofendido quando é brincadeirinha...

"Acho tudo isso uma ofensa a todos nós, mas eu ri muito. Como dizem que rir faz bem a saúde, vamos dar uma chance para as mulheres rirem de nós.

AMOR I
- Querida, vamos ter que começar a economizar.
- Tudo bem... Mas como ?
- Aprenda a cozinhar e mande a empregada embora.
- Tá legal... Então aprenda a fazer amor e pode dispensar o motorista.

(NOSSA!!!! ESSA FOI A GOTA QUE FALTAVA...)

AMOR II
O cara pergunta para a mulher:
- Querida, quando eu morrer, você vai chorar muito?
- Claro querido. Você sabe que eu choro por qualquer besteira...

(MISERICÓRDIA.....!)

AMOR III
Na cama, o marido se vira para a jovem esposa e pergunta:
- Querida, me diga que sou o primeiro homem da sua vida.
Ela olha para o babaca e responde:
- Pode ser... Sua cara não me é estranha...

(Santo Anjo do Senhor.....)

AMOR IV /A melhor/
Um casal vinha por uma estrada do interior, sem dizer uma palavra.
Uma discussão anterior havia levado a uma briga, e nenhum dos dois
queria dar o braço a torcer. Ao passarem por uma fazenda em que havia
mulas e porcos, o marido perguntou, sarcástico:
- Parentes seus?
- Sim, respondeu ela.. Cunhados e sogra...

(Essa pode apostar que não é loira...!!!!)

AMOR V
O marido pergunta pra mulher:
- Vamos tentar uma posição diferente essa noite?
A mulher responde:
- Boa idéia, você fica aqui em pé na pia lavando a louça e eu sento no sofá!!!

(Essa doeu.)

AMOR VI
O marido decide mudar de atitude. Chega em casa todo machão e ordena:
- Eu quero que você prepare uma refeição dos deuses para o jantar. E,
quando eu terminar, espero uma sobremesa divina. Depois do jantar, você
vai me trazer um whisky e preparar um banho porque eu preciso relaxar.

E tem mais: Quando eu terminar o banho, adivinha quem vai me vestir e me
pentear?
- O homem da funerária... Respondeu placidamente a esposa.

(essa jamais será escrava de homem...)

AMOR VII
- Querida, o que você prefere? Um homem bonito ou inteligente?
- Nem um, nem outro. Você sabe que eu só gosto de você.

(Nossa...!!!)

AMOR VIII
Marido e mulher estão tomando cerveja num barzinho. Ele vira pra ela e diz:
- Você está vendo aquela mulher lá no balcão, tomando whisky sozinha?
Pois eu me separei dela faz sete anos! Depois disso ela nunca mais parou de beber.
A mulher responde:
- Não diga bobagens. Ninguém consegue comemorar durante tanto tempo assim!

(Sem comentários... rs rs rs) "

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Que fuerte!

Impressionante a firmeza desse menino. Uma graça.
Fuera goriletti.



Menino de 10 anos é símbolo da resistência em Honduras
Desde o final de agosto, quando fez um discurso inflamado contra o golpe de Estado em Honduras, o menino Oscar David Montesinos vem ganhando fama mundial. Com apenas 10 anos, ele impressiona pela desenvoltura com que fala contra o governo de Roberto Micheletti, que desde o fim de junho comanda o país. Veja abaixo o vídeo com o discurso do menino contra o golpe.
Durante um show em homenagem à resistência, em Tegucigalpa, capital hondurenha, o menino falou pouco mais de dois minutos. Foi o suficiente para se tornar símbolo da luta contra o golpe no país. O vídeo em que o menino é ovacionado multiplicou-se na internet e tem até versão legendada em português. São inúmeros os comentários de apoio ao presidente deposto Manuel Zelaya.

Na sua breve fala, Oscar David Montesinos afirma que “nós, o povo, temos o poder de colocar Goriletti-Micheletti em xeque”. “Mais duro contra os golpistas!” e “Passo firme até a revolução”, são somente duas das expressões usadas pelo pequeno revolucionário. Veja abaixo a versão com legendas.

Fonte:http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=115218&id_secao=7 de Blog do Brizola Neto
http://tijolaco.com/?s=honduras

sábado, 5 de setembro de 2009

De Fantasmas


Noooossa, será que essa senhora náo tem uma pessoa piedosa, algum amigo que tenha compaixão e a alerte do papel triste que ela protagoniza? Escreve mal (isso não é novidade para ninguém), fala só bobagens e, muuuito pior, ela está feia demais. Parece um fantasma e lembra muito o Coringa, de Gottan City. Ai, que constrangimento.
Sonia Montenegro, de férias, com tempo para jogar fora, dedicou algumas linhas sobre a pobre senhora. Leiam. Morri de rir.

Danuza Leão incorpora Regina Duarte
Sonia Montenegro

Não tenho muito saco para discutir política com pessoas fúteis, que não entendem patavina de política, e não querem entender. Em geral, assistem ao Jornal televisivo do Holmer William Bonner e saem repetindo o que ouviram, sem nem mesmo entender. Questionar não faz parte do mundo deles, cujo verbo preferido é comprar. Mas a pedido de dois amigos, escrevi uma resposta a um texto cômico da Danuza Leão.

Dona Danuza, antes de qualquer coisa, vale a máxima popular: “A inveja é uma merda!!!

Nem ao menos alguma originalidade nesse texto de medo, porque como a senhora bem lembrou, a Regina Duarte já representou esse personagem antes...

Quem é a senhora? Irmã da Nara Leão, que não a suportava, certamente por não compartilhar da sua futilidade?

Mulher do Samuel Weiner, com quem se casou para ter o direito de se exibir nas “altas rodas”, dando asas ao seu narcisismo?

Bonitinha mas ordinária? Bonita a senhora nunca foi, mas para ser justa, devo dizer que perto da quantidade absurda de botox da sua atual aparência, a senhora era linda. Tive a infelicidade de vê-la pessoalmente há algum tempo, e pensei: como é que ela tem coragem de sair na rua com essa cara? Eu morri de medo!!!

Falta inteligência no seu texto, porque a senhora mesmo se denuncia. A senhora afirma que tem medo às avessas. Tem medo de barata, mas não tem de Leão. Tem medo de rato, mas não tem de urso. Tem medo da polícia mas não tem de assaltante, portanto, está coerente, a senhora tem medo da doce Dilma, mas não tem medo do Serra. Nada a estranhar. Tá tudo coerente.

Acho até que a senhora se arriscou, ao dizer que não tem medo de assaltantes, e que pelo contrário, “acho que vai dar para levar um lero”. Se essa matéria cai na mão de assaltantes, pode ser uma brilhante idéia!

A única coisa imperdoável para uma pessoa que escreve em um órgão de imprensa é a falta de informação. Como é que uma pessoa tem a cara-de-pau de escrever sobre assuntos que ignora?

Segue um texto dito LITERALMENTE pelo ex-Secretário da Receita Federal no governo de FHC, em entrevista a Bob Fernandes no Portal Terra, que aliás foi a repetição do que disse anteriormente à Mônica Waldvogel, no programa “Entre Aspas” da Globonews : “Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal. Se era banal deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era grave deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.”

Sorry periferia...

Sonia Montenegro.

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Morro de medo de Dilma Rousseff

Por Danuza Leão

VOU CONFESSAR: morro de medo de Dilma Rousseff. Não tenho muitos medos na vida, além dos clássicos: de barata, rato, cobra. Desses bichos tenho mais medo do que de um leão, um tigre ou um urso, mas de gente não costumo ter medo. Tomara que nunca me aconteça, mas se um dia for assaltada, acho que vai dar para levar um lero com os assaltantes (espero); não me apavora andar de noite sozinha na rua, não tenho medo algum das chamadas "autoridades", só um pouquinho da polícia, mas não muito.

Mas de Dilma não tenho medo; tenho pavor. Antes de ser candidata, nunca se viu a ministra dar um só sorriso, em nenhuma circunstância. Depois que começou a correr o Brasil com o presidente, apesar do seu grave problema de saúde, Dilma não para de rir, como se a vida tivesse se tornado um paraíso. Mas essa simpatia tardia não convenceu. Ela é dura mesmo.

Dilma personifica, para mim, aquele pai autoritário de quem os filhos morrem de medo, aquela diretora de escola que, quando se era chamada em seu gabinete, se ia quase fazendo pipi nas calças, de tanto medo. Não existe em Dilma um só traço de meiguice, doçura, ternura.

Ela tem filhos, deve ter gasto todo o seu estoque com eles, e não sobrou nem um pingo para o resto da humanidade. Não estou dizendo que ela seja uma pessoa má, pois não a conheço; mas quando ela levanta a sobrancelha, aponta o dedo e fala, com aquela voz de general da ditadura no quartel, é assustador.

E acho muito corajosa a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira, que está enfrentando a ministra afirmando que as duas tiveram o famoso encontro. Uma diz que sim, a outra diz que não, e não vamos esperar que os atuais funcionários do Palácio do Planalto contrariem o que seus superiores disserem que eles devem dizer. Sempre poderá surgir do nada um motorista ou um caseiro, mas não queria estar na pele da suave Lina Vieira.

A voz, o olhar e o dedo de Dilma, e a segurança com que ela vocifera suas verdades, são quase tão apavorantes quanto a voz e o olhar de Collor, quando ele é possuído.

Quando se está dizendo a verdade, ministra, não é preciso gritar; nem gritar nem apontar o dedo para ninguém. Isso só faz quem não está com a razão, é elementar.

Lembro de quando Regina Duarte foi para a televisão dizer que tinha medo de Lula; Regina foi criticada, sofreu com o PT encarnando em cima dela -e quando o PT resolve encarnar, sai de baixo. Não lembro exatamente de que Regina disse que tinha medo -nem se explicitou-, mas de uma maneira geral era medo de um possível governo Lula. Demorei um pouco para entender o quanto Regina tinha razão. Hoje estamos numa situação pior, e da qual vai ser difícil sair, pois o PT ocupou toda a máquina, como as tropas de um país que invade outro. Com Dilma seria igual ou pior, mas Deus é grande.

Minha única esperança, atualmente, é a entrada de Marina Silva na disputa eleitoral, para bagunçar a candidatura dos petistas. Eles não falaram em 20 anos? Então ainda faltam 13, ninguém merece.

Seja bem-vinda, Marina. Tem muito petista arrependido para votar em você e impedir que a mestra em doutorado, Dilma Rousseff, passe para o segundo turno.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Jornalistas, Uní-vos!



Uní-vos, Um Manifesto de Leandro Fortes


Não tem mais “barriga” nos jornais brasileiros, ninguém é sequer advertido quando faz uma cagada. Só pode ser. Ou é má fé explícita. Essa matéria recente sobre Tião Viana, na Folha de S.Paulo, tirada do nada, é uma investigação jornalística enviesada, usada para encobrir uma óbvia encomenda editorial. A assessoria do senador já havia informado à repórter sobre o fato de o imóvel estar no nome da mulher dele. Mas aí aparecem os tais “especialistas” convocados, sistematicamente, para dar suporte às chifradas jornalísticas dessa que ainda se intitula “grande imprensa”.

Olhem o trecho da chamada do portal UOL, do qual sou assinante, e, por isso, cobro duplamente:

“A assessoria do senador alegou que o terreno não foi declarado à Justiça Eleitoral porque pertencia à sua mulher, Marlúcia Cândida Viana. Mas, como o senador é casado em regime de comunhão total de bens, o imóvel pertence aos dois, segundo tributaristas ouvidos pela Folha.”

O que significa isso? A interpretação ocasional de tributaristas como mecanismo para se montar um escândalo! Não nutro nenhuma simpatia pelo senador Tião Viana, tão novo e já deslumbrado com a chaga do patrimonialismo, a ponto de ter dado à filha, em viagem de férias ao México, um celular do Senado para que ela gastasse à vontade. Coisa, aliás, que ela levou a sério: a conta foi de 14 mil reais, só ressarcidos aos cofres públicos porque a mordomia foi descoberta. Isso, no entanto, não justifica o exercício de um certo tipo, este sim, escandaloso, de jornalismo, cada vez mais difundido como normal e corriqueiro. E é coisa diária, diuturna, que despreza a inteligência alheia, o poder da internet, a capacidade de reação dos leitores e dos jornalistas, estes, culpados em última instância.

A canalha é de jornalistas, não de patrões, é preciso que se diga. Quem faz o trabalho sujo nas redações não são os donos dos meios de comunicação, são os jornalistas. O problema é que as redações, hoje, têm gente demais disponível para fazer qualquer coisa. Vive-se a primazia da má fé e louva-se a inversão dos valores como condição primordial à sobrevivência dentro do mercado. Não é verdade. É possível ser jornalista e trabalhar em qualquer lugar sem se submeter ao mau-caratismo. Arriscado, mas possível.

O pior é que nós, jornalistas, temos uma arma institucional com alto potencial de marketing corporativo, a cláusula de consciência do Código de Ética, mas a coisa virou letra fria. Tinha que ter uma campanha dos sindicatos e da Fenaj, dentro das redações, com o slogan “Isso eu não faço!”. Para o jornalista novo, o foca, o repórter que está angustiado se sentir apoiado pela categoria. Para dizer, sem medo: isso eu não faço porque é ilegal, é imoral, é desrespeitoso, é injusto, é antijornalístico, enfim.

A internet abriu uma perspectiva sem limites para se fazer alguma coisa de concreto, além de expor esse estado de coisas na blogosfera, que já é uma coisa sensacional. Eu queria muito que todos nós, jornalistas do Brasil, pensássemos na possibilidade de criar um blog coletivo, jornalístico, independente, com receita publicitária capaz de fazer as coisas funcionarem. Para se posicionar acima dessas figuras que aí estão, cheias de cargos, títulos honoríficos e salários polpudos, mas incapazes (ou capazes até demais) de entender o valor agregado da blogosfera e o potencial crítico – e realmente jornalístico – do mundo virtual.

As grandes estruturas de comunicação do Brasil têm dinheiro, crédito, pessoal e equipamento, mas, apesar de toda essa vantagem, estão aprisionadas por compromissos políticos e econômicos cada vez mais restritos. Ficam assustadíssimas, contudo, com a capacidade que a internet tem para tornar explícita essa relação e, mais ainda, colocar a nu o mundinho autista e auto-referencial no qual estão encapsuladas. Um mundo onde repórteres e colunistas escrevem uns para os outros, se auto elogiam e compartilham vaidades ensaiadas, numa tentativa patética de se parecer com quem lhes paga o salário. O resultado disso é um descolamento absoluto da realidade social, na qual se inserem de forma superficial e, por isso mesmo, descompromissada, como se fazer jornalismo fosse, como quer o STF, tarefa para qualquer um.

A Sociedade Americana de Revistas dos Estados Unidos calculou, no ano passado, que criar uma revista de papel e lança-la nacionalmente custa cerca de 15 milhões de dólares por mês. Uma, na web, sai por 100 mil dólares. Essa relação não deve ser muito diferente no Brasil. Talvez seja até mais barato. Entre 1976 e 1983, jornalistas do Rio Grande do Sul, jogados no desemprego por se posicionarem contra a ditadura militar, fundaram e tocaram o Coojornal, uma experiência jornalística corajosa e altamente profissional, baseada no cooperativismo. Talvez seja a hora de pensarmos em algo semelhante, antes que só restem maus exemplos – embora, dizia Santo Agostinho, sejam esses os melhores exemplos para quem se disponha a aprender, verdadeiramente, a diferença entre o bem e o mal.

Blog do Olímpio Cruz

terça-feira, 25 de agosto de 2009

DESMENTIDO. Quem começa?


Diversos blogs e a revista Carta Capital informam que o tal encontro que Lina Vieira, a Folha, O Globo e o Estadão dizem ter acontecidmo no dia 19 de dezembro, não pode ter acontecido no dia 19. Lina estava a caminho do Rio Grande do Norte, Dilma passou o dia em atividades públicas.

QUEM MENTIU?
Jorge Furtado*

Elio Gaspari é um jornalista com apreço pela verdade. Como todo mundo, pode cometer erros e os comete mas, eu suponho, sua intenção é publicar a verdade, ou o que julga ser a verdade. A notícia deve ter como ponto de partida a verdade factual. Dois exemplos de erros factuais cometidos por Elio Gaspari, os dois contra o governo Lula:

No dia 7 de setembro de 2003 Gaspari divulgou uma informação chocante: o Palácio do Planalto comprava dois tipos diferente de papel higiênico, o extrafino e o interfolhado.

“É com imenso pesar que aqui se transcrevem os termos do pregão 030/2003, convocado pelo Palácio do Planalto:

Objeto:
Aquisição de papéis diversos de higienização pessoal visando suprir os estoques da Coordenação Geral de Patrimônio, Engenharia e Transporte da Presidência da República (almoxarifado) por um período estimado de quatro meses, acrescida da margem de segurança de três meses para manutenção do estoque mínimo.

Das especificações e quantidades:
1) Papel higiênico extrafino, folha dupla, neutro. Medindo dez centímetros por 30 metros, cor branca, alta qualidade, 100% puro celulose, picotado e liso (2.560 rolos).
2) Papel higiênico interfolhado, folha dupla, medindo 11 centímetros por 21 metros, 100% celulose, matéria-prima virgem, cor branca, macio, resistente, hidrossolúvel, folhas intercaladas, compatível com porta-papel higiênico marca Ideal.

São dois, portanto, os tipos de papel higiênico usados no Planalto. Admitindo-se que sirvam para a mesma coisa e sabendo-se que, nesse uso, só há um lado (o de fora), bem que o chefe da Casa Civil, comissário José Dirceu, poderia dizer como funciona o processo de seleção petista para decidir quem rola no “extrafino” e quem milita no “interfolhado”.

Felizmente não era verdade. Gaspari admitiu o erro em sua coluna seguinte, no dia 14 de setembro de 2003:

“Foi injusta a insinuação de que o Palácio do Planalto mandou comprar papel higiênico de duas qualidades diferentes. O palácio licitou dois tipos de papel porque são dois os modelos de suporte existentes em seus banheiros. Em alguns casos, usam-se rolos, e em outros, caixinhas com papel interfolhado, aquele que, puxando-se um pedaço, aparece a ponta da folha seguinte. Os dois tipos de papel não são iguais, mas são semelhantes na qualidade.”

Em sua coluna de 29 de fevereiro de 2004 na FSP ele descrevia o pífio resultado da economia do governo Lula se comparado aos governos anteriores (faz tempo), e informava que o governo brasileiro gastava “cerca de R$ 3 bilhões anuais com produtos” da Microsoft. Para quem conhecia o estímulo do governo ao uso de softwares livres, a informação era chocante.

Felizmente também não era verdade. Gaspari admitiu o erro em sua coluna seguinte, no dia 7 de março de 2004:

“O governo federal não compra R$ 3 bilhões por ano de produtos da Microsoft. No ano fiscal de 2003, todos os negócios da empresa no Brasil somaram R$ 925 milhões. Disso, apenas 6% representam vendas para os governos federal, estaduais e municipais.”

Um erro considerável: de 6 bilhões gastos pelo governo Lula a conta baixou para 55 milhões gastos por todos os governos do país, municipais, estaduais e federal.

É possível que muitos dos leitores dos erros factuais publicados em destaque por Elio Gaspari não tenham lido suas correções, bem mais discretas, uma semana depois. Como jornalista, no entanto, ele fez o que tinha que fazer: admitiu o erro, no mesmo espaço.

Em sua coluna de hoje Gaspari comete mais um erro factual, outra vez prejudicial ao governo Lula. Gaspari informa que a ex-secretária Lina Vieira, que afirma ter sido chamada pela Ministra Dilma para uma reunião na Casa Civil, “estimou que o encontro pode ter ocorrido no dia 19 de dezembro passado”. Informa também que desapareceram os dados da agenda da Ministra relativos ao dia 19. Gaspari mais do que insinua que o tal desaparecimento tenha sido intencional:

“Quem quer acreditar nessa versão é obrigado a supor que aconteceu uma enorme coincidência.”

Pois vários blogs e a revista Carta Capital, que chegou as bancas antes da edição de domingo da Folha de São Paulo, informa que o tal encontro que Lina Vieira, a Folha, O Globo e o Estadão dizem ter acontecido no dia 19 de dezembro, não pode ter acontecido no dia 19, Lina estava a caminho do Rio Grande do Norte, Dilma passou o dia em atividades públicas.

Não é o caso de afirmar que Elio Gaspari tenha com a verdade uma “relação agreste”. Acreditemos em coincidências, esperando, para a próxima semana, que ele corrija mais este erro factual que cometeu contra o governo Lula.

“A verdade não é um desejo”, ensina Todorov. Merval Pereira, Mônica Valdvoguel, Clovis Rossi, Fernando Rodrigues, Elio Gaspari, Carlos Monforte, Carlos Alberto Sardemberg e outros jornalistas afirmaram ou insinuaram que Dilma Roussef mentiu ao negar a reunião com Lina Vieira. Vamos ver, no fim desta história, quem mentiu e quem vai ter que pedir desculpas.



*Jorge Furtado é diretor de cinema, roteirista da TV Globo. De formação parcialmente autodidata, cursou medicina, psicologia, jornalismo e artes plásticas, sem concluir nenhum dos cursos. Dirigiu, dentre outros filmes, Ilha das Flores (1989), com os quais recebeu vários prêmios nacionais e internacionais, inclusive no Festival de Berlim; O homem que copiava, que recebeu vários prêmios, inclusive o Grande Prêmio Cinema Brasil, para o melhor filme brasileiro de 2003. Escreveu e dirigiu várias minisséries e dezenas de especiais a TV Globo. Em 2008, o Harvard Film Archive, ligado à Universidade de Harvard, promoveu a mostra "Jorge Furtado's Porto Alegre", com a exibição de 2 longas e 7 curtas.


Fonte: Blog do Nassif

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