sexta-feira, 25 de junho de 2010

Corte Interamericana de Direitos Humanos condena Colômbia por morte do Senador Cepeda

Pelo caso Manuel Cepeda, o Estado deverá indenizar a  família e pedir desculpas públicas, de acordo com determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos. O Senador da União Patriótica foi assassinado por um grupo de sicários em 1994.

Corte de Direitos Humanos condena a Colômbia por morte de senador

País é condenado a indenizar a família e produzir documentário sobre senador Cepeda

AFP-
A Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou a Colômbia a indenizar a família do senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 por agentes do Estado, e a "conduzir com eficácia" as investigações para identificar, julgar e punir os responsáveis. 
A Corte, com sede na capital da Costa Rica, atribuiu ao Estado colombiano a responsabilidade pelo crime. Os juízes admitiram que os familiares deveriam receber a título de compensação de US$ 340 mil num prazo máximo de um ano.

Cepeda era o único representante no Senado da esquerdista União Patriótica (UP), organização política ligada ao Partido Comunista da Colômbia. O senador foi executado no dia 9 de agosto de 1994 em Bogotá, presumivelmente numa operação coordenada entre o Exército e esquadrões paramilitares de direita.

Colômbia terá de fazer documentário sobre o senador
Segundo as investigações feitas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), com sede em Washington, o assassinato de Cepeda teve como base um "processo de perseguição e repressão" contra os membros desse grupo político.

Embora o Estado colombiano tenha reconhecido parcialmente sua responsabilidade nos fatos, durante o processo, a Corte decidiu sobre uma série de medidas adicionais para restaurar "a honra e a dignidade" do senador; entre elas, a realização - na Colômbia - de um ato público de reconhecimento dos fatos.

O Estado também é obrigado a publicar no diário oficial e em outro de circulação nacional, de uma só vez, as partes substanciais da sentença, que poderão ser consultadas em um site oficial, durante um ano.
Além disso, em coordenação com os familiares de Cepeda, o Estado colombiano deverá produzir "um documentário audiovisual sobre a vida política, jornalística e o papel político do senador", e divulgá-lo em diferentes meios.

Triunfo ilegítimo do continuismo



Com o triunfo ilegítimo do continuismo repudiado pela abstenção cidadã, o país tem entrado em um processo de radicalição da luta política, no qual o povo será protagonista na primeira linha.

Toda a maquinaria do Estado, todos os recursos mafiosos do governo, suas armadilhas de fraude e corrupção, chantagem e intimidação, foram postos ao serviço da vitória do continuismo, buscando desesperadamente por essa via um escudo que proteja Uribe da iminente acusação do povo e da justiça, por sua gestão criminosa e de lesa pátria.

O regime de Uribe foi o mais sério intento de impor violentamente um projeto político de ultradireita neoliberal baseado no paramilitarismo. Seu governo passará à historia como o mais desavergonhado das últimas décadas, o mais assassino de sua população civil, o mais ajoelhado ante a política dos EUA e, por essa circunstância, o mais compulsivo provocador de instabilidade nas relações com os países vizinhos.

Durante seus oito anos governou a mentira, a falsidade, a manipulação e o engano. Uribe e o continuismo fizeram crer que sua política de segurança era de todos, quando em realidade, só protegia, mediante a repressão, o lucro de privilegiados setores inversionistas, que acrescentaram o desemprego e a pobreza. Fizeram crer que defender a soberania era entregar a pátria ao governo de Washington e converter a Colômbia em um país ocupado militarmente por uma potência estrangeira. Montaram toda uma farsa para possar de lutadores contra o narcotráfico quando o próprio presidente Uribe, o DAS e o general Naranjo, têm um largo historial que os vincula à máfia do narcotráfico. Dizem que no país não há guerra nem conflito armado, no entanto, há Plano Patriota e invasão ianque....

Segurança democrática são os falsos positivos e a impunidade. É poder eleger como Presidente ao ministro da defesa  que mais estimulou esses crimes de lesa humanidade. É repartir terras para o agronegocio paramilitar, porque esse sim tem músculo financeiro, enquanto os camponeses pobres no. E é subsidiar ou doar de maneira segura dinheiros do Estado aos empresários do agro que financiaram as campanhas eleitorais. Segurança democrática são as covas comuns com mais de 2000 cadáveres como aquela que existe muito perto da base militar do Município de La Macarena, no estado de El Meta e, são os mais de 4 milhões de camponeses deslocados violentamente pelo Estado. É mentir sobre o fim do fim da guerrilha bolivariana das FARC-EP e se preocupar pela vitalidade de uma organização que combate sem descanso pela Nova Colômbia como fica demonstrado pelos seus boletins de guerra do mês de maio do presente ano. Segurança democrática é cambiar a Constituição para que possa garantir interesses particulares, quando necessário e é ter uma espúria maioria no Congresso e desprezar a autoridade das Altas Cortes, com o aplauso e de seus politiqueiros incondicionais. Também, é repartir cargos na burocracia, recursos públicos e contratos e, aproveitar o governo para se enriquecer sem nenhum questionamento moral...

A vergonhosa defesa do militarismo oficiada por Uribe e seu chamado a criar novas leis em favor da impunidade dos militares anunciam o que virá durante o período presidencial de Juan Manuel santos. Sua cínica queixa e seu lamento falso sobre-protegendo um torturador-assassino, como Plazas Vega, os altos comandos militares e o ex-presidente Belisario Bentacur, responsáveis do holocausto do Palácio da Justiça, são patética evidencia de seu esforço por se blindar desde já, para evitar futuras acusações em sua contra. E, por suposto, como forma de atrelar o narco-paramilitarismo à direção do Estado, com garantias legais para desaparecer, torturar e assassinar opositores. O "foro militar" que Urbe reclama é patente de impunidade criminosa como o demonstra a historia recente da Colômbia.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Fafá fala de sua cidade

 
A cantora brasileira Fafá de Belém não só tomou para si o nome da cidade onde nasceu como é uma coleccionadora de histórias do lugar. "A lembrança mais remota da minha vida são os cheiros e os sabores de Belém", diz. "Ali existe uma overdose de paladares e uma variedade enorme de raízes, sementes, cascas de árvores e frutas que é preciso experimentar para depois reflectir."

Como toda a paraense, é capaz de viver em qualquer parte do mundo, mas 'leva' sempre um pouco do Pará consigo. "Eu posso estar no Rio, no Alentejo ou no Porto e na minha geladeira você vai encontrar ingredientes para fazer um vatapá. Dou um jeito de passar na alfândega levando o que preciso. Quando volto de Portugal também nunca deixo de trazer um chouriço escondido na mala", conta entre gargalhadas.
Um dos seus amigos na cidade é o chefe Paulo Martins, dono do Lá em Casa, restaurante que ela recomenda sem reservas. "Para vocês terem uma ideia do talento do Paulo, basta dizer que o catalão Ferran Adrià, que é uma estrela internacional, foi a Belém no final do ano passado para conhecer Paulo Martins e reverenciá-lo pelo seu trabalho de valorização da cozinha amazónica."
A cidade tem tradições só conhecidas de quem é de lá. Uma das mais inusitadas é o hábito de tomar sopa de tacacá às cinco da tarde, na banca da Dona Marina, e depois seguir para a sorveteria Cairu, que faz os melhores gelados locais. No périplo gastronómico de Fafá não podem faltar caipirinhas de taperebá e graviola nem sucos de frutas de murici, cupuaçu e graviola.
Além de oferecer mesa farta e exótica, Belém é uma cidade arborizada, com construções remanescentes do período colonial. Um dos conjuntos arquitectónicos mais interessantes é o complexo Feliz Lusitânia, premiado pela Unesco como exemplo de restauração do património. A cidade foi ali fundada pelo algarvio Francisco Caldeira Castelo Branco. Na praça é possível visitar a Sé, o Museu de Arte Sacra e o Forte do Presépio. Junto a esses monumentos fica o palacete das Onze Janelas, erguido por um senhor de engenho e que hoje é uma espécie de restaurante e bar, com música ao vivo, onde os embalos seguem madrugada dentro.
Imperdoável para Fafá é ir a Belém e não visitar a ilha do Marajó ou a ilha fluvial do Mosqueiro, a 70 quilómetros da capital, onde há chalés construídos pelos ingleses na época do ciclo da borracha. Entre os passeios obrigatórios, ela cita o Museu dos Minerais, com o seu jardim de pedras preciosas e o Museu Emilio Goeldi, fundado em 1866 por um grupo de intelectuais e naturalistas preocupados em estudar a fauna e a flora da região.
A festa popular mais importante é o Círio de Nazaré, celebrada no segundo domingo de Outubro, quando milhares de pessoas ocupam as ruas e os turistas esgotam todos os hotéis. Para Fafá, independentemente de qualquer roteiro turístico, é preciso ir a Belém com tempo "para assistir ao pôr-do-sol nas Docas, ver as crianças colhendo mangas nas ruas na hora da chuva e passar algumas horas no mercado Ver-o-Peso, junto ao rio, para descobrir o que existe só ali e que por isso é tão único e especial."
Na agenda da Fafá


Melhores restaurantes
- Lá em casa (Estação das Docas), Peixaria do Careca (Av. Alcindo Cacela, 4288) Manjar das Garças (Rua Dr. Assis, s/n, Parque Ecológico Mangal das Garças, Cidade Velha).

Estação das Docas - Antigos armazéns reformados, onde há vários restaurantes, bares, cervejarias, livrarias. Boulevard Castilho França, 707.

Livraria Jinkins - Perseguidos na época da ditadura, os donos conseguiram manter a livraria como um ponto de liberdade na cidade. Rua Tamoios, 1592.

Hotéis - Hilton e Crowe Plaza. Ela tem uma suite permanentemente reservada em cada um.
Mercado Ver-o-Peso - Ponto turístico às margens da Baía do Guajará, que engloba o mercado de peixe, cuja estrutura de ferro foi toda trazida da Inglaterra, e uma feira de frutas, raízes, sementes, legumes, que funciona ao ar livre.

O que comprar - Banho de Cheiro, perfume típico de Belém, feito com ervas amazónicas. Na Perfumaria Orion, Rua Frutuoso Guimarães, 270.

Produtos Juruá - Sabonetes, cremes, champôs, essências e óleos. Artesanato Juruá. Rua Deodoro de Mendonça, 319.

Show no Teatro da Paz. Incrível apresentação da toada Vermelho

terça-feira, 22 de junho de 2010

CQC - Deputado agride Mônica Lozzi



CQC de 14/06/2010
O deputado federal Nelson Trad agride Mônica Iozzi em Brasília. Absurdo a agressão e absurdo a irresponsabilidade dos deputados que assinam documentos sem saber o que estão defendendo.

Dunga em UM DIA DE FÚRIA!

domingo, 20 de junho de 2010

José Saramago, por Manuel Gusmão


No dia da morte de José Saramago, creio que este texto que o Manuel Gusmão escreveu para o 5dias será uma das mais simples e camaradas  homenagens, que se poderão ler durante os próximos dias. (Tiago Mota Silveira)

Saramago é um escritor que se conquistou a si mesmo, que encontrou a sua maneira em pleno percurso. Que fez o seu caminho, caminhando. A fase da sua obra que vai produzir essa maneira que muitos reconhecem como a marca da sua assinatura, vai de 1977, ano fecundo da narrativa em português, em que publica Manual de Pintura e Caligrafia, a 1981, ano em que sai a 1º edição da sua Viagem a Portugal. Entre esses dois anos e esses dois livros, Saramago publicara Objecto quase (1978), “O ouvido” integrado na obra colectiva Poética dos Cinco Sentidos (1979), Levantado do chão (1980) e duas peças de teatro – A noite (1979) e Que farei com este livro? (1980). Se é com Memorial do Convento (1982) que o seu êxito se torna uma evidência, inclusivamente à escala internacional é nessa fase (1977-1981) assistimos à descoberta e invenção do fundamental do dispositivo narrativo que o vai acompanhar ao longo da obra. Manual de Pintura e Caligrafia é na ficção, uma meditação sobre os problemas da representação; a dissociação entre representação e semelhança, preparando assim a desenvoltura na construção dos mundos narrativos na obra posterior. A Viagem a Portugal dá conta da espessura significativa da radicação no território pátrio da ficção de Saramago. Em Levantado do Chão, surge a famosa frase em que várias personagens, inclusivamente o narrador, podem falar; essa frase que é assim dita em diálogo, mostrando essa admirável evidência da socialidade da linguagem. Este romance dispõe já da construção de uma figura de narrador marcado pela “auralidade”, de uma frase articulada por um nítido ritmo sintáctico. E sobretudo começa a funcionar um princípio narrativo que parte de uma negativa ou negação imposta a uma história já contada pelos vencedores ou de qualquer fora por uma historiografia oficial. Essa negatividade marca a relação entre ficção e história no que se poderia considerar a primeira fase da nova maneira de Saramago. Nela conta-se sempre de outra maneira algo que já foi contado, designadamente porque se conta algo que nunca mereceu ser narrado, nomeadamente a história dos servos e dos que transportam a pedra e constroem Mafra. Assim é em Memorial do Convento, Em O ano da morte de Ricardo Reis, História do Cerco de Lisboa, O Evangelho segundo Jesus Cristo. Com A jangada de Pedra anuncia-se o que virá a ser um outro dispositivo narrativo, característico de uma segunda fase da maneira “Saramago” que se afirmará inicialmente em Ensaio sobre a Cegueira e Todos os nomes e continuará depois. A este novo dispositivo chamarei de alegoria do presente.
José Saramago morreu. Inicia-se o seu segundo combate ou uma nova fase do seu combate de há muito: a luta pelo reconhecimento pleno da sua obra. A luta pela conquista e fidelização de leitores, pela leitura e releitura dos seus livros. Mas não só dos seus, e sim pela leitura dos grandes do passado ou dos seus contemporâneos: Camões, O padre António Vieira, Almeida Garrett, Camilo e Eça, Jorge de Sena ou Rodrigues Miguéis, numa lista incompleta. Portugal é um país em que historicamente se acumularam atrasos culturais e uma enorme fragilidade das suas instituições culturais. Isso explica em parte que a morte de um escritor seja muitas vezes a sua entrada num limbo da memória, num período de descaso e de esquecimento. O Nobel que ganhou é em relação a esse comportamento do futuro uma protecção simbólica, é certo, mas não suficiente por si só. Um pouco por todo o mundo (não estou a exagerar) foi lido e amado por leitores que, em tempos de derrota e de solidão, reconheceram nele um dos seus, alguém que ocupava o mesmo campo social à escala planetária. Esse facto foi caricaturado por alguns, que atribuíram o seu sucesso a uma “conspiração internacional” de comunistas ou cripto-comunistas.
Agora que morreu, nós temos responsabilidades acrescidas nesse combate. E não é preciso “conspiração” nenhuma. Basta cuidar do nosso património literário e artístico. Ele permaneceu fiel à longa e denegada “tradição dos oprimidos” (Walter Benjamin). Nós que nessa tradição temos vindo, sabemos que a memória é uma condição do desejo de futuro; sabemos que o cuidar da memória integra o longo trabalho da emancipação. Eu sei que há quem deteste palavras como estas – memória, futuro, trabalho, emancipação – , mas que hei-de fazer, ó boas almas, é que ele era um dos nossos.


José Saramago, por Manuel Gusmão

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago


" A falsidade central deste modelo reside no fato de que o poder econômico é o mesmo que o poder político. O único antídoto para reverter esse mau funcionamento da democracia é construir uma sociedade crítica que não se limite a aceitar as coisas pelo que elas parecem ser e depois não são, mas se faça perguntas e diga não sempre que for preciso dizer não. Para isso, é urgente voltar à filosofia e à reflexão"

O Pig nada pode

O Partido da Mídia Golpista, sigla PIG, tenta a pulso levantar seu candidato. Mas faz água.

BRASIL NUNCA MAIS

BRASIL NUNCA MAIS
clique para baixar. Íntegra ou tomos