RESUMEN LATINOAMERICANO entrevistou em Havana as FARC
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| Lideranças das FARCS em negociações de Paz |
em 3 de outubro de 2012
“Sempre é perigoso dialogar sob fogo. Tentar falar sob as balas e os bombardeios é um risco muito grande”.
Por Carlos Aznárez, diretor do jornal Resumen Latinoamericano, de Havana
A muito poucos dias das conversações de paz entre o governo colombiano
e as FARC, o integrante da direção dessa organização guerrilheira,
Comandante Ricardo Téllez [Rodrigo Granda] assinalou que “o
convencimento do governo de Juan Manuel Santos de que não podiam
ganhar a guerra em forma rápida os levou a dialogar”.
Téllez, a quem também se conhece como o “Chanceler das FARC”, atua na
insurgência desde 1980, e muito antes já havia passado à
clandestinidade por sua miliância no Partico Comunista de seu país.
Confessou que um momento muito difícil das conversações exploratórias
que começaram em 2010 se deu quando primeiro foi assassinado o
comandante Jorge Briceño [Mono Jojoy], e logo após o mesmo ocorreu
quando caiu em combate o máximo referente das FARC Alfonso Cano. “Ali,
nos vimos obrigados a avaliar se tomávamos a decisão de seguir ou
chutávamos o tabuleiro. No entanto, nos demos conta que o objetivo era
a paz, como sempre o havia definido nosso Comandante Manuel Marulanda
Vélez, e decidimos seguir tentando-o”. Téllez não tem a menor dúvida,
e assim o expressou em Havana, que, se se dão avanços no diálogo,
desta vez poderiam abrir-se definitivamente as portas da pacificação.
- Foi muito difícil chegar a este momento atual? Como foram as
primeiras conversações exploratórias?
- Este caminho não foi simples, porque viemos de uma guerra bastante
dura, de oito anos do senhor Uribe e dois anos de Juan Manuel Santos.
Uma vez que o presidente Santos assumiu o mandato, enviou uma carta ao
Secretariado das FARC, dizendo que o que nós propúnhamos na agenda da
Nova Colômbia bolivariana podia ser discutido, porém que o que fazia
mal ao país eram as formas de luta que nós utilizávamos. De todas as
maneiras, ele reconhecia que em Colômbia havia um conflito, que era
algo que Uribe não aceitava.
A partir dali começou um intercâmbio epistolar, que concluiu numa
reunião que se fez em Colômbia, à qual lhe seguiram alguns encontros
em outros terrritórios não colombianos, para depois terminar em Cuba,
em reuniões que denominamos “discretas e secretas” durante seis meses,
até chegar ao atual momento.
- Vocês, durante um longo tempo, insistiram, diferentemente do ELN,
que as conversações tinham que ser em Colômbia. Que os fez mudar de
opinião?
- Veja que, desde tempos atrás, no governo de Gaviria, dialogamos em
Caracas, e em seguida no México. Para nós, o lugar nunca foi uma
questão de princípios, senão que o importante é ter a fundamentação e
a confiança para encarar os diálogos.
- Quanto tempo deliberarão em Oslo?
- O de Oslo é somente a instalação da mesa, lá deliberaremos dois ou
três dias no máximo, e logo após o importante se discutirá em Havana.
Também acordamos que também se poderão realizar reuniões em outros
países [n. r.: Não se descarta que uma desses sedes possa ser
Argentina ou Brasil] de acordo como se irão dando as discussões.
- Quais são as razões que os levam a pensar que o estabelecimento
colombiano tem necessidade de encarar a paz precisamente neste
momento?
- Eles levaram adiante com todas as suas forças o Plano Colômbia. A
ideia era exterminar-nos em quatro anos, em forma física. Quer dizer,
demonstrar ao mundo que a guerrilha poderia ser derrotada por essa via
militar. Esses primeiros quatro anos do senhor Uribe não frutificaram
no que ele pretendia. Conseguiu outros quatro anos com sua reeleição,
e nesse período se investiram mais de 12 bilhões de dólares na guerra
em Colômbia. Está a presença norte-americana, há pessoal israelense e
do Reino Unido e de outras potências, metidas na guerra contra o povo
colombiano. Eles haviam falado do pós- conflito e resulta que isso que
pretendiam não se vê por nenhum lado. Temos uma guerrilha forte, bem
equipada, que obviamente sofreu alguns golpes duros, porém que soube
adaptar-se, com muita facilidade, às novas formas que assume a guerra
em Colômbia.
Esse aspecto de não poder ganhar a guerra em forma rápida, levou ao
convencimento do senhor Santos e a seus patrocinadores, os EEUU, de
que era melhor dialogar. Nós somos porta-bandeiras da paz e do
diálogo. E nos alçamos em armas precisamente porque se nos haviam
fechado esses caminhos. Agora, bem, o estabelecimento colombiano pensa
incrementar ao máximo todas as políticas neoliberais, já que têm 52
tratados de livre comércio firmados com diferentes países do mundo,
uma boa quantidade de projetos agroindustriais e mineiros, mais
projetos energéticos multimilionários. Não nos esqueçamos que Colômbia
é um dos países mais ricos do continente: nós temos ouro, prata,
esmeraldas, ao que há que somar costas nos dois mares, e a selva
amazônica. Todos estes projetos que as transnacionais impulsionam se
chocam contra uma resistência armada. A partir dali, nossos inimigos
deduzem que é melhor solucionar este conflito pela via dialogada.
Ademais, em função da crise que vive o mundo, e especialmente Europa,
temem que suas consequências poderiam gerar um caldo de cultura para
que, a partir da experiência que têm as FARC, surjam outras guerrilhas
no continente.











