Fique por dentro das músicas do Carnaval de Recife e Olinda:
Para quem deseja estar com todos os hits e marchinhas que
são sucesso por aqui na ponta na língua, segue agora algumas musicas que são
hinos e que não podem faltar na folia de Recife e Olinda
Encabeçando o top, para não fazer feio na multidão, conhecer
o ‘Voltei Recife’, uma composição de Luís Bandeira, te ajudará para se integrar
na hora da folia. “Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço…” ao
ouvir apenas essa frase a multidão se agita em meio aos blocos e troças que
animam a folia
Apurações da
Comissão da Verdade poderão levar a
processos contra agentes que cometeram
abusos na ditadura
Punição
perto de se tornar real
Júnia Gama (politica.df@dabr.com.br)
Maria do
Rosário: acesso a documentos será assegurado.
Imagem: PAULO DE ARAÚJO/CB/D.A
PRESS entrevista
.
O governo modificou o tom cauteloso do discurso adotado em meados de
2011, quando ainda tentava aprovar a lei que cria a Comissão da Verdade.
Naquele momento, prevalecia a tese de que o colegiado teria efeitos tão
etéreos quanto a “efetivação do direito à memória”, o que gerou
resistências de setores ligados aos direitos humanos e de familiares de
vítimas. Agora, passados três meses desde a sanção presidencial que
criou o colegiado, começa a ser desenhada a perspectiva de punição real
para aqueles que tenham cometido crimes durante o período da ditadura
militar.
A ministra
da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse que as informações
reunidas pela comissão poderão dar origem a processos de condenações
semelhantes aos que ocorreram em países vizinhos. Ela observa que, na América
Latina, a iniciativa de revisão dos atos governamentais praticados durante
períodos autoritários não tiveram início com um caráter punitivo. No entanto, o
clamor social fez com que resultassem em amplos processos de condenação, como o
que ainda ocorre na Argentina, onde mais de 200 agentes repressores já foram
punidos. “Reconhecemos legítimo quando a sociedade propõe e luta no sentido da
responsabilização criminal”, diz a ministra.
Para Gilda
Carvalho, procuradora federal dos Diretos do Cidadão, o Ministério Público deve
encaminhar denúncias a partir de informações levantadas pela comissão que
contenham fatos criminosos. Ela sustenta, inclusive, que a Lei de Anistia não
será empecilho para futuras condenações aos repressores. “Nós somos signatários
de uma convenção internacional sobre direitos humanos que, hierarquicamente,
está acima dessa legislação ordinária. Os tribunais brasileiros não podem dar a
última interpretação sobre tratados firmados pelo país em âmbito
internacional.”
Entrevista
Reporter - Quais serão
os resultados práticos da Comissão da Verdade?
Rosário - Ela não terá
papel jurisdicional ou punitivo. Mas as informações que ela vai buscar e
organizar, inclusive sobre as circunstâncias de mortes, de tortura e de
responsáveis, efetivamente poderão ser utilizadas para movimentar procedimentos
de natureza jurídica pelo Ministério Público.
Reporter - A
confirmação da Lei de Anistia pelo STF pode ser um empecilho para isso?
Rosário - Não. Esse é
um debate que vai ter que ser travado entre o MP, a sociedade e o Poder
Judiciário. Para fazermos avançar a Comissão da Verdade, tivemos que fazer uma
opção política. Se tivéssemos centrado a construção da comissão na
responsabilização criminal, não teríamos avançado.
Reporter - O Brasil
pode chegar a um processo de condenações, como em países vizinhos?
Rosário - Perfeitamente.
Nenhum país entre os quase 40 que tiveram uma comissão da verdade teve em sua
primeira agenda a responsabilidade criminal. Na Argentina, começou pela busca
de informações. E, depois, a sociedade, indignada, reagiu àquilo, exigindo
mais.
Ana Paula, uma jovem de 23 anos, morava no Pinheirinho com seus dois filhinhos e sustentava a casa com o salário de faxineira (salário mínimo). A truculência, a perversidade e a mesquinharia da sociedade e a impunidade tornam possível esse tipo de violência e de injustiça.
É a isso que certos vermes chamam de liberdade. Liberdade de uma classe destruir os sonhos de quem ousa buscá-los.
A burguesia fede, já dizia Cazuza.
'
Denuncia por
tortura de prisioneiros por longo tempo em confinamento solitário
nos EUA
O caso do réu estadunidense Stephen Slevin,
mantido em confinamento solitário por 22 meses, é o pior caso desse
tipo no país, denunciou advogado esepcializado em direitos civis.
Slevin recebeu
um tratamento desumano depois de ser preso por dirigir embriagado no
estado do Novo México (sudoeste).
Devido às
condições que enfrentou, o sujeito sofreu de depressão clínica e
deterioração de sua saúde sob o olhar indiferente de seus
carcereiros e funcionários da prisão, disse o advogado Matthew
Coyte, especializado em direitos civis.
Um tribunal
federal de Santa Fe decidiu em favor do réu e o veredicto
estabeleceu compensação de US $ 22 milhões para o preso.
As autoridades
penitenciárias negaram tratamento psiquiátrico e, quando o fizeram
apresentava séria afetação de sua saúde e seu estado mental.
Em maio de 2007,
Slevin foi levado para um hospital psiquiátrico por causa de um
quadro de perda de peso e outras anormalidades.
Após duas
semanas de tratamento, o preso retornou para a prisão do condado
Dona Ana para o regime de confinamento solitário, o que agravou seus
sofrimentos, explicou a defesa. .
Um relatório da
ONU denunciou que os Estados Unidos têm o recorde mundial de manter
prisioneiros em confinamento solitário a cerca de 25 mil pessoas,
apesar de que a punição pode constituir tortura.
O documento
salienta que as autoridades dos EEUU mantém dois presos em
confinamento solitário no estado de Louisiana por 40 anos, o mais
longo de que há registos.
Ao se fixar nos seus próprios dogmas, desprezando o real,
o poder dos partidos midiáticos tende ao enfraquecimento. Ao se
descolarem da realidade perdem credibilidade e apoio, cavando sua
própria ruína. Trata-se de um caminho trilhado de forma cada vez mais
acelerada pela mídia tradicional brasileira.
Laurindo Lalo Leal Filho
A superficialidade e o descrédito a que
chegaram os meios de comunicação tradicionais no Brasil é incontestável.
Posicionamento político-partidário explícito e "reengenharias"
administrativas estão na raiz desse processo.
Dispensas em massa
de profissionais qualificados explicam, em parte, a baixa qualidade
editorial. Foi-se o tempo em que ler jornal dava prazer. Mas fiquemos,
por aqui, apenas na orientação política.
A concentração dos
meios e a identidade ideológica existente entre eles criou no país o
"partido único" da mídia, sem oposição ou contestação. Ditam políticas,
hábitos, valores e comportamentos. O resultado é um grande descompasso
entre o que divulgam e a realidade. Hoje, para perceber esse fenômeno,
não são mais necessárias as exaustivas pesquisas em jornalismo
comparado, tão comuns em nossas academias lá pelos anos 1980.
Agora
basta abrir um jornal ou assistir a um telejornal e compará-los com as
informações oferecidas por sites e blogues sérios, oferecidos pela
internet. São mundos distintos.
No caso da mídia brasileira
essa situação começou a se consolidar com a implosão das economias
planificadas do leste europeu, na virada dos anos 1980/90.
Em
1992, no livro "O fim da história e o último homem", ampliando ideias já
apresentadas em ensaio de 1989, Francis Fukuyama punha um ponto final
no choque de ideologias, saudando o capitalismo como modo de produção e
processo civilizatório definitivo da humanidade, globalizado e
eternizado.
Tese rapidamente endossada com euforia pela mídia
conservadora e hegemônica que, a partir dai, pautaria por esse viés seus
recortes diários do mundo, transmitidos ao público. Faz isso até hoje.
Só
que, obviamente, a história não acabou. Ai estão as crises cíclicas do
capitalismo, neste início de milênio, evidenciando-o como modo de
produção historicamente constituído, passível de transformações e de
colapso, como qualquer um dos que o precederam. Mas a mídia trata o
capitalismo como se fosse eterno, excluindo de suas pautas as
contradições básicas que o formam e o conformam. Dai a pobreza de seus
conteúdos e o seu distanciamento da realidade, levando-a ao descrédito.
De fomentadora de ideias e debates, fortes características de
seus primórdios em séculos passados, passou a estimuladora do
conformismo e da acomodação. Para ela o motor história não é a luta de
classes e sim o consumo, apresentado em gráficos e infográficos,
alardeando números e índices que, muitas vezes, beiram o esotérico.
Se
nos anos 1990 essas políticas editoriais obtiveram relativo êxito
apoiadas na expansão do neoliberalismo pelo mundo, na última década a
realidade crítica abalou todas as certezas impostas ideologicamente. As
contradições vieram à tona.
No entanto a mídia, reduzida e
conservadora, especialmente no Brasil, segue tratando apenas das
aparências, deixando de lado determinações mais profundas. Movimentos
anti-capitalistas espalhados pelo mundo são mencionados, quando o são,
particularmente pela TV, como "fait-divers", destituídos de sentido,
a-históricos. Seguindo rigorosamente a tese de Fukuyama.
Fazendo
jus ao seu papel de "partido único", os meios oferecem ao público,
como elemento condutor de sua ideologia conservadora, algo que
genericamente pode ser chamado de kitsch. Definição dada pelos alemães
no século passado para a arte popular e comercial, feita de fotos
coloridas, capas de revistas, ilustrações, imagens publicitárias,
histórias em quadrinhos, filmes de Hollywood. Atualizando seriam os
nossos programas de TV, os cadernos de variedades de jornais e revistas,
as músicas e as preces tocadas no rádio.
Esse é o prato
diário da mídia, oferecido em embalagens sedutoras e entremeado de
informações ditas jornalísticas, apresentando o mundo como um quadro
acabado, inalterável. Não existindo alternativas, resta o conformismo
anestesiado pelo consumo, ainda que para muitos apenas ilusório.
Claro
que esse quadro midiático tem eficácia até certo momento, enquanto
realidade e imaginário de alguma forma guardam proximidade. Mas ele
também é histórico e, portanto, mutável.
Enquanto as
contradições básicas da sociedade, aqui mencionadas, permanecerem
existindo, a integração das consciências "pelo alto" será irrealizável,
alertava Adorno, num dos seus últimos textos. Por mais que os meios de
comunicação se esforcem por integrá-las.
Ao se fixar nos seus
próprios dogmas, desprezando o real, o poder dos partidos midiáticos
tende ao enfraquecimento. Ao se descolarem da realidade perdem
credibilidade e apoio, cavando sua própria ruína. Confrontados com a
internet desabam. Trata-se de um caminho trilhado de forma cada vez mais
acelerada pela mídia tradicional brasileira. Sem falar na contribuição
dada a esse processo pela queda da qualidade editorial, tema que fica
para outro momento.
Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e
jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros,
de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão”
(Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.
A repercussão do livro A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr, proporcional à importância das denuncias que ele revela, trouxe à tona o debate mais temido pelos meios de comunicação alinhados com o poder dominante: a urgente necessidade de marcos regulatórios para a comunicação. Destaco aqui dois recentes artigos e, logo abaixo, comentários de Bob Fernandes, editor do Terra magazine, no Jornal Gazeta. O livro de venício de Lima aqui em resenha trás argumentações didáticas sobre as razões que tornam urgente uma regulamentação; mais abaixo, artigo de Ricardo Kotscho, sobre liberdade de imprensa. Não deixe de ler.
Uma relação perigosa / Um modelo em transição Programa nº 1698Uma relação perigosa O ruidoso silêncio dos jornais de circulação nacional em torno do livro A privataria tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., diz muito sobre o que tem sido, nos últimos anos, o viés político da imprensa brasileira. Mas deixa ainda mais obscuros os escaninhos da relação entre o ex-governador, ex-ministro, ex-prefeito e ex-senador José Serra com a cúpula das empresas de comunicação dos principais centros do país. Repórteres que acompanham a carreira desse político paulista se habituaram há muito tempo a aceitar como normal sua ascendência sobre as cabeças coroadas da imprensa tradicional. Nunca ocorreu a ninguém – ou se ocorreu, nunca antes qualquer profissional havia enfrentado essa tarefa – vasculhar os segredos dessa estranha relação. O livro de Ribeiro Jr., pelo menos nos trechos já divulgados em entrevistas que circulam pela internet e reproduzidos por blogs, levanta hipóteses que podem conduzir a conclusões perigosas demais para serem tratadas com leviandade. Talvez seja essa exatamente a razão pela qual os grandes jornais ainda não se dispuseram a entrar no assunto com a dedicação que ele merece. Se é verdade metade do que já se disse sobre a investigação de Ribeiro Jr., deve haver motivos para preocupações em muitas casas de boa reputação. Mais alguns dias e os primeiros compradores terão completado a leitura das 334 páginas do livro, e então o silêncio da chamada grande imprensa será de pouca valia. Argumentando-se que é apenas a cautela do jornalismo responsável o motivo de tamanha retração – pois seria leviano conceder o aval da imprensa ao livro e seu autor sem uma leitura cuidadosa da obra – ainda assim não se pode escapar de uma comparação com outros livros sobre políticos publicados recentemente. Não é mistério para as pessoas afeitas ao mister do jornalismo que muitas das resenhas publicadas pela nossa imprensa são produzidas por osmose, sem que os redatores de cadernos de cultura tenham que se dar o trabalho de ler inteiramente a obra analisada. O método é descrito deliciosa e ironicamente pelo escritor Ronaldo Antonelli, ex-redator do jornalismo cultural, em seu romance O crepúsculo das letras. Foi assim, claramente, que alguns livros sobre políticos ganharam destaque recentemente. Principalmente aqueles escritos por seus desafetos, como foram os casos dequeles que têm como personagem o ex-presidente Lula da Silva. Se o caso é de esperar que algum bom resenhista termine sua leitura, louvado seja o silêncio da imprensa em torno do livro-bomba de Amaury Ribeiro Jr.
(continua no final da postagem)
Em busca do equilíbrio
Por Rodrigo Braz, no Observatório da Imprensa, edição 671 Resenha de Regulação das comunicações: história, poder e direitos, de Venício Arthur de Lima, Editora Paulus, São Paulo, 2011; reproduzido da Revista Brasileira de Políticas de Comunicação nº 1, do Laboratório de Políticas de Comunicação (LaPCom) da Universidade de Brasília; título e intertítulos do OI
“Regulação” é um conceito imprescindível para a vida humana, pois, ainda que seja um substantivo abstrato, tem uma dimensão prática que está impregnada na vida cotidiana do ser humano, tanto em sua dimensão biológica como na social. A água, por exemplo, é uma composição química essencial a sobrevivência do homem, porque, entre outras coisas, permite a regulação da temperatura corporal. Assim, quando o nosso corpo está superaquecido, as glândulas sudoríparas eliminam suor para que, ao evaporar, ele retire calor do corpo, fazendo-o voltar ou se reaproximar da temperatura ideal. Quando alguém está com problemas intestinais, o médico sempre recomenda ingerir alimentos e/ou medicamento que regulam as atividades do intestino, fazendo com que ele volte a funcionar harmoniosamente. Portanto, regular alguma coisa significa colocar em equilíbrio ou em ordem determinados fatores ou aspectos que estão envolvidos no funcionamento dessa coisa. O termo “regulação” no latim está associado à palavra regularis, que significa barra, régua ou vara reta, objetos que permitem fazer a medição das coisas, permitindo que tenhamos somente aquilo ou a quantidade que necessitamos. Não por acaso, regulação está também associada ao verbo regere, que corresponde a colocar em ordem ou em controle. Nesse caso, o controle não pode ser excessivo ao ponto de levar ao desequilíbrio ou a desarmonia do sistema.
No âmbito da vida em sociedade, igualmente, a regulação é um fator indispensável, pois garante o equilíbrio entre os poderes e as forças políticas. Nas democracias capitalistas ocidentais, o Estado assume, idealmente, a função de mediar e equilibrar as relações de poder dentro de preceitos democráticos. Todo e qualquer direito, seja ele civil, político ou social, só é possível por meio da regulação, pautada em normas e leis. Os direitos sociais, por exemplo, vão ser implementados na primeira metade do século XX para se contrapor as enormes desigualdades sociais geradas pelos princípios liberais.
"Na edição que chega às bancas nesta sexta-feira 9, CartaCapital traz um relato exclusivo e minucioso do conteúdo do livro de 343 páginas publicado pela Geração Editorial e uma entrevista com autor (reproduzida abaixo). A obra apresenta documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado. José Serra é o personagem central dessa história. Amigos e parentes do ex-governador paulista operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização.
Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. Mas quem brilha mesmo é o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira. Ex-tesoureiro de Serra e FHC, Oliveira, ou Mister Big, é o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização" ( Chega às livrarias ‘A Privataria tucana’, de Amaury Ribeiro Jr. CartaCapital relata o que há no livro mais entrevista com o autor)
O que Serra tanto temia
por Leandro Forte, na CartaCapital
Largado contra a vontade na exata fronteira entre uma guerra por poder no comitê da campanha de Dilma Rousseff e a sofreguidão sem limites da mídia em encontrar uma maneira de derrotar a candidata de Lula à Presidência, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. tornou-se um protagonista da corrida eleitoral de 2010 pelos motivos errados.
Foi acusado de integrar uma patranha cujo objetivo era quebrar o sigilo fiscal e bancário de integrantes do PSDB e parentes do então candidato oposicionista José Serra. Acabou indiciado pela Polícia Federal e virou álibi de uma das frequentes distorções da realidade operadas pelo serrismo: o político que mais se vale do método de produzir dossiês contra adversários assume normalmente o papel de vítima desse tipo de vilania.
Pouco mais de um ano depois, Ribeiro Jr., repórter de longa e bem-sucedida carreira, vencedor dos principais prêmios de jornalismo do País, terá finalmente a chance de recolocar as coisas no devido lugar. A começar por um fato: ele não havia sido contratado para produzir um dossiê anti-Serra. Trabalhava em um livro sobre as privatizações na era Fernando Henrique Cardoso, fruto de 12 anos de trabalho.
E mais: a documentação a embasar as denúncias desfiadas em mais de 330 páginas foi obtida de forma absolutamente legal em diversas fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado, que foi concluída de forma canhestra após um acordo entre o PT e o PSDB e lançou aos porões da República as provas do maior esquema de lavagem de dinheiro já detectado no Brasil.
Do livro, que chegou às livrarias na sexta-feira 9, emerge um personagem central, Serra. Tudo gira em torno do ex-governador paulista e candidato presidencial derrotado em 2010. É um ex-tesoureiro de sua campanha, Ricardo Sérgio de Oliveira, o mentor da “tecnologia financeira” que iria movimentar milhões, ou melhor, bilhões de dólares durante os anos dourados das privatizações e do domínio do PSDB em Brasília.
Valeram-se de tal engenharia a filha e o genro de Serra, Verônica e Alexandre Bourgeois, além de Gregório Marin Preciado, casado com uma prima do tucano.
A privataria tucana Autor: Amaury Ribeiro Jr. Formato: 16 x 23 cm. Páginas: 344 Categoria: Reportagem-denúncia ISBN: 978-85-61501-98-3 Cod. de Barras: 978-85-61501-98-3 Geração Editora
"Um dos principais méritos do livro é descrever toda a trajetória que o
dinheiro ilícito faz, das “offshores” a empresas de fachadas no Brasil, e
da subsequente “internação” desse dinheiro nas fortunas pessoais dos
envolvidos. Neste ponto, o livro de Ribeiro Jr., embora não tenha nada
de fictício, segue a trilha de livros policiais e thrillers sobre
corrupção e bastidores da política, já que o leitor pode acompanhar o
emaranhado e sentir-se recompensado pelo entendimento. O livro, aliás,
tem um início que de cara convida o leitor a uma grande jornada de
leitura informativa e empolgante, revelando como Ribeiro Jr., ao fazer
uma reportagem sobre o narcotráfico na periferia de Brasília, a serviço
do “Correio Braziliense”, sofreu um atentado que quase o matou e,
descansando desse atentado, voltou tempos depois a um jornal do mesmo
grupo, “O Estado de Minas”, para ser incumbido de investigar a rede de
espionagem estimulada por Serra, mencionada no início. É o ponto de
partida para tudo."
On line para baixar é aqui: http://www.livrosdehumanas.org/2011/12/13/livro-a-privataria-tucana/
Leia mais:
Verônica Serra, “a mulher mais importante da internet brasileira”, segundo a revista IstoÉ Dinheiro. Amaury revela que Verônica foi indiciada… justamente por quebrar o sigilo fiscal alheio (acusação feita contra Amaury em 2010). O livro diz que a empresária mentiu sobre a Decidir.com, empresa em que foi sócia de outra Verônica, a Dantas. Num dos trechos mais saborosos, Amaury explica como o banqueiro Daniel Dantas usou a revista e Verônica para mandar um recado a José Serra.
No Luiz Azenha, blog Vi o Mundo.
A empáfia do poeta Gullar,
por Luiz Silva (Cuti), blog PeleNegra
Por conta da publicação, em quatro volumes, da Literatura e Afrodescendência no Brasil: antologia crítica, organizada pelos professores Eduardo de Assis Duarte e Maria Nazareth Fonseca, seja pela apresentação gráfica sofisticada da obra, seja pelo seu aporte crítico envolvendo profissionais de diversas universidades brasileiras e estrangeiras, a questão de ser ou não ser negra a vertente da literatura brasileira que compõe seu conteúdo tem trazido à tona manifestações que vão desde respeitosas e aprofundadas abordagens até esdrúxulos pitacos de quem demonstra sua completa ignorância do assunto, má vontade e racismo crônico. Neste último caso está o que publicou Ferreira Gullar, com o título “Preconceito cultural”, no caderno Folha Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo, de 04/12/2011.
O autor do Poema Sujo, no qual compara um urubu a um negro de fraque, deve estar estranhando (estranheza é a palavra que ele emprega) que o negro não é uma simples idéia desprezível, mas um imenso número de pessoas, cuja maior parte, hoje, não come carniça, e que aqueles ainda submetidos à miséria mais miserável jamais quiseram fazer o trabalho daquela ave, e que se a “a vasta maioria dos escravos nem se quer aprendia a ler”, como diz ele, não é porque não queria. Era proibida. Há vários dispositivos legais e normas que comprovam isso. Havia uma vontade contrária. Há e sempre houve um querer coletivo negro de revolta contra a opressão racista.
Quanto a existir ou não literatura negro-brasileira, deixemos de hipocrisia. No mundo da cultura só existe o que uma vontade coletiva, ou mesmo individual, diz que sim e consegue vencer aqueles que dizem não. Foi assim com a própria literatura brasileira e os tantos ismos que por aqui deixaram seus rastros. Características, traços estilísticos, vocabulário etc, que demarcam a possibilidade de se rotular um corpus literário, no tocante à produção literária negra, já vem sendo estudados. Basta lembrar três antologias de ensaios: Poéticas afro-brasileiras, de 2002, com 259 páginas; A mente afro-brasileira (em três idiomas), de 2007, com 577 páginas; Um tigre na floresta dos signos, de 2010, com 748 páginas, além de outras reuniões de textos, estudos, dissertações e teses. Por outro lado, se Cruz e Sousa e Machado de Assis, como argumenta Gullar “foram herdeiros de tendências literárias européias”, e, portanto, “não se pode afirmar que faziam literatura negra”, o que dizer de Lépold Senghor e Aimé Césaire, principais criadores do Movimento da Negritude, embora herdeiros da tradição literária francesa? A literatura não é só resultado de si mesma. Só uma perspectiva genética tacanha desconheceria outras influências do texto literário, tais como a experiência existencial do autor, sua formação política e ideológica, o contexto social, entre tantas mais. Nenhum escritor é obrigado a reproduzir suas influências.